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Terça-Feira, 23 de Abril de 2019
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Publicado em 08/04/19, às 10:37

‘Não’ = ‘Sim’

Já diz o ditado popular que quando um não quer, dois não brigam. É o caso do relacionamento do prefeito Samuca Silva com o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, que ficou estremecido na sexta, 29 de março, quando o Palácio 17 de Julho, para surpresa geral, tornou público que tinha desistido, quase dois anos depois, de continuar negociando a ocupação do Escritório Central. No ofício, de nº 0239/19, datado de sexta, 29, Samuca teria dado conta ao presidente da CSN que teria outras coisas relevantes para decidir.
“A negociação foi paralisada pois, apesar da vontade do presidente da CSN, Benjamim Steinbruch, em possibilitar a reabertura do prédio do Escritório Central, a empresa tem um Conselho (acionistas, grifo nosso), que preferia um aluguel pela prefeitura. A prefeitura não tem como justificar o interesse público e econômico em pagar aluguel por um prédio ou andares, já que tem instalações próprias e grande parte dos aluguéis foi reduzida. A proposta de aluguel nunca foi cogitada pela prefeitura”, justificou o prefeito, em nota enviada à redação.
Mas nem tudo está perdido. Procurada pelo aQui, a CSN, segundo uma fonte, não quer encerrar as negociações. Muito pelo contrário. “Não sabemos o que houve. Ninguém boicotou o projeto”, disparou, referindo-se à afirmação do prefeito de Volta Redonda de que ‘pessoas estranhas’ estariam agindo contra o projeto. “O problema é a complexidade de uma gestão compartilhada entre um ente público e um privado. O investimento inicial seria alto e o retorno, de muito longo prazo. Acho que faltou uma proposta mais consistente. Mas, da nossa parte, não encerramos a negociação…”, diz a fonte, que tem trânsito junto a Benjamin Steinbruch.
O próprio prefeito Samuca Silva confessou ao aQui, em entrevista exclusiva, que pode voltar atrás. Confira abaixo:

aQui: Ao longo dos últimos 20 meses, o senhor negociava a compra do Escritório Central. Mas, na sexta, 29, anunciou que desistiu da negociação. O que realmente o levou a tomar tal atitude?
Samuca Silva: O acordo foi fechado e o presidente da CSN concordou. Mas ele tem áreas internas e um Conselho (de acionistas, grifo nosso), o que emperrou a concretização. O Conselho era a favor de alugar o imóvel à prefeitura, o que não valeria a pena ao Poder Público. A negociação continuaria, mas eu é que não consigo esperar por conta de demandas de projetos futuros, sedes de secretarias e estratégias internas. A decisão foi interna por termos vários processos parados, que estavam aguardando essa negociação.

aQui: Em declarações a aliados, o senhor diz que o empresário Benjamin Steinbruch não teve nada a ver com a sua decisão de desistir do Escritório Central. E diz textualmente que “empregados da CSN” seriam os responsáveis pela sua decisão. Que funcionários são esses? E o que eles fizeram ou deixaram de fazer?
Samuca: Sim, o Benjamin foi um motivador e sempre nos atendeu, inclusive, concordando com a proposta. Foi a parte técnica interna da CSN que solicitou uma proposta de aluguel pelo prédio, que não consigo materializar (a proposta). Isto é normal, inclusive, tem proprietários de imóveis em Volta Redonda que não querem ter relação com o Poder Público. Esta negociação entre entes é normal.

aQui: Caso o senhor opte por não revelar os nomes dos empregados da CSN que teriam ‘boicotado’ o projeto, pelo menos ao presidente da CSN o senhor revelou quem seriam? Pediu alguma providência da empresa contra eles?
Samuca: Não há boicote. Há proteção ao presidente da CSN e negociação envolvendo um imóvel particular.

aQui: O ofício ao presidente da CSN foi enviado no dia 29, sexta-feira, a que horas? Foi por e-mail para dar tempo de sair publicado em jornais da cidade? O Benjamin Steinbruch já respondeu? O que ele disse?
Samuca: Sim ,na sexta-feira, por AR (Aviso de Recebimento) e não obtivemos resposta. Irei pessoalmente a São Paulo conversar com o presidente da CSN.

aQui: O senhor aceitará, caso Benjamin Steinbruch peça, a reabertura das nego-ciações? Faria alguma exigência?
Samuca: Sim, sempre há espaço que viabilize aquele prédio.

aQui: Uma fonte do aQui diz que o desinteresse da CSN estaria ligado ao fato da empresa de call center, que ocuparia um andar inteiro do escritório central, ter sido levada para outro local?
Samuca: Não há nada de concreto nisto. Existem várias outras empresas interessadas em ocupar o prédio.

aQui: O senhor tem certeza que a decisão de abandonar o projeto de ocupação do Escritório Central não vai influir negativa-mente na relação com a direção da CSN? Não teme que o distancia-mento que sempre houve com governos anteriores possa ocorrer na sua administração?
Samuca: Não vai influir não. Nós já sabíamos que a negociação seria difícil. Se fosse fácil já teriam feito isso antes. A prefeitura e CSN nunca estiveram tão próximos. Preci-samos da CSN, razão da nossa existência. Temos projetos juntos. Há respeito mútuo entre as partes.

aQui: Os projetos de construção de um edifício garagem ou uma garagem subter-rânea, que estariam ligados à ocupação do Escritório Central, serão abortados?
Samuca: Não serão abortados. Inclusive o edital de viabilidade para o edifício garagem será lançado nos próximos dias.

aQui: Como chefe do Poder Executivo, o que o senhor acha que será feito do Escritório Central?
Samuca: Vejo que a CSN buscará um bom projeto para aquela área e a prefeitura será parceira em viabilizar qualquer negócio.

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