Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2018
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Publicado em 26/12/17, às 09:54

Meu amigo é…

Por Vinícius de Oliveira e Gabriel Perete

Pode ser batida ou até clichê, mas a brincadeira do ‘amigo secreto’ virou tradição entre os brasileiros todo fim de ano. Dizem que o hábito surgiu há muito tempo, na Grécia antiga, quando os gregos presenteavam pessoas influentes escolhidas aleatoriamente em algumas datas festivas. Outros dizem que a tradição surgiu por volta do século XVIII, pelos povos nórdicos, que trocavam presentes para celebrar o pacto com deuses. Existe até uma versão mais recente. De que a brincadeira teria surgido nos Estados Unidos por operários para presentear os amigos na confraternização de fim de ano, mas nem todos eram tão amigos assim. Foi então que instituíram a dinâmica do sorteio de forma que os presenteados eram escolhidos aleatoriamente, evitando as preferências.

Desde então diversas variações foram criadas. Uma delas é a do ‘inimigo oculto’, onde os participantes aproveitam a ocasião para ‘zoar’ seus desafetos. Sem perder a classe, é claro! Em outras palavras, o que vale é a brincadeira e a diversão. Justamente pensando nos momentos de descontra-ção que o aQui resolveu propor a políticos e pessoas influentes em Volta Redonda e Barra Mansa para que homenageassem seus amigos e também os ‘inimigos’, aproveitando para dar aquela ‘cutucada de leve’.

Diversos nomes conhecidos aceitaram participar da brincadeira. O ex-prefeito Neto, a ex-vereadora – ícone sindicalista da cidade do aço – Maria das Dores Mota e Ricardo Maciel, um dos nomes mais importantes na política de Barra Mansa estão entre os que aceitaram brincar neste Natal. Políticos novatos também não se furtaram a participar do amigo e inimigo oculto do aQui, como os vereadores Carlinhos Santana, Fábio Buchecha e Laydson. Até o vereador Neném, velho de guerra, mas sempre dinâmico e extrovertido, entrou na brincadeira.

Os barramansenses Daniel Maciel, Marcel de Castro e Wellington Oliveira, bem como o presidente da Câmara, Marcelo Cabeleireiro, fizeram questão de indicar seus amigos e inimigos e ainda sinalizaram qual presente dariam para cada um. Contudo, como em qualquer brincadeira, tem sempre aquele que prefere ficar de fora, espiando de longe o desenrolar dos fatos, caso dos prefeitos Samuca Silva e Rodrigo Drable, de Volta Redonda e Barra Mansa, respectivamente. Talvez não acreditem em Papai Noel…

A brincadeira
A proposta do aQui foi feita da seguinte forma: cada participante deveria indicar um amigo a quem gostaria de homenagear com um presente. Em seguida, deveria apontar um desafeto, justificando sua crítica. Confira a seguir o que cada um dos ouvidos pela equipe de reportagem disse:

Ex-políticos:

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Antônio Francisco Neto
Raposa velha na política, não é à toa que o ex-prefeito Neto é um dos nomes mais respeitados no estado do Rio. O político, que recentemente soltou a bomba de que pretende retornar ao Palácio 17 de Julho, fez questão de brincar, mas deu respostas genéricas para não causar mal-estar.  
Amigo: Neto disse que seu maior prazer seria tirar, em um sorteio de amigo oculto, a população de Volta Redonda. “O meu amigo oculto, sem dúvida, seria a população de Volta Redonda. O que eu daria a ela seria toda a minha gratidão pelo carinho que sempre teve comigo”, disparou.   
Inimigo: O inimigo oculto do ex-prefeito incomoda não só a ele, mas a todo brasileiro. “O meu inimigo oculto seria a burocracia desse País, que atrasa obras como a Rodovia do Contorno, e ações como a entrada em funcionamento da Clínica de Hemodiálise de Volta Redonda. É uma covardia o que eles fazem. O que eu daria para eles é que eles reconhecessem o quanto mal eles fazem para a população do Brasil”, criticou.

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Ricardo Maciel
Um dos fundadores do PMDB de Barra Mansa, Ricardo Volpe Maciel foi vereador e presidiu a Câmara local entre 1994 e 1995. Braço direito do ex-prefeito Luiz Amaral, Ricardo é ainda hoje um ícone na política barramansense. Mesmo morando em São Paulo onde faz parte de uma equipe do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato a presidente da República, o político, pai do vereador Daniel Maciel (que também participou da brincadeira) ainda é respeitado na cidade.
Amigo: Como todo pai coruja, Ricardo Maciel declarou, sem titubear, que seu amigo oculto é o próprio filho, o vereador Daniel Maciel. “Gostaria de dar para ele de presente mais emendas parlamentares para melhorar a cidade”, declarou Ricardo.
Inimigo: Também sem fazer rodeios, Ricardo disse que seu inimigo oculto é o ex-prefeito de Barra Mansa, Jonas Marins. A quem ele não poupou nem na hora de sugerir um presente. “Meu inimigo é o Jonas Marins. Daria para ele um apartamento em Bangu 8”, ironizou.

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Maria das Dores Mota
Maria das Dores, a Dodora, anda afastada dos holofotes, mas nunca da militância. Ícone dos movimentos sindicais, a ex-vereadora do PT (hoje filiada ao Psol) continua influenciando movimentos sociais que são, muitas vezes, pedras no sapato dos atuais políticos. Dodora é famosa por protagonizar manifestações importantes em Volta Redonda. Em uma delas, deu um cacho de bananas para o prefeito Neto; em outra ajudou na ocupação da Câmara, em 2013, deixando a ex-vereadora América Tereza, então presidente da Casa, enlouquecida.  
Amigo: Como não poderia deixar de ser, Dodora escolheu como amigo para homenagear uma pessoa envolvida com os movimentos sociais. “Meu amigo oculto é a Nazaré, da Cooperativa de Catadores de Resíduos Sólidos da cidade do aço porque ela sabe bem qual é a tarefa de uma cooperativa e tem compromisso com a defesa do meio ambiente”, disse, afirmando que daria para Nazaré todo o maquinário que ela precisa para fazer a cooperativa crescer.
Inimigo: Ao ser indagada sobre um desafeto, Dodora foi taxativa: “Paulo Conrado. Ele tem prestado um desserviço a Volta Redonda graças à sua política de ideologia de gênero. Com pouca informação sobre o assunto, causa mais confusão que contribuição. Como presente, ele merece um processo de ética”, ironizou.

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Neném
Nilton Alves de Faria, conhecido como Neném, tem 51 anos e, atualmente, exerce o seu quarto mandato consecutivo como vereador da cidade do aço. Ele é autor de diversas leis importantes,  como a que determina a construção de acessos apropriados nas vagas de estacionamento destinadas aos portadores de necessidades especiais ou a que institui o Cartão Municipal do Idoso, entre outras.
Amigo: Sempre ligado ao ex-prefeito Neto, Neném surpreendeu ao indicar seu amigo oculto. Esperto, o vereador quis homenagear o elo de ligação entre a Câmara e o prefeito Samuca Silva. “Gostaria muito de homenagear Maurício Batista. Quando fomos vereadores juntos, uma amizade forte cresceu entre nós. Ele é muito correto e sabe o que faz”, comentou.
Inimigo: “Já como inimigo quero indicar o vice-prefeito Maycon Abrantes. Ele pensa que está acima de tudo e eu não gosto dessas coisas”, disse, cheio de audácia.

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Novaes
 O vereador Novaes é como os mineiros chamam de “come quieto”. Fala apenas o essencial, mas é um dos poucos vereadores que se mantém no cargo ao longo do tempo.
Amigo: Novaes quis homenagear o chefe do executivo. “Meu amigo oculto é o prefeito Samuca. Ele tem se esforçado ao máximo para administrar a cidade. Daria para ele mais um mandato”, elogiou.
Inimigo: Novaes resolveu apontar sua crítica para uma parcela específica da população: “Como inimigo oculto indico as pessoas que não sabem esperar as coisas que os políticos bons têm a oferecer”, afirmou.

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Fábio Buchecha
Não é a primeira vez que o vereador Buchecha tem assento na Câmara de Volta Redonda. Na última legislatura, ele foi suplente do vereador Granato, que pediu licença para assumir a secretaria de Obras no final do governo Neto. Mas desta vez Buchecha é dono do próprio mandato e pretende não brincar em serviço, nem que para isso tenha que entrar em polêmica. Prova disso foi a lei de sua autoria em parceria com o vereador Paulo Conrado que institui no município o programa Escola Sem Partido.
Amigo: Buchecha foi o único a indicar uma professora como amigo oculto. “Eu queria tirar no amigo oculto a dona Terezinha, pelo bom trabalho que faz à frente da creche Recanto das Crianças, no Vila Rica de Três Poços. Ela atende mais de 200 crianças e adolescentes. Se pudesse, daria a ela mais verbas para ampliar esse projeto de grande alcance social”, contou.
Inimigo: Como inimigo, Buchecha foi alto, chegou ao Palácio Guanabara. “O inimigo vai para o Pezão pelo péssimo desempenho no comando do Estado, principalmente com relação aos pagamentos dos funcionários e por sua inércia”, justificou.
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Laydson
O vereador Laydson, novato na Câmara, mas muito conhecido no meio evangélico, principalmente na Igreja Projeto Vida, resolveu tomar um caminho mais filosófico na hora de participar da brincadeira.
Amigo: “O meu amigo oculto vai para o projeto ‘Eu Pratico Esperança’. Ele atende crianças, mulheres grávidas, homens em dependência química. Também atende famílias com alimentos, assistência dentária. E oferece aulas de dança e de teatro. Quero dar os parabéns aos coordenadores e colaboradores e aos agentes de esperança que melhoram a vida de tantas pessoas”, contou.
Inimigo: “Meu inimigo oculto é todo tipo de preconceito. Que em 2018 todo preconceituoso entenda que não podemos falar de respeito ou amor sem respeitar e amar o nosso próximo”, filosofou.
Carlinhos Santana
O vereador Carlinhos Santana é conhecido no meio sindical. Já foi integrante do Sindicato dos Metalúrgicos e entrou na Câmara prometendo oposição a Samuca. Foi parar, inclusive, na delegacia, para denunciar o prefeito que, segundo ele, o estaria  difamando ao dizer que ele não é amigo da cidade.
Amigo: Como amigo, Carlinhos indicou Fernando Martins, seu companheiro – único – de oposição a Samuca. “Gostaria de homenageá-lo por ser um amigo incondicional. Espero, como presente, que a festa de 75 anos da Assembleia de Deus seja muito abençoada”, desejou.
Inimigo: Ao contrário do que muitos possam imaginar, Carlinhos não indicou Samuca como inimigo, mas, sim, um dos empresários mais influentes do município. “É o Maurinho Campos. Porque no início do meu mandato ele tentou insinuar nas redes sociais que eu era contra os empresários. Como presente, lhe daria um pote de humildade”, ironizou.

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Marcelo Cabeleireiro
O vereador Marcelo Cabeleireiro é um daqueles sem papas na língua. Ocupa pela terceira vez o cargo de presidente da Câmara de Barra Mansa. Petista de corpo e alma, Marcelo rachou o PT e ajudou Rodrigo Drable a se eleger fazendo oposição à família Marins.
Amigo: “Meu amigo, é o prefeito Rodrigo Drable. Uma pessoa inteligente que tem feito um bom trabalho”, disse, direto.
Inimigo: “Minha inimiga é a Inês Pandeló. Tomara que ela vá para bem longe”, resumiu entre risos, apenas pelo prazer da brincadeira.

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Daniel Maciel
Um dos caçulas na Câmara de Barra Mansa, Daniel tem no sangue o dom da política. Herdou do pai, Ricardo Maciel, o carisma e a força de vontade. Em seu primeiro mandato já demonstrou, ao participar da brincadeira do aQui, ser uma pessoa de opinião forte.
Amigo: “Quero indicar como amigo oculto o vereador Marcelo Cabeleireiro. É um grande amigo e homem forte”, elogiou.
Inimigo: “Para inimigo indico o (ex-presidente) Lula. De presente lhe daria um livro para ler”, disparou sem dó.

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Wellington Pires
Wellington é outro jovem vereador  barramansense. O rapaz, que antes fazia sucesso entre as meninas nas redes sociais, hoje se destaca na Câmara ao se envolver em projetos de apelo social.
Amigo: Assim como seu colega Daniel, Wellington resolveu homenagear o presidente da Câmara. “Meu amigo é o Marcelo Cabeleireiro. Ele me surpreendeu. Para mim, ele merece como presente um mandato de deputado”, comentou, falando sério.
Inimigo: Como inimigo, o rapaz lembrou de Jonas Marins. “Eu daria de presente para o ex-prefeito um par de algemas e uma fatura de R$ 267 milhões para ele pagar”, disse, referindo-se à dívida deixada por Jonas Marins que culminou com o bloqueio de R$ 12,9 milhões de precatórios que a prefeitura tem que pagar desde o seu governo.
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Marcell de Castro
O jovem Marcell conseguiu realizar o sonho de ser vereador. Famoso pelas ideias discrepantes como a reanexação de Volta Redonda a Barra Mansa, o parlamentar anda mais calado, mas sem abandonar as redes sociais.
Amigo: “Meu amigo oculto é o vereador Zé Abel. É uma pessoa humilde, faz muito pela Região Leste e por Barra Mansa e é o único da sua geração que permanece na Câmara”, parabenizou.
Inimigo: “Meus inimigos ocultos são os haters, que adoram me criticar nas redes sociais”, resumiu.

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