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Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Publicado em 12/08/19, às 09:12

Na pele

Embora quase metade dos brasileiros (44%) tenha começado o ano de 2019 com expectativas positivas em relação à economia do país para o primeiro semestre, o desenrolar dos fatos só manteve o otimismo de 13%, que avaliaram o período como acima do esperado. Enquanto isso, 49% consideraram o desempenho pior quanto à perspectiva inicial.
A sensação de decepção pode ter origem no impacto gerado pela situação macroeconômica do país nas finanças pessoais do brasileiro. Segundo levantamento realizado nas 27 capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), três em cada dez consumidores (30%) sentiram uma piora em sua situação financeira no primeiro semestre do ano – em grande parte motivados pela alta dos preços (54%) e pela diminuição da renda familiar (38%).
Isso explica por que sete em cada dez consumidores (69%) tiveram de realizar cortes no orçamento no primeiro semestre de 2019, enquanto 53% acabaram recorrendo a bicos e trabalhos adicionais para complementar a renda. Outras situações comuns vivenciadas foram o desemprego (do próprio ou de alguém da família), com 46% de citações, passar vários meses no vermelho (45%) e ter o CPF negativado por não pagar alguma conta (34%). Há ainda 33% que recorreram a um empréstimo para organizar o orçamento e 27% que chegaram ao ponto de ter que vender bens para conseguir dinheiro.
A redução nas despesas teve impacto direto no lazer do brasileiro: seis em cada dez (56%) dos entrevistados que tiveram que frear o consumo no primeiro semestre afirmaram ter cortado as refeições fora de casa, enquanto 54% diminuíram as idas a bares e casas noturnas, 51% deixaram de comprar roupas, calçados e acessórios, 50% restringiram as viagens e 50% reduziram as idas ao cinema e ao teatro.
Com o orçamento restrito, seis (59%) em cada dez brasileiros acreditam que será mais difícil concretizar projetos planejados para este ano, sendo a formação de uma reserva financeira (41%), realização de uma grande viagem (34%), reforma da casa (34%) e compra de um carro (30%) os mais afetados.
“Na hora de apertar o cinto, é natural que o consumidor acabe priorizando o pagamento de despesas básicas e essenciais, como aluguel e contas de luz e água, deixando os gastos considerados supérfluos em segundo plano. É inevitável que os momentos de diversão fora de casa acabem comprometidos em alguma medida”, pondera o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.
Mas nem só de experiências negativas se fez o primeiro semestre de 2019: apesar das adversidades, seis em cada dez (60%) entrevistados conseguiram manter o pagamento das contas em dia, 35% conseguiram guardar dinheiro e 30% ainda disseram ter chegado a realizar um sonho de consumo nesse período.
O maior controle sobre o orçamento doméstico reflete-se na percepção dos otimistas quanto ao cenário do primeiro semestre do ano: três em cada dez entrevistados (28%) acreditam que sua situação financeira melhorou durante esse período, com aumento de nove pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para a maioria (39%), no entanto, tudo continua na mesma.
A pesquisa mostra ainda que três em cada dez brasileiros (29%) consideram que a economia do país ainda não retomou o crescimento esperado e que vai demorar para fazê-lo, enquanto outros 29% acreditam que o crescimento será retomado em breve e 27% creem que o crescimento já foi retomado, mas de forma lenta.
Além disso, seis em cada dez entrevistados (58%) disseram não sentir os efeitos diretos da melhora da economia na sua vida desde o fim da recessão em 2017, enquanto 42% afirmaram sentir diferença em aspectos como preço de produtos, juros, taxa de desemprego e renda – com aumento de 19 pontos percentuais frente à sondagem do último ano.
No entanto, 46% acreditam que haverá uma retomada no crescimento para o segundo semestre do ano, número próximo aos 43% que creem em melhora nas finanças pessoais, especialmente motivados pelo otimismo de que coisas boas estão por vir (68%) e por terem sido bem sucedidos na organização de seu orçamento (41%).
“Tecnicamente, o ciclo de recessão iniciado em 2014 no Brasil acabou no final de 2016. Mas o país ainda não se recuperou de alguns dos efeitos da crise e da retração na economia, e a sombra daquele período esteve afetando diretamente o orçamento do brasileiro, consequentemente, sua percepção sobre o primeiro semestre de 2019 e suas expectativas em relação ao futuro”, explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
O levantamento também quis saber a opinião dos brasileiros sobre as prioridades do governo para os próximos quatro anos. A geração de empregos (68%), o combate à corrupção (63%) e a melhoria da educação pública (55%) foram as preocupações mais destacadas pelas pessoas ouvidas.
Metodologia
A pesquisa ouviu 800 consumidores de ambos os sexos, todas as classes sociais e acima de 18 anos nas 27 capitais. A margem de erro é de 3,50 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

Sonho do carro próprio

Embora o sonho da casa própria ainda figure entre as principais motivações para a contratação de financiamento (15%), o automóvel é a preferência nacional quando se trata dessa modalidade de crédito. Cinco em cada dez consumidores que contrataram financiamento no ano anterior ao estudo (49%) utilizaram o serviço para a compra de carros. É o que indica outra pesquisa recente da CNDL e do SPC Brasil.
Segundo o levantamento, 16% dos brasileiros contrataram algum tipo de financiamento nos 12 meses anteriores à pesquisa – um aumento de seis pontos percentuais na comparação com a pesquisa passada. Por outro lado, 81% do total de entrevistados preferiram não se comprometer com parcelas durante o período.
Além de casas e automóveis, outras razões mencionadas pelos entrevistados que contrataram financiamento foram a aquisição de eletrônicos (15%) e de eletrodomésticos (14%) – a maioria motivada pela possibilidade de realizar um sonho de consumo (45%), especialmente na opinião dos homens (55%). Imprevistos e necessidades (28%) foram outros motivos, seguidos de empréstimos realizados para ajudar amigos ou familiares (16%).
“O financiamento pode ser um grande passo na vida de uma pessoa ou de uma família: É a chance de sair do aluguel, de adquirir bens de valor maior, para começar um negócio, enfim, as possibilidades são infinitas. Mas todo o sucesso do projeto dependerá de um bom planejamento financeiro”, ressalta o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.
Os brasileiros que fizeram algum financeiro possuem, em média, 19 parcelas para pagar, o que indica se tratar de um compromisso financeiro que afeta as finanças pessoais ou familiares por um período considerável. Tendo isso em mente, oito em cada dez consumidores (82%) que contrataram um financiamento nos últimos 12 meses garantem ter checado seu orçamento antes de assinar o contrato. Ainda assim, 10% resolveram arriscar sem verificar a real possibilidade de cumprir com as prestações ao longo do período contratado.
“Contratar qualquer modalidade de crédito sem saber se as parcelas caberão no orçamento é um grande risco, pois estamos falando de um contrato de anos, geralmente. Se o bem adquirido for um carro, por exemplo, não basta calcular apenas a prestação, mas também os novos custos que vão impactar o orçamento mensal, como combustível, seguro, IPVA, etc”, alerta Vignoli.
A maioria (74%) dos usuários de financiamento garante realizar o controle do pagamento das parcelas, sendo que 32% preferem realizar as anotações em papel, seja em agendas ou cadernos, outros 30% são adeptos da planilha digital e 13% utilizam algum aplicativo de finanças pessoais. Por outro lado, 23% negligenciam a tarefa, alguns alegando fazer de cabeça (19%) e outros 4% admitindo, de fato, não controlar.
O controle parece estar sendo efetivo: oito em cada dez dos entrevistados afirmam estar com todas as prestações em dia (76%), enquanto 14% possuem pelo menos uma parcela em atraso. Quase 40% dos que atrasaram o pagamento foram negativados pela inadimplência com as parcelas do financiamento.
De acordo com a pesquisa, 89% dos que fizeram financiamento tiveram a oportunidade de escolher a instituição de sua preferência. Nesse quesito, a fidelidade foi um ponto crucial: três em cada dez deles (29%) optaram por contratar o serviço do banco de que já eram clientes, enquanto 24% foram atrás dos menores juros e taxas. Por outro lado, 6% deles não tiveram poder de escolha, tendo que ficar com a única instituição que liberou o financiamento. A maioria buscou meios de obter o crédito por iniciativa própria (61%), mas 19% aceitaram ofertas de bancos ou instituições financeiras e 11% admitiram ter pedido para um terceiro contratar o serviço para eles.
“Outra dica importante é pesquisar bem antes de assinar o contrato, pois os juros e demais tarifas podem variar bastante entre as instituições, assim como os prazos de pagamento”, destaca Vignoli.
Indo na contramão do conselho do educador financeiro do SPC Brasil, um em cada dez consumidores (11%) admitiu não ter analisado as taxas e os juros cobrados antes de contratar o financiamento. Ainda assim, a grande maioria (84%) garante ter dado a devida atenção a essas informações na hora de assinar o contrato, sendo que 31% julgou as tarifas e juros como altas e 18% as consideraram abusivas. Por outro lado, 48% acharam as taxas razoáveis (43%) ou baixas (5%).
O número representa um aumento de sete pontos percentuais em relação ao ano passado. Por outro lado, 77% nem sequer tentaram contratar financiamentos. O automóvel lidera também as tentativas frustradas de financiamento: 24% dos que não obtiveram sucesso tentaram financiar carros, 19% eletrodomésticos, 15% imóveis, 13% motos e 12% a faculdade.
Um em cada dez consumidores (10%) foram bem-sucedidos na tentativa (aumento de 4% em relação a 2018) e 12% não – especialmente entre as classes C, D e E. Nome sujo foi o principal motivo para a falta de sucesso na contratação do financiamento (38%), seguido de renda insuficiente (37%) e falta de garantias solicitadas pelos credores (16%).
Metodologia
A pesquisa ouviu 805 consumidores de 18 anos ou mais, ambos os sexos e todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

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