Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019
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Publicado em 16/09/19, às 09:15

Mudou geral

No final de junho (edição 1155), os leitores do aQui tomaram um susto com a notícia de que o prefeito Rodrigo Drable teria deixado o MDB para se filiar ao PSC, a convite do governador Wilson Witzel. Notícia que foi confirmada pelo próprio chefe do Executivo barraman-sense. “O governador Wilson Witzel me convidou. Ele tem sido extremamente cordial e solícito para com o município. Meu partido é Barra Mansa! Se for bom para a cidade, se nos ajudar a desenvolver o município e a superar as dificuldades, tem nosso apoio”, justificou na época, durante entrevista exclusiva concedida ao aQui.
Pois bem, esqueçam tudo o que foi dito. Ontem, sexta, 13, quase três meses depois, Rodrigo Drable ‘deixou’ o PSC de Witzel. Motivo do ‘deixou’ entre aspas: apesar do convite, ele nunca se filiou ao partido. Rodrigo, na verdade, como confessou ao aQui, está filiado ao DEM desde o mês de outubro de 2018. Ao sair do MDB por divergências com a legenda, o prefeito teve sua ficha de filiação ao DEM abonada pelo poderoso presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia.
Os dois Rodrigos, inclusive, se encontraram na terça, 10, em Brasília e ainda ontem, sexta, 13, em Barra Mansa, quando Maia esteve na cidade para o lançamento das obras de pavimentação da Avenida Presidente Kennedy, no Ano Bom, com recursos provenientes de verbas do parlamentar ao Orçamento da União. A união dos dois foi sacramentada e tornada pública aos acordes da Orquestra Sinfônica, que participou da cerimônia.
Indagado sobre os motivos de tanto segredo sobre sua filiação ao DEM, Rodrigo Drable desconversou e garantiu que não existe nenhum ruído na comunicação entre ele e o governador Wilson Witzel. Muito pelo contrário. Que estaria tudo bem entre eles, graças a uma pessoa, a um ex-prefeito de Volta Redonda. “O governador sabe de tudo (da sua filiação ao DEM) desde o início. Tudo foi bem construído. O Gotardo é o nosso padrinho. Aliás, o Gotardo é o grande líder da região”, pontuou Rodrigo, confirmando ainda que no acordo foi incluída a ida do deputado estadual Marcelo Cabeleireiro (DC) para o PSC de Witzel.
Rodrigo Drable, em nova entrevista exclusiva ao aQui, na manhã de quinta, 12, explicou o que aconteceu entre deixar o MDB, se filiar ao DEM e recusar o convite do PSC. “Eu já estava filiado ao DEM quando recebi o convite do governador (Witzel). Só que no momento que a gente vive, de dificuldades, ele enseja que nós tenhamos o maior leque de parcerias possíveis. No meu caso, para atender o município, tive que agir para garantir que Barra Mansa continue recebendo recursos tanto do governo Estadual quanto do Federal”, contou, indo além.
“Após a conversa com o governador e o convite que dele recebi, houve o início de uma composição entre o DEM e o PSC, entre o Rodrigo Maia e o governador. A partir desse momento, o Rodrigo (Maia) me sugeriu que eu continuasse no DEM, e que nós fizéssemos um esforço para compor outros quadros no PSC”, completou, referindo-se à ida de Marcelo Cabeleireiro, ente outros, para o partido de Witzel. “Quando eu fui convidado a participar da articulação, pensando e defendendo os interesses da cidade, eu concordei. Entrei nessa articulação, e decidi permanecer no DEM. A composição entre o DEM e o PSC será boa para o estado, mas prioritariamente, será boa para Barra Mansa”, detalhou.
Provocado, Rodrigo Drable voltou a explicar porque deixou o MDB, partido pelo qual se elegeu prefeito de Barra Mansa nas eleições de 2016. “A minha saída do MDB se deu pelo fato de eu não ser convidado para absolutamente nenhum tipo de discussão no partido. E também por discordar de um histórico de atitudes recentes de suas lideranças partidárias. A partir do momento em que eu fui alijado, inclusive, das convenções, não sendo convidado para nenhuma deles, ou seja, o partido não me via como um quadro, eu senti a necessidade de sair do partido. E saí”, dispara, feliz da vida.
“A legenda que eu vou disputar a eleição (de 2020) é a do DEM”, ressalta.
A respeito das promessas que teriam sido feitas pelo governador Wilson Witzel para se transferir para o PSC, o que não ocorreu, Rodrigo garante que nada mudou. Muito pelo contrário. “A composição continua. Nós temos hoje um grande líder regional que está aglutinando as forças políticas, harmonizando as suas políticas, que é o ex-prefeito Gotardo. O Gotardo é referência da região. Ele transita bem dentro do governo do Estado, tem proximidade e amizade com o governador e ainda tem facilidade de diálogo com todos os outros meios políticos. Eu vejo o Gotardo como uma liderança, e o Gotardo é quem faz essa articulação em nível regional, inclusive a de Barra Mansa”, justificou.
“Mas quais seriam as promessas feitas por Witzel?”, indagou a reportagem do aQui. Como bom político, Rodrigo Drable foge do assunto, procurando encher a bola de um aliado, de malas prontas para o ‘partido dos peixinhos’, como o PSC é conhecido politicamente. “Vamos ganhar uns 25 quilômetros de asfalto para pavimentar ruas de Barra Mansa e isso tudo graças ao deputado estadual Marcelo Cabeleireiro”, comentou, dando pistas de que o governo do Estado pode também autorizar a reabertura do Restaurante Popular e a criação de um Colégio Militar. “Entreviste o Marcelo Cabeleireiro a respeito”, sugeriu. “Pode ser até que ele fale da construção de Teatro Municipal”, finalizou.

Recursos
Com relação à situação financeira da prefeitura de Barra Mansa, Rodrigo Drable foi bem sincero. “Quando eu assumi, Barra Mansa devia a servidores, a fornecedores e tinha um conjunto de débitos monumentais. Hoje tudo mudou. Nós fomos os primeiros do Brasil a pagar o 13° desse ano. Todos os pagamentos estão integralmente em dia, todos os meus fornecedores estão em dia”, pontua, garantindo, entretanto, que algo lhe tira o sono.
“Apesar de tudo, eu tenho dificuldade de manter esse fluxo mensalmente porque a despesa era maior que a receita. Estamos fazendo um esforço para garantir que o fluxo estabelecido seja mantido. A previdência passou de R$ 65 milhões para R$ 120 milhões. Então esse crescimento vegetativo, que cresce sem que a gente faça nada pra ele crescer, acontece naturalmente, é muito grande. Então eu tenho dificuldade para manter o fluxo. Mas, com a benção de Deus, as coisas estão dando certo e eu tenho convicção que vamos fechar o ano dentro do planejado”, pontuou.
Rodrigo aproveita para lembrar que os recursos para as obras da Presidente Kennedy estão, até prova em contrário, garantidos. “É um projeto de recurso extra que o Rodrigo Maia conseguiu e eu estou me fiando na força política dele para garantir os pagamentos”, disse, para logo detalhar: “O governo Federal está fazendo muito contin-genciamento e muitos cortes, mas existe também uma regularidade de pagamento. Eu só espero que essa regularidade se mantenha. Todas as obras que nós podemos realizar estão condicionadas ao repasse federal. Se o governo Federal atrasar, as obras paralisam e não temos como fugir disso”, avaliou.
Antes de encerrar a entrevista, Rodrigo deu outra boa notícia para Barra Mansa. Que no dia seguinte (ontem, sexta, 13) seria publicado o edital das obras do Pátio de Manobras. “O edital será publicado amanhã. A ideia é entregar o Viaduto da Barbará no dia 15 de janeiro. Esse é o cronograma”, contou, lembrando que os recursos são provenientes de uma emenda da bancada fluminense, que ele mesmo buscou em Brasília. “O recurso é uma emenda de bancada que eu consegui para o Dnit”, disparou.
Ele detalha. “O recurso (para as obras) não veio para a prefeitura de Barra Mansa. Foi uma emenda de bancada de 2018 para 2019, ou seja, está no orçamento geral da União para 2019, e é no valor de R$ 19 milhões, dinheiro que já foi destinado ao Dnit. Todo o processo licitatório e a execução da obra são com o Dnit. O que tenho feito é harmonizar as condições necessárias para a obra acontecer. Ou seja, todos os impeditivos que existiam foram resolvidos com a nossa articulação e agora, amanhã, sai o edital depois de 7 anos”, comemora. “Se tudo der certo, no dia 15 de janeiro vamos inaugurar o Viaduto da Barbará”, finaliza.

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