Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
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Publicado em 24/09/18, às 08:35

Na UTI

Quem mora no Rio de Janeiro sabe bem: encontrar atendimento de qualidade nos hospitais públicos, postos de saúde e até farmácias populares é quase impossível. A crise financeira sob a qual está imerso o estado atingiu em cheio o setor. Faltam médicos, medicamentos, leitos e vagas para cirurgias enquanto sobram pacientes em filas quilométricas implorando por atendimento. Recentemente, o próprio presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Nelson Nahoun, alertou para o fato de que a Saúde do Estado vem definhando há dois anos ininterruptos e, atualmente, encontra-se à beira de um colapso.

 

Para o presidente do Cremerj, o problema passa pela falta de médicos capacitados.  Segundo ele, as nove unidades federais no Rio de Janeiro sofrem desse mal, por conta da não renovação dos contratos temporários com funcionários e da falta de concurso público. Ele pode ter razão. Dados do próprio Cremerj apontam que o déficit de pessoal chega a quase 4 mil profissionais na rede. Como consequência, são adiadas cirurgias, emergências estão sucateadas, enfermarias fechadas e pacientes mantidos nos corredores, sem leitos.

 

Além disso, falta dinheiro não só para contratar médicos, mas, também, para manter as unidades, comprar medicamentos e fornecer equipamentos. Como medida paliativa, o governo do Estado – e prefeituras – deixou a gestão de muitos hospitais nas mãos das Organizações Sociais, as famosas OSs e o resultado não poderia ter sido mais desastroso. De acordo com a presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren – RJ), Ana Lúcia Telles Fonseca, os profissionais da área se encontram em situação de penúria.

 

“No Coren-RJ, a gente preza pela garantia de uma assistência livre da possibilidade do risco. A gente preza por penalizar e trazer para o trilho os profissionais com desídia de conduta. E como é que a gente faz se o elementar das relações de trabalho estabelecidas não está sendo cumprido: o pagamento dos salários, o pagamento das verbas. Entramos no bojo dessa maluquice, onde se perdeu a referência que é o usuário do SUS, que afinal de contas, somos nós, que elegemos quem transformou em caos o sistema de saúde deste país”, disse Ana Lúcia em audiência pública realizada na Alerj. “Profissionais da Saúde contratados pelas OSs, cujos contratos com o governo do Estado foram rompidos, vêm sendo demitidos sem receber o pagamento das verbas rescisórias, assim como salários atrasados, 13º terceiro e férias. As novas OSs contratadas sem licitação, por sua vez, não se julgam responsáveis pelo passivo deixado pelas anteriores”, emendou.

 

No meio do turbilhão, hospitais estão parados ou funcionando com menos da metade de sua capacidade. É o caso do Hospital Regional Zilda Arns de Volta Redonda, inaugurado no dia 29 de março deste ano depois de mais de um ano de portas fechadas justamente por falta de dinheiro para mantê-lo funcionando.

 

Planejado para desafogar a rede pública da cidade do aço e beneficiar um milhão de usuários vindos de todas as cidades do Sul Fluminense que dependem de atendimentos de média e alta complexidade, o Zilda Arns, de impressionantes 54 mil metros quadrados de extensão, está funcionando com apenas 30% de sua capacidade total. “O Hospital Regional de Volta Redonda está entregue, hoje, aos políticos. Quem administra o hospital é um ex-prefeito”, disparou Índio da Costa, candidato do PSD ao governo do Estado, referindo-se a Gotardo, médico, ex-deputado estadual, e ex-prefeito da cidade do aço.

 

Ele foi além. “O mais grave do Hospital Regional de Volta Redonda é que a administração está entregue aos políticos, são eles que comandam. Uma visão puramente política. Eles não têm preocupação de atendimento”, disparou Índio, que na entrevista ao aQui abordou até a questão do despejo do Hospital Vita, hoje nas mãos do Hospital das Clínicas. Veja a seguir o que ele e os demais candidatos falaram sobre as suas propostas para a Saúde do estado do Rio: 

Dayse PSTU:

“Fim da terceirização”

No Brasil a crise tanto da saúde quanto da educação são consequência do pagamento da dívida pública que é uma forma de desviar a maior parte dos recursos do país aos banqueiros e especuladores. No estado do Rio de Janeiro não é diferente. Defendemos o não pagamento da dívida pública e que esses recursos sejam aplicados nas áreas sociais com prioridade para saúde, educação e moradia. Também defendemos o fim da terceirização no serviço público com a incorporação dos profissionais hoje terceirizados e a realização de concurso público.

Índio da Costa:

“Fim da administração política”

O Hospital Regional de Volta Redonda está entregue, hoje, aos políticos. Quem administra o hospital é um ex-prefeito. Volta Redonda pode ser um centro de excelência em medicina e tudo caminha para isso. Mas, está sofrendo muito com a falta de investimento, principalmente, do governo do estado. E, com a incapacidade que o governo tem de dar apoio às iniciativas privadas na área de saúde. Esse é o ponto. Minha política para a saúde vai ser política de atendimento. O grande problema que se vê no estado do Rio de Janeiro, hoje, na área de saúde é o atendimento. São as pessoas que não conseguem ser atendidas nos hospitais. E, aí, nós temos situações muito claras. Uma é que há muita gente em busca de atendimento nos hospitais porque não há saúde e também não há saúde preventiva. O Estado não toma medidas no sentido de fazer com que as pessoas não adoeçam. Então, elas adoecem em maior número e procuram os hospitais na maioria das vezes. No caso especifico do Hospital Regional de Volta Redonda se criou na cabeça dos governos e dos políticos que eles têm que criar prédios e inaugurar. Só que um hospital para funcionar tem que ter estrutura, equipamento, médicos. E quem, geralmente, inaugura o hospital no estado do Rio de Janeiro, na política como um geral não pensa nisso. O mais grave do Hospital Regional de Volta Redonda é que a administração está entregue aos políticos, são eles que comandam. Uma visão puramente política. Eles não têm preocupação de atendimento. Agora, Volta Redonda pode se constituir um polo de medicina e atendimento médico. Existem hospitais de excelência na região. Existem profissionais e médicos com boa formação, só que não tem nenhuma atenção do governo. Enquanto o Hospital Regional de Volta Redonda não tem condição de funcionar, existe um hospital de iniciativa privada que foi despejado de um prédio por decisão de um juiz. Hoje, o hospital continua funcionando num prédio da Siderúrgica Nacional, a CSN. E, não foi fechado por decisão judicial. Não é um hospital público, é um hospital privado, mas que demonstra que a cidade não tem nenhum apreço pelo atendimento médico.

 

Tarcísio Mota:

“Reorganizar a rede de urgência”

As obras realizadas pelo PMDB são repletas de escândalos de propina e superfaturamento que estão sendo investigados pela polícia. Não existe transparência nos contratos, muito menos nos processos de licitação. É um jogo de cartas marcadas. E quem paga a conta é a população. O pior de tudo é que o PMDB ainda se esforça para tentar vender ao povo uma imagem de gestores modernos e eficientes. É muita cara de pau! Enquanto isso a saúde está um caos. As pessoas estão morrendo nas filas de espera. Por isso, uma das nossas primeiras ações de governo será reorganizar a rede de urgência e emergência do estado para acabar com os gargalos, integrando os hospitais com as unidades fixas de pronto atendimento e os serviços ambulatórios de atendimento móvel de urgência, de maneira a garantir pleno acesso e mais agilidade para a população. No que se refere ao Hospital Regional, vamos garantir os investimentos que faltam para colocá-lo em pleno funcionamento. E a gestão será pública.

 

Juiz Wilson:

“Comprar horário vago de hospitais”

Por meio de um plano de recuperação iremos restabelecer as casas de saúde em todo o Estado, reduzindo assim a demanda dos hospitais municipais. Vamos contratar 500 mil consultas/mês com especialistas, comprando o horário vago nas agendas de hospitais particulares pagando pelo preço da tabela SUS.

Marcelo Trindade:

“Cortar gastos e privilégios”

Um dos pilares de nossos planos para a Saúde é a criação das áreas integradas de atendimento, submetidas a um hospital de referência para toda a área, que no caso de Volta Redonda poderia ser o hospital regional. Mas o Rio de Janeiro vive uma gravíssima crise financeira, e será preciso assegurar previamente os recursos antes de prometer a retomada de obras. Para isso é preciso cortar gastos e privilégios e tornar a máquina muito mais eficiente.

Nesse sentido, faremos uma revolução tecnológica na área da Saúde, com uma gestão eficiente e um atendimento simplificado, personalizado e efetivo. As pessoas precisam de saúde no lugar certo, na hora certa e da forma certa. Teremos metas de qualidade, gestão alinhada e técnica e uso de ferramentas digitais, inclusive no celular, com um Registro Único de Saúde para cada cidadão, que terá informações completas sobre o paciente para serem acessadas por todas as unidades nas quais ele for atendido. Esses aplicativos também farão o acompanhamento de pacientes, monitorando os que tenham doenças crônicas, alertando para datas de consultas e horários para tomar o remédio, entre outras funções.

Márcia Tiburi:

“Respeitar e cumprir as leis”

Para funcionar plenamente, o Hospital Regional de Volta Redonda precisa ter um cofinanciamento estadual e federal. Infelizmente, o Governo Michel Temer se preocupou mais em ações eleitoreiras na área de segurança do que resolver os problemas reais do Rio de Janeiro.

 

Nós vamos atuar junto ao próximo presidente para resgatar esse apoio perdido e colocar o hospital para funcionar já no primeiro ano de governo, com recursos do Governo Federal e do Governo do Estado, beneficiando os municípios de Barra Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Quatis, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Resende, Rio Claro, Rio das Flores, Valença e Volta Redonda, que reúnem mais de 879 mil habitantes, cerca de 5,3% da população fluminense.

 

O Hospital Regional de Volta Redonda precisa cumprir o seu principal papel de atuar na retaguarda para os casos de traumatologia e neurocirurgia. Essa foi a pactuação realizada pelos municípios da região, que foi desrespeitada pelo Governo Pezão. Em nosso governo, respeitaremos e cumpriremos as leis, especialmente as que tratam das questões básicas da vida, como as de saúde.

 

Iremos trabalhar em parceria com o Governo Federal e as Prefeituras para fortalecer e impedir retrocessos no Sistema Único de Saúde em nosso Estado, em benefício da população dos 92 municípios fluminenses. O Estado do Rio de Janeiro foi uma das unidades federativas onde o SUS menos avançou. Vamos reverter esse quadro promovendo a regionalização da saúde, com apoio aos municípios e o fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde.

Teremos uma política de priorização do Programa de Saúde da Família e iremos estimular os conselhos municipais de saúde visando ampliar o controle social e a gestão democrática e participativa.

Pedro Fernandes:

“Melhorar o atendimento”

Este hospital (Regional, grifo nosso) é muito importante para o atendimento da população das regiões Médio Paraíba e Baía da Ilha Grande (municípios de Barra do Piraí, Itatiaia, Piraí, Barra Mansa, Pinheiral, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro, Rio das Flores, Valença, Volta Redonda, Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba, bem como quem trafega pela Rodovia) podendo atingir até 1 milhão de pessoas beneficiadas em atendimento. As obras do Hospital Regional Zilda Arns levaram 7 anos e sua inauguração oficial foi em março deste ano, mas não está atendendo de acordo com o que foi planejado. É um Hospital de alta complexidade e tem como missão ser referência como Centro de Imagem e Diagnóstico, UTI adulto e pediátrico, exames laboratoriais por exemplo. No meu governo, a área da saúde, assim como a educação e segurança é uma prioridade – o investimento de recursos financeiros e humanos e fiscalização para que as unidades de saúde estejam funcionando plenamente e em sintonia com a atenção básica é primordial. O SISREG tem que funcionar para todos!

Eduardo Paes:

“Colocar o Hospital Regional para funcionar”

O Hospital Regional do Médio Paraíba é um bom exemplo dos graves problemas e gargalos que a Saúde do nosso Estado atravessa. Consumiu R$ 68 milhões só para ser construído, em uma obra que demorou sete anos e foi inaugurado neste ano para operar apenas com 30% de sua capacidade e com o centro cirúrgico parado. Sem o hospital da região, que foi erguido para atender a 1,2 milhões de pessoas de 12 municípios, a população vai ter de procurar atendimento em outros municípios que acabam ficando sobrecarregados. Isso quando conseguem um atendimento. Por isso, nossa prioridade é a de colocar o hospital para funcionar com sua capacidade máxima de atendimento para torná-lo uma referência no atendimento a pessoas com infarto e a pessoas com politraumatismos na região.

 

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