Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019
0
Publicado em 14/01/19, às 09:06

Na maciota

Por Vinícius de Oliveira

Em tempos em que a simples expressão do pensamento de um político pode significar uma verdadeira hecatombe na opinião pública – haja visto o que tem acontecido com o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros –, o vereador Edson Quinto assume a presidência da Casa de forma bastante moderada. Ou, como dizem os antigos, na maciota. Embora tenha anos de vereança (cincos mandatos consecutivos), o novo líder da Câmara de Volta Redonda, que já assumira o posto em 2016 – pela primeira vez ainda na era Neto -, preferiu conter as palavras.

 

Em entrevista ao aQui na tarde de terça, 8, Quinto respondia às perguntas de forma pausada como se pesasse cada sílaba antes de verbalizá-las. E, ao contrário de seus últimos antecessores, que se preocuparam em deixar um legado em seus nomes para a posteridade, o veterano parlamentar disse que não está preocupado em chamar a atenção para si, mas pretende realizar um feito que poucos – ou nenhum – conseguiram até hoje: levar a população para mais perto da Câmara.

 

“Sabemos que nosso povo não tem a cultura de acompanhar o Legislativo. Por isso, é nossa função levar a Câmara para mais perto dele. Tem muita gente que até gostaria de participar das sessões e acompanhar os seus vereadores, mas uma série de motivos, além da cultura, os impede como, por exemplo, a locomoção”, analisou Quinto, afirmando que sua ideia para atingir tal objetivo é criar a ‘Câmara Itinerante’. “A pretensão é escolher um bairro, um local com estrutura suficiente – dentro de um Ciep, por exemplo – e realizar a sessão oficial lá. Acredito que desta forma as pessoas se sentirão mais à vontade e motivadas para acompanhar os trabalhos do Legislativo”, explicou.

 

Ainda de acordo com Edson Quinto, o projeto, que não é inédito no Brasil, está em processo de criação. “Não sei se conseguiremos fazer isso todo mês. Meus assessores e eu estamos pensando na melhor forma possível de pôr em prática essa ideia. E contamos com a população para colaborar nessa empreitada”, comentou, salientando que a proposta pode auxiliar na chegada de demandas aos vereadores. “Muitas coisas acontecem na cidade e não passam pela Câmara, justamente porque as pessoas não frequentam. Quando a Câmara for para os bairros, isso com certeza mudará”, acredita.

 

Outra promessa feita por Quinto é a que sua gestão será totalmente pautada na transparência. “Uma das primeiras medidas será rever a exibição das sessões via internet. Até o momento, um canal fechado transmitia, mas não atingia  toda a população. Vamos rever essa questão para que mais pessoas tenham acesso ao que é discutido no Plenário”, disparou.

 

Quando questionado sobre as polêmicas envolvendo o governo, Edson Quinto voltou a medir as palavras, deixando a entender que o prefeito Samuca Silva continuará com bom trânsito dentro da Casa e não terá muitas dificuldades para aprovar seus projetos. “Ele [Samuca] ainda tem muito para fazer. Esse ano seus projetos ganharão corpo, tenho certeza disso”, resumiu, ao ser perguntado se o fato de compor a base aliada não influenciaria em suas decisões. E completou. “Não é por eu ser da base aliada que o prefeito fará o que bem entende. Não vai adiantar exigir, por exemplo, urgências e preferências sem critério. Isso não vai acontecer. Haverá muito respeito entre os dois poderes”, afirmou, categoricamente.

 

O presidente da Câmara também foi provocado a comentar sobre a gestão de Samuca. No que diz respeito à geração de empregos, Quinto teceu elogios ao chefe do Executivo. “Tenho visto muito esforço do prefeito para alavancar as ofertas de emprego. E ele tem conseguido realizar feitos importantes. Inclusive, estamos acompanhando de perto a criação do cinturão de empresas (polo metalmecâ-nico) que deve se formar no município. Serão milhares de empregos diretos”, comentou o vereador.

 

Mas, para Quinto, ainda há ‘nós’ bastante intricados que Samuca até hoje não conseguiu resolver. “A acessibilidade e o trânsito são questões complicadas que precisam de atenção. A Saúde também tem de caminhar para o melhor. Mas sei que o prefeito conseguirá resolver muitos desses problemas”, disse, confiante.

 

Já sobre a questão dos funcionários públicos sem plano de Carreira e com atrasos nos salários dos servidores inativos, Edson Quinto disse que não está totalmente por dentro das questões. “Mas vou juntar todas as informações a respeito e levar ao prefeito. Precisamos acompanhar de perto o funcionalismo principalmente no que diz respeito ao seu plano de carreira. Sabemos que está atravancado”, pontuou.

 

Edson Quinto disse também que sua gestão não fará acepção de pautas. Garantiu ao aQui que discutirá todos os temas que sejam relevantes para o município, independentemente de serem polêmicos ou não como, por exemplo, as demandas do público LGBT. “Vamos discutir tudo. Penso que faltou, nas últimas discussões sobre ‘ideologia de gênero’ maior representatividade. De repente podemos rever isso. Mas, para tanto, precisamos que as demandas cheguem até nós. Muitos dizem que a violência contra o público LGBT é grande, então preciso que cheguem às minhas mãos esses números para, aí sim, fazermos um debate consciente”, garantiu.

 

O vereador comentou também sobre o último embate que aconteceu dentro do Plenário entre motoristas de Uber e taxistas. Para Edson Quinto, este é um tema polêmico, mas ele entende que os envolvidos precisam encarar a evolução natural das coisas. “Antes as pessoas usavam bastante os táxis, agora, devido aos preços das tarifas e das facilidades concedidas pela internet, o público migrou para o Uber. Atualmente estão migrando, pelos mesmos motivos, para outras alternativas. Isso é uma realidade a ser encarada”, pontuou Quinto.

 

Quando questionado se seguiria a tendência conservadora apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo governador Wilson Witzel, Edson Quinto disse que não pretende gerir a Casa de forma tão radical. “Acho que não precisa disso. Precisamos, sim, de uma mudança radical em nível nacional para garantir segurança e emprego para a população. Mas não precisa ser dessa forma na Câmara. Precisamos tratar de tudo”, avalia.

Edson Quinto também preferiu não entrar em detalhes sobre finanças. Sem revelar quanto terá disponível para – e se será suficiente – realizar seus projetos, ele disse apenas que logo se reunirá com a contabilidade da Casa para, só assim, planejar o futuro. “Quero que meu legado seja o povo mais próximo da Câmara”, concluiu, sem muito alarde.

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.