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Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018
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Publicado em 18/12/17, às 08:42

Na corda bamba

Acidente na Avenida dos Trabalhadores, na Vila, na manhã de domingo, 9, por volta das 9 horas.

Acidente na Avenida dos Trabalhadores, na Vila, na manhã de domingo, 9, por volta das 9 horas.

O número de indenizações pagas pela Seguradora Líder, administradora do Seguro DPVAT, entre janeiro e novembro de 2017, chegou à marca de 355.238 mil, um decréscimo de 9% em relação ao mesmo período de 2016. Quando avaliada somente a natureza da indenização, o dado alarmante está nos casos de morte, que cresceram 24% em relação ao mesmo período de 2016, correspondendo a 37.492 mil indenizações. Na cobertura por Invalidez Permanente, total ou parcial, foram registradas 263.923 mil ocorrências. Embora representem o maior volume de indenizações pagas (74% no período), esse montante foi 15% inferior ao registrado no mesmo intervalo de tempo do ano anterior. As informações foram divulgadas no Boletim Estatístico mensal da companhia, documento que indica o volume de indenizações pagas pela Seguradora Líder em todo o território nacional.

 

 De janeiro a novembro de 2017, a maior incidência de indenizações pagas foi para vítimas do sexo masculino, mantendo o mesmo perfil identificado em anos anteriores. Pessoas com idades entre 18 e 34 anos foram as mais atingidas no período, representando 49% do total, o que corresponde a cerca de 172 mil indenizações pagas.

Intenso combate às fraudes

A redução de quase 10% no total de indenizações pagas, em comparação ao mesmo período de 2016, reflete, de um lado, a conscientização da população; e, de outro, o rigor adotado pela companhia para combate a fraudes. Já foram evitadas, de janeiro a outubro, perdas de R$831,9 milhões, sendo R$196,7 milhões em indenizações indevidas não pagas por fraudes comprovadas. “O Seguro DPVAT é de todos os brasileiros e tem como principal missão amparar as vítimas em momentos de vulnerabilidade. Por isso, estamos investindo em modernização de sistemas e no uso de tecnologias de última geração, para pagar certo a quem tem direito” afirma Ismar Tôrres, diretor-presidente da Seguradora Líder.

 Acidentes com motocicletas representam 74% das indenizações pagas

No período de janeiro a novembro de 2017, os acidentes com motocicletas foram responsáveis por 74% das indenizações pagas pelo Seguro DPVAT. A região Nordeste segue com o maior número de casos de acidentes envolvendo este tipo de veículo, que responde por 63% das mortes no trânsito na região. Vale destacar que as motocicletas representam apenas 28% da frota do país, tornando o dado ainda mais alarmante.

No corredor

Mais da metade dos feridos no trânsito brasileiro são motociclistas

Por Giovana Chiquim

Meio de transporte rápido, que favorece o deslocamento e o estacionamento e é mais fácil de ser adquirido, as motocicletas vêm, ao longo do tempo, ocupando as ruas das principais cidades brasileiras e também dos pequenos e médios municípios. De acordo com o Retrato da Segurança Viária no Brasil, relatório produzido pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), Ambev e Falconi Consultores de Resultados, a frota de motos saltou de 4,6 milhões para 20 milhões – um aumento de 335% – no período de 2001 a 2012 no Brasil. O mesmo estudo também aponta que 55,1% dos feridos no trânsito do país são motociclistas. A Perkons, empresa que desenvolve e aplica tecnologia para a segurança no trânsito, ouviu um especialista em segurança viária para compreender a urgência na mudança dessa perspectiva.

 

O cabelereiro Rafael Ferreira Guimarães pilotava há 12 anos e utilizava a motocicleta para ir diariamente para o trabalho. Já tinha sofrido dois acidentes de menor gravidade, segundo ele, mas, recentemente, teve clavícula fraturada, escoriações pelo corpo todo e na cabeça, apesar do uso do capacete – que saiu com a queda –, jaqueta e botas. O acidente foi na via Dutra, em São Paulo. “Estava na mão da direita, a 80 km por hora e o carro veio como uma bala. Quando me viu, tentou desviar. Caí no acostamento e, por isso, estou vivo”, conta. Como o terceiro sinistro trouxe consequências e quase lhe custou a vida, Rafael decretou: era hora de aposentar a motocicleta.

 

Na opinião de Eduardo Biavati, mestre em sociologia e consultor em educação para segurança no trânsito, o crescimento da frota de motocicleta nos últimos 20 anos não justifica o número de acidentes e mortes de motociclistas no país. “O mesmo se repete na França, Itália e Japão, mas não vemos nesses países uma realidade tão triste, uma explosão de mortalidade como observamos no Brasil”, afirma.

 

Para ele, as estatísticas envolvendo os motociclistas por aqui são reflexo de diversos fatores: não há políticas públicas voltadas para os motociclistas, falta sinalização, a fiscalização é ineficiente e a formação dos condutores que dirigem sob duas rodas é precária. “As vias públicas brasileiras não foram preparadas para receber tantas motocicletas, mas esses condutores, poucos capacitados e sem equipamentos de segurança adequados, passaram a trafegar por elas. Some a esse cenário a omissão dos órgãos públicos e temos a realidade atual”, enfatiza o consultor.

 

Um estudo realizado pelo Infosiga SP – banco de dados que reúne informações de acidentes de trânsito de diversas fontes – aponta que, no estado de São Paulo, as ocorrências envolvendo motocicletas são a principal causa de óbitos por sinistros de trânsito. Porém, essa realidade não é exclusiva das metrópoles. “Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, o quadro é agravado pela falta de infraestrutura e pela desinformação quanto ao uso de equipamentos de segurança, o que aumenta o número de óbitos e feridos”, diz Biavati.

 

Ainda de acordo com o relatório Retrato da Segurança Viária no Brasil, entre 2003 e 2014, a frota de motocicletas no Nordeste aumentou 414%, saltando de 1,2 milhão para 6,2 milhões, representando 44% dos veículos da região. Além disso, das quatro cidades com maiores índices de óbitos no trânsito por 100 mil habitantes no Brasil, três estão no Nordeste: Presidente Dutra (MA), Sobral (CE) e Barbalha (CE).

 

O que diz a legislação

Quando o assunto são as motocicletas, a legislação de trânsito brasileira deixa lacunas na interpretação. Um exemplo é o famoso “corredor”, faixa entre os veículos por onde motociclistas costumam circular. Em 1997, o artigo 56 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) restringia motos nesses espaços, porém, foi vetado. “A rigor, hoje o Código não proíbe e nem autoriza o tráfego no corredor. O problema dessa prática é que o motociclista ocupa um lugar onde já não há mais tempo de manobra e a maior gravidade se dá pela diferença de velocidade em relação aos outros veículos, que trafegam com mais lentidão”, diz o consultor.

 

Para complicar ainda mais a questão legal do ‘corredor’, segundo noticiário da Agência Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou proposta do Senado que autoriza o trânsito de motocicletas, motonetas e ciclomotores entre veículos em fila (PL 5007/13). O relator, Ronaldo Fonseca, inclusive, manteve o parecer apresentado pela comissão anterior, de Viação e Transportes. 

 

Para a passagem ser permitida, três condições precisam ser cumpridas: o fluxo de veículos deve estar parado ou muito lento; a passagem deve ser feita em velocidade reduzida e compatível com a segurança de pedestres, ciclistas e demais veículos; e, quando houver mais de duas faixas na pista, a passagem só poderá acontecer entre as duas faixas mais à esquerda, a não ser que uma seja exclusiva de ônibus. A proposta, que tramita em caráter conclusivo, segue para o Senado a não ser que haja requerimento para análise em Plenário.

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