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Sábado, 25 de Novembro de 2017
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Publicado em 30/10/17, às 08:50

Mentira virtual

Rafael

Na década de 40, bem antes do advento das ‘redes sociais’, o alemão Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Hitler, já dizia que “uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. Sábias palavras, que passamos a conviver via Facebook, Twitter etc. Que o diga o metalúrgico Rafael de Oliveira Silva, 38 (foto). Desempregado, ele foi envolvido em um golpe de oportunidade de emprego, que era falsa, oferecida em uma rede social. Não caiu na estória, mas foi difamado na internet como se fosse um estuprador de crianças. O que aconteceu, a maioria já sabe. O inédito é que a história acabou lhe sendo favorável.

 

Diante do medo da repercussão da ‘mentira virtual’, Rafael procurou a imprensa para botar a boca no trombone. O ocorrido chamou tanto a atenção que o número de compartilhamentos do esclarecimento que prestava nos meios de comunicação foi muito maior do que o alcance da falsa acusação.  “Depois que fiz a divulgação pela imprensa, vi o pessoal me apoiando. Em dois dias, já tinha seis mil compartilhamentos. Por isso, agora estou mais tranquilo e minha esposa também. Chegamos a ficar sem dormir direito”, desabafou Rafael em entrevista exclusiva ao aQui, onde confessou ter evitado sair de casa, após ter sido ameaçado por internautas que caíram na falsa estória.

 

Por sorte, Rafael acabou sendo procurado por uma empresa de grande porte interessada em contratá-lo. Melhor. Era verdade. “(A falsa acusação) acabou me ajudando, pois o pessoal se sensibilizou”, disse, anunciando que a partir desta oportunidade,vai mudar seu modo de agir. “Quando for contratado, não usarei mais WhatsApp, Facebook ou qualquer outra rede social. Vou desativar meu perfil em ambos, pois percebi o quanto isso é perigoso. Não me sinto mais seguro em usar as redes”, declarou, acrescentando que sua companheira, Elen Cristina, 33, vai seguir o mesmo caminho: “Minha esposa vai manter o WhatsApp, mas vai encerrar o Facebook por medo”, alertou. 

 

O metalúrgico aproveitou para criticar a lentidão do sistema Judicial, pelo menos neste tipo de situação. “No momento em que denunciei meu caso, se a foto pudesse ser excluída (das redes sociais) de forma imediata, talvez a repercussão não fosse tão grande. Só que tudo é bem demorado”, afirmou, completando que a polícia está investigando o caso para tentar encontrar o responsável pelo crime virtual.

 

Rafael foi só mais uma entre as muitas vítimas das armadilhas na internet, principalmente nas redes sociais. Outro caso envolvendo a divulgação de fotos pelo Facebook  aconteceu em abril, quando um casal foi espancado em Araruama, na Região dos Lagos, vítima de um boato de que estariam sequestrando crianças. As fotos de ambos e a imagem da placa do carro onde estavam circularam com a informação falsa pelos grupos de WhatsApp. Até um áudio acusando os dois também surgiu do nada. Certo dia, moradores da cidade avistaram o carro em frente a um supermercado e iniciaram o ataque ao casal. O veículo foi totalmente destruído.

 

É por essas e outras que é importante estar atento às armadilhas da internet. Especialista em redes sociais e computação, Alex Gomes dá algumas dicas. “No caso de postagens no Facebook, é preciso analisar o perfil de quem publicou e o conteúdo, pois pode ser um fake – que geralmente tem poucos amigos e postagens, nome muito genérico, etc. Já quanto ao e-mail, deve-se prestar atenção na sua estrutura, que geralmente apresenta imagens com qualidade ruim e textos mal escritos quando são falsos, além de links de dire-cionamento, que podem levar a sites falsos ou arquivos maliciosos”, explicou.

 

Alex também alertou para o cuidado que se deve tomar com sites. “Alguns sites, por exemplo, possuem certificado de segurança, mas é necessário ficar atento ao endereço, que pode ser sutilmente modificado. São pequenos detalhes que passam despercebidos muitas vezes. Agora, no final do ano, as investidas de golpistas serão ainda mais frequentes”, alertou.

Como denunciar?

A primeira providência de quem se sente vítima de postagens falsa é registrar um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia. Essa medida é importante porque o registro pode servir até como documento em um possível processo judicial. Existem também outras alternativas para denunciar crimes cometidos na internet. Desde reclamações online em plataformas, ONGs e sites específicos até delegacias especializadas neste tipo de situação. No Rio, por exemplo, há a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, que faz parte do programa “Delegacia Legal”, do governo Federal.    

Outra opção é o serviço oferecido pela ONG Safernet Brasil. A entidade possui um site que apresenta um levantamento sobre denúncias de crimes na internet feitas no Brasil. A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos é a única na América Latina e traz dados detalhados sobre a quantidade de denúncias recebidas, o conteúdo das reclamações, os países onde se originaram e outras informações. Os internautas podem acompanhar em tempo real o andamento da denúncia.

 

Em 2016, a Central recebeu 115.645 denúncias de diferentes países. As violações mais recorrentes para as quais os internautas brasileiros pedem ajuda são intimidação, discriminação e ofensa; exposição íntima e problemas com dados pessoais. O Facebook – que atingiu dois bilhões de usuários em junho deste ano – está entre as redes com maior número de ocorrências, chegando a 13.664 em 2016. Os dados referentes a 2017 ainda não foram disponibilizados no site.

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