Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 25/09/17, às 09:16

‘Não é muito’

22-09-17 - Paulo Cardoso FAMBAM - Chico de Assis (11)

A taxa de iluminação pública que o prefeito Rodrigo Drable pretende implantar ainda não foi votada na Câmara de Vereadores. Isso deverá ocorrer na próxima quinta, 28. Até lá, os ânimos vão continuar exaltados, principalmente entre parlamentares e empresários. Os primeiros, tentando escapar da pressão dos que são contra. E da classe empresarial por ser típico de quem só quer levar vantagem. A polêmica, inclusive, foi abordada em entrevista que o prefeito concedeu a Betinho Albertassi, do programa Fato Popular, da 88 FM.

 

E Rodrigo repetiu o que já tinha dito ao aQui (edição 1063): a taxa não vai pesar no bolso dos contribuintes. “Um real é muito? Não é muito. Sete mil e quatrocentas pessoas pagariam um real; 24 mil pessoas pagariam dois reais; e 53 mil pagariam 5 reais. Quem tem conta de até R$70 reais paga R$1; quem tem de R$70 a R$120, paga R$2,50. Quem tem conta de luz de R$120 a R$200 paga R$5. E acima disso vai pagar de acordo com o consumo. Pode aumentar um pouco, mas o máximo para quem gasta mil reais seria R$17, é absurdo?”, indagou o prefeito. “Chegaram a dizer que sou maluco e que acabaria com minha carreira política. Gente, meu compromisso é de fazer pela cidade o melhor que tem que ser feito”, sentenciou.

 

Na entrevista, Rodrigo explicou as razões pelas quais pretende cobrar o adicional na conta de luz dos contribuintes, embora a medida seja pra lá de impopular. Lembrou que todo o problema teve início quando seu antecessor (Jonas Marins) contraiu uma dívida absurda com a Light. “Nós vamos ter que pagar a outra dívida que o outro governo deixou? Sim. Infelizmente, mas é o fato. Alguém tem que pagar a Light, esse é o primeiro motivo”, contou.

 

O prefeito continuou a entrevista a Betinho Albertassi mencionando projetos de infraestrutura que estão parados por falta de luz. “O segundo motivo é: estou com quatro creches para inaugurar. Eu tenho colégio para abrir. Eu tenho praças que nós inauguramos, como lá na Santa Clara, que está sem luz à noite, com um campinho de grama sintética lindo. Nada funciona sem luz”, disparou, lembrando a pressão do Tribunal de Contas sobre seus ombros. “O TCE disse que não é uma obrigação cobrar essa taxa, mas o dinheiro que estamos usando para pagar a conta de luz deveria estar sendo usado na Educação e Saúde”, pontuou.

Fambam

Paulo Porto Cardoso, 51, presidente da Federação das Associações de Moradores de Barra Mansa (FamBam), que reúne 86 associações filiadas, foi procurado pelo aQui para falar sobre a Contribuição de Iluminação Pública (CIP), enviada por Rodrigo Drable à Câmara e que aguarda votação.

 

aQui: Como presidente da Federação das Associações de Barra Mansa o que você diz dessa taxa (contribuição) que o TCE está sugerindo que o prefeito de Barra Mansa crie?

Paulo Porto Cardoso: Eu não sou contra a taxa. Mas acho que podemos abrir uma discussão maior para esclarecer a população sobre os benefícios que a contribuição pode trazer para ajudar o município e os cidadãos neste período tão difícil que estamos passando financeiramente.

 

aQui: Como vê a reação da opinião pública?

Paulo: A opinião pública esta aguardando um esclarecimento maior. Vi o projeto e conheço a forma de cobrança. Quando for tudo esclarecido a própria população vai perceber como a taxa vai ser importante para melhorar a iluminação da cidade. Pois só assim teremos mais segurança e garantia de poder cobrar e fiscalizar a implantação desse novo sistema de iluminação que a prefeitura promete instalar com os recursos da taxa. A FamBam vai cobrar e fiscalizar de essa taxa for aprovada pela Câmara.   

 

aQui: E dos empresários que já posicionaram contra a taxa?

Paulo: Respeito a opinião deles. Porém minha preocupação maior é com aqueles que batalham no calor e no suor na luta pela sobrevivência e na qualidade de vida e segurança da nossa cidade tão sofrida. Na vida, as vezes, é preciso saber dividir para depois somar.

 

aQui: Você já viu alguém – pessoa física ou jurídica – apresentando uma solução para o problema? 

Paulo: Toda teoria é válida quando coloca em prática e funciona. Eu só questiono alguma coisa quando tenho uma solução melhor para dar. Não vi ninguém apresentar uma solução para os graves problemas financeiros que Barra Mansa atravessa. Só vejo o prefeito apresentar cortes, devolver imóveis alugados e mesmo assim, ainda não temos um futuro pela frente. Todo dia sou cobrado pelos presidentes de Associações de Moradores que os bairros estão escuros e alguns até mesmo sem nenhuma lâmpada. O que fazer? Vou ao setor de iluminação e dizem que não tem lâmpada, que o caminhão esta quebrado. Temos que ter uma solução. A bandida-gem está na rua.  

 

aQui: E o que acha da postura da Light em não ligar a energia das creches que a prefeitura está inaugurando?

Paulo: Um absurdo. Sou eletricista há 30 anos, nascido e criado em Barra Mansa. Vejo uma deficiência por parte da Light, transformadores sucateados, fiação em risco para população. Será que a Light sendo beneficiada há tantos anos recebendo recursos públicos e privados, neste momento tão difícil, não tem um pingo de solidariedade nem com nossas crianças?

 

aQui: Acha que os vereadores vão ficar contra a taxa só por conta da pressão dos empresários de BM?

Paulo: Acho que o momento é de esclarecimentos. A prefeitura deveria fazer audiências públicas, apresentar os números e mostrar a realidade que a cidade está enfrentando. Assim, servirá também para os vereadores formarem suas opiniões e entenderam se a taxa será boa ou ruim e não por pressão dos empresários. Ônus político todos vão enfrentar, com taxa ou sem taxa. Sem taxa, a cidade fica no escuro. Com taxa, o desgaste político. Temos que fazer o que for bom para a cidade. Eu fiquei muito surpreso quando ouvi o prefeito na Rádio do Comércio assumindo a responsabilidade do desgaste político. Se o plano de cobrança de valores e percentuais por zona de consumo for levado à população com bastante publicidade, todos terão a oportunidade de formar opinião. Quem é contra pode passar a entender que a taxa pode ser uma solução, ou não.

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