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Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Publicado em 15/07/19, às 10:35

“Muito cansado”

Apesar do recesso parlamentar, os políticos voltarredondenses estão a mil por hora. Pensando em 2020, é claro. Aliados do vereador Washington Tadeu Granato, por exemplo, surpreenderam a classe política ao deixar escapar uma notícia que vai mexer com a sucessão do prefeito Samuca Silva. Granato, segundo uma fonte, que faz parte da base parlamentar do governo Samuca, estaria decidido a abandonar a política. “Vai pendurar as chuteiras”, disparou, usando linguajar próprio ao futebol brasileiro. “O Granato não está mais interessado em ser vereador e nem prefeito, um sonho fomentado por ele desde 2008, quando concorreu pela primeira vez”, completou, pedindo anonimato.

 

Atualmente exercendo seu quinto mandato como legislador e já tendo ocupado o cargo de presidente da Câmara de Volta Redonda por quatro vezes, Granato não é qualquer um. Embora nunca tenha conseguido chegar ao Palácio 17 de Julho como prefeito, o vereador sempre está muito próximo ao gabinete do maior mandatário da cidade do aço. Foi assim com o governo Neto, quando chegou a ocupar o cargo de secretário de Obras, com o governo Gotardo e, ao deixar a equipe do ex-prefeito Antônio Francisco Neto, conseguiu emplacar o nome do seu próprio irmão, para sucedê-lo por uma breve temporada. Hoje, apesar de não compor o primeiro escalão da equipe de Samuca, já foi líder do governo na Câmara. E tem trânsito fácil pelo Palácio 17 de Julho.

 

Os indícios do prestígio de Granato na política não param por aí. Para se ter uma ideia, foi ele quem coordenou no Sul Fluminense a campanha de Romário para governador e foi ele também o responsável por apresentar à cidade do aço ninguém menos que o poderoso Eduardo Cunha, articulador do impeachment de Dilma Rousseff, hoje preso pela Operação Lava Jato, acusado de corrupção. Por isso causou tanta estranheza a notícia que circula nos corredores próximos ao seu gabinete de que ele não pretende ser candidato a mais nada em 2020.

 

Procurado pelo aQui para falar sobre os motivos que o levaram a tomar a decisão de abandonar a política, Granato mostrou-se surpreso. “Não sei como chegou até vocês essa notícia, porque ainda é uma questão não definida”, disparou. “A única coisa que posso afirmar neste momento é que sou vereador e vou encerrar o meu mandato (em 2020, grifo nosso). O que virá depois, só o tempo e a conjuntura dirão”, filosofou o político.

 

Na entrevista, Granato não procurou esconder que a vereança já não o seduz mais como antigamente. “De fato estou um tanto quanto cansado. Sou vereador há muitos anos e gostaria de descansar um pouco, pois os trabalhos são intensos. Na verdade, eu já não tinha a pretensão de vir candidato a vereador nesta última eleição (de 2016). Mas meus compromissos pessoais e com a população acabaram me convencendo a me candidatar. No entanto, não sei o que será em 2020”, reafirmou.

 

Ao ser indagado se pretende apresentar alguém como seu sucessor para o Legislativo, Granato não fez rodeios. “Meu irmão vem no meu lugar. Já conversei com ele e ele topou. Disse que se eu não vier, ele vem sem problemas e, assim, os projetos que começamos não vão parar”, avaliou o parlamentar, alegando ter um compromisso com a cidade de Volta Redonda do qual não pretende abrir mão, mesmo que seja através do irmão Júnior Granato (nome político, pois o de batismo é Geraldo, grifo nosso).

 

Sobre abandonar de vez seu sonho antigo de ser prefeito de Volta Redonda, Granato preferiu não falar muito. E voltou a afirmar que a “conjuntura vai determinar seu futuro”. “Ainda é muito cedo para dar uma palavra final. Eu tenho acompanhado de perto o governo Samuca e ainda tem muito para acontecer”, pontuou Granato, dando a entender que está preocupado, na verdade, com possíveis retrocessos. 

 

Ao ser perguntado se o retrocesso teria a ver com uma iminente candidatura do ex-prefeito Neto em 2020, o vereador desconversou. Como também fugiu ao pedido do aQui para analisar o governo Samuca.

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