Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 26 de Março de 2019
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Publicado em 01/03/19, às 18:25

‘Meia boca’

Conforme prometido, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos, começou a semana protestando na porta da ArcelorMittal (antiga SBM), em Barra Mansa. A manifestação foi contra as demissões ocorridas na empresa, desde o anúncio de que a aciaria da unidade seria fechada. Como as dispensas ainda não foram (todas) homologadas, Silvio não sabe dizer oficialmente o número de demitidos, mas estima-se que já tenha chegado a 540. “Vai passar de 600”, diz uma fonte do meio.

 

O protesto dos sindicalistas foi pacífico e durou o tempo de entrada do primeiro turno da unidade. “Nós denunciamos a situação de vulnerabilidade que estão passando as famílias de Barra Mansa com as medidas de modernização da empresa, que estão colocando em risco os empregos e a qualidade de vida da população”, justificou Silvio Campos.

 

A mobilização do Sindicato na entrada da Arcelor, na manhã de segunda, 25, contou com o apoio da Associação de Moradores dos bairros Saudade e Vila Nova – onde a fábrica está instalada. Durante o ato, Silvio destacou o papel social que a Arcelor deveria ter na cidade e disse que, embora os representantes da empresa neguem que a unidade de Barra Mansa será fechada, eles também se recusam a garantir que a siderúrgica continuará em funcionamento. “Não adianta mantê-la operando com meia dúzia de trabalhadores”, comentou Silvio, que estuda incluir na pauta do acordo coletivo 2019/2020 da Arcelor uma cláusula que garanta a empregabilidade nas unidades de Resende e Barra Mansa.

 

Na noite de segunda, 25, a Câmara de Barra Mansa promoveu uma audiência pública para discutir a questão das demissões na Arcelor e o fechamento da Aciaria. Silvio e outros representantes do Sindicato estiveram presentes, e os moradores e familiares de funcionários e ex-funcionários puderam ouvir a versão da empresa. Além disto, foi criada uma comissão técnica com representantes da OAB-BM e Resende, Rotary BM/Alvorada, Sindicato dos Metalúrgicos, Associação de Moradores de bairros, CDL-BM e Aciap-BM para discutir o congelamento das demissões na Arcelor, com garantia da permanência das atividades da empresa.

 

A comissão vai enviar representantes para uma reunião que acontecerá em março com o Conselho Administrativo de Defesa do Consumidor (Cade), em Brasília, afinal, foi o órgão que autorizou, em 2018, a compra da Votorantim pela Arcelor e seria responsável, subjetivamente, pelas ações resultantes desta negociação. Silvio acredita que as demissões e a decisão de fechar a aciaria da unidade da antiga Votorantim de Barra Mansa (SBM) são passíveis de serem denunciadas ao Cade. Neste encontro, o prefeito Rodrigo Drable e o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, estarão presentes.

 

Versão da empresa

Em carta pública, lida durante a audiência pública, a Arcelor-Mittal negou, mais uma vez, que tenha intenção de fechar a fábrica de Barra Mansa e garantiu que as demissões serão cessadas.

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