Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 25 de Novembro de 2017
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Publicado em 30/10/17, às 08:55

Mudaram o projeto

23-10-17 - Reunião RD Com Denit - Chico de Assis (23)

O prefeito Rodrigo Drable, o procurador do MPF, Júlio José Araújo Júnior, e representantes do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), sob olhares atentos de alguns deputados federais, como Deley de Oliveira, se reuniram na noite de segunda, 23, no Parque da Saudade, com 22 famílias residentes nos bairros Roberto Silveira e Eduardo Junqueira, em Barra Mansa. Na pauta: a desapropriação das casas onde elas moram para a conclusão do famoso e polêmico Pátio de Manobras.

 

Para que as 22 famílias saiam do local onde moram, a alternativa apresentada não é nova. Foi apresentada em 2013 pelo arquiteto Ronaldo Alves, ex-secretário de Planejamento do governo Jonas Marins. Só que ela foi modificada. A ideia agora é transferir 18 das 22 famílias envolvidas para uma área vizinha, bem pertinho de onde moram. Para o campo de futebol do antigo Clube Ferroviário. Outras quatro (eram seis, grifo nosso) seriam levadas para uma área na Várzea do Quartel da Cidade, já mais longe do centro de Barra Mansa.

 

“Uauuuu…Felizmente meu primeiro projeto de reassentamento das famílias, elaborado em 2013, no Campo de Ferroviário foi aceito pelo Dnit. Aquela época diziam ser área operacional. Se tivessem aceitado minha sugestão, hoje o Pátio de Manobras já estaria concluído”, pontuou o arquiteto Ronaldo Alves ao saber da notícia. “Finalmente Barra Mansa voltará a sorrir”, alfinetou, sem saber que seus planos foram modificados. Para pior.

 

É que o projeto do Dnit prevê a construção de apenas 18 casas no campo de futebol do Ferroviário. E mais quatro, conforme release da prefeitura de Barra Mansa, na Várzea do Quartel, em área da União, cuja regularização vinha sendo buscada pelo município. O projeto original de Ronaldo Alves, entretanto, previa a construção de prédios e não casas. Poderia atender um número muito maior de famílias. “Se é apartamento ou casa não sei. No meu projeto eram 80 apartamentos para reassentar 80 famílias. Se eles desperdiçarem terreno fazendo casas será uma pena. Ficará difícil reur-banizar a área”, avalia o arquiteto.

 

Ronaldo revela, em entrevista exclusiva ao aQui, os motivos que levaram o Dnit a boicotar o seu projeto habitacional que iria atender a muito mais famílias barramansenses. “O Dnit não aceitou o meu primeiro projeto de reassentamento das famílias de toda a área ocupada até o Sesi por entender que prejudicaria a operação dos trens. Meu projeto beneficiaria mais ou menos 80 famílias, num projeto de cinco blocos de apartamentos, de 3 quartos com cerca de 90m² cada, perfazendo 16 apartamentos por bloco. Daria para atender 80 famílias no total”, pontua, indo além.  

 

“A área é do Dnit e o órgão finalmente concordou em cedê-la para o projeto de reassentamento, reconhecendo finalmente o que eu afirmava na época. Que ela não é mais operacional, pois a linha (férrea) de Angra dos Reis será extinta”, justifica, aproveitando para dar sua opinião a respeito. “Estou feliz com essa conclusão, mas lamento que o Dnit não tenha concordado, desde 2014, com minha proposta de usar o local do campo do Ferroviário. Se tivesse concordado, as obras do Pátio de Manobras já estariam sendo concluídas. Já são três anos de obras paradas para resolverem o reassentamento das famílias”, alfineta Ronaldo Alves.

Casas

 Embora a construção dos apartamentos fosse mais interessante do ponto de vista habitacional, o Dnit pretende mesmo construir as casas de 87 metros, com dois pavimentos cada – no campo do Ferroviário, que é de propriedade do órgão e será cedido à prefeitura de Barra Mansa, que ficará responsável pela regularização das escrituras dos imóveis aos seus futuros proprietários. Além do campo, o terreno do Ferroviário possui uma grande área livre situada entre dois feixos das linhas férreas que cortam Barra Mansa. Uma da MRS e outra da VLI, que ia para Angra dos Reis.

 

O prefeito Rodrigo Drable explicou que o importante é garantir a segurança aos moradores que estariam, diz ele, dispostos a saírem de suas casas. “Temos que garantir que essas pessoas não fiquem vulneráveis a outras decisões futuras. A solução encontrada foi a mais viável dentro de todos os fatores, para que ninguém corra riscos.

 

Todos terão suas casas com escritura definitiva, oferecida pelo município no ato da entrega. E só sairão de suas casas atuais depois das obras concluídas e com a escritura em mãos. Uma solução boa para os moradores e para o município”, avaliou, acrescentando que a área do Ferroviário ainda tem espaço suficiente para a construção de duas ruas de acesso, parquinho, área de lazer e outros espaços públicos que a prefeitura pode utilizar em benefício da comunidade.

 

Para o procurador do MPF, Julio José Araujo Júnior, tanto o órgão como os moradores aguardam o envio das especificações do projeto e do termo de referência para discutir os termos finais do acordo a ser selado. “Houve avanços, agora é necessário que os encaminhamentos da reunião sejam cumpridos”, pontuou. Já o deputado federal Deley de Oliveira entende que a solução será boa para os moradores e boa para a cidade. “Se não podemos fazer o ótimo, vamos fazer o bom e o que seja melhor para todos”, disparou.

Royal

A posição do supermercado Royal, até prova em contrário, não foi posta em discussão na reunião de segunda, 23. A empresa é dona de um terreno bem em frente ao campo do Ferroviário e diz que quer fazer um investimento na área. O terreno foi avaliado pelo Dnit em R$ 1,5 mil, metade do que os proprietários calculam e exigem receber se forem desapropriados. O Royal ameaçava – e ameaça – entrar na Justiça caso se sinta prejudicado.

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