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Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
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Publicado em 24/09/18, às 10:37

Martelo batido

O dia 27 de setembro de 2018 vai entrar para a história de Volta Redonda. Nesse dia o prefeito Samuca Silva vai receber oficialmente a visita de duas ilustres figuras: o governador Luiz Fernando Pezão e o empresário Benjamin Steinbruch, presidente da CSN. Os três, em dois compromissos distintos e oficiais, vão assinar dois acordos que vão mexer com a vida da cidade. Para o bem, é claro. O primeiro envolve a área ambiental da Usina Presidente Vargas em um investimento da ordem de R$ 300 milhões para pôr fim – ou pelo menos tentar – aos problemas do famigerado pó preto e ainda o da escória que é depositada no bairro Brasilândia.

 

O segundo, tão importante quanto, diz respeito ao Escritório Central. O prédio, conforme o aQui divulgou com exclusividade, será usado de forma compartilhada pelo governo Samuca e pela CSN. A prefeitura terá sete dos 16 andares à sua disposição. A ideia é levar para eles a parte administrativa do Palácio 17 de Julho e de todas as secretarias e autarquias. Isso já a partir de dezembro. Com a mudança, a sede da prefeitura será transformada em um Centro Cultural. O gabinete do prefeito, entretanto, será mantido para que Samuca promova eventos oficiais e receba ilustres visitantes.

 

A CSN, por sua vez, ficará com três andares para uso próprio. E outros seis serão alugados por ela às empresas que a prefeitura de Volta Redonda indicar. “A prefeitura será o agenciador”, dispara uma fonte com trânsito na siderúrgica. Ela vai além. Diz que três andares já estão praticamente negociados. “Um será alugado por um restaurante; outro, por uma empresa de call center (a de Piraí, grifo nosso); e mais um para um banco, sendo que duas instituições bancárias estão no páreo”, afirma.  

 

O acordo entre Samuca e Steinbruch, que o aQui divulgou com  exclusividade, passa por uma decisão que vai desagradar os opositores do governo. É que, segundo a fonte, a prefeitura de Volta Redonda não vai pagar aluguel pelos sete andares que vai utilizar. Nem vai gastar um tostão com a reforma do Escritório Central. “Pelo acordo do Samuca com o Benjamin, a CSN vai ficar isenta do pagamento do IPTU do Escritório Central por quatro anos. E a reforma do prédio, orçada em R$ 15 milhões, será feita pela empresa”, disse, lembrando que o prefeito terá que enviar uma mensagem à Câmara para firmar o acordo com a CSN na questão do IPTU do prédio. “Os vereadores certamente vão aprovar, pois é para o bem de Volta Redonda”, disparou.

 

A fonte lembra ainda que, em termos de IPTU, a CSN paga R$ 250 mil por ano do imposto referente ao Escritório Central. “Dá pouco mais de R$ 20 mil por mês”, frisa. “A prefeitura poderá reduzir o pagamento de R$ 270 mil de aluguéis mensais, levando várias secretarias para o prédio da CSN”, compara. Ela tem razão. É que em recentes entrevistas, Samuca tem deixado claro que a prefeitura paga cerca de R$ 270 mil de aluguel e sua expectativa é, ocupando o Escritório Central, deixar de pagar mais de R$ 120 mil mensais

 

A fonte vai além. “A prefeitura vai poder usar dois andares (4º e 5º) de forma imediata, pois eles estão prontos para uso. Isso deverá ocorrer até dezembro, e até lá a CSN vai iniciar a reforma dos demais andares, um de cada vez. Ficando pronto, o andar reformado poderá ser ocupado pela prefeitura, e mais economia com aluguel será feita”, detalhou, garantindo que ouviu que a prefeitura pretende transferir todo o setor administrativo do Palácio 17 de Julho, EPD, Cohab e até da Fundação Beatriz Gama. “Só do Saae-VR é que não”, confidenciou. 

 

Pelo que o aQui apurou, dos seis andares que serão alugados – e que serão negociados pela prefeitura a favor da CSN –, um será usado para a instalação de um restaurante. “Existem dois interessados”, dispara a fonte. “Os andares serão alugados como um todo. Andar por andar. Um será entregue àquela empresa de call center que a prefeitura está trazendo de Piraí; outro andar será ocupado por uma empresa de startups e tecnologia”, acrescentou. “É possível que o Detran também alugue um andar”, completou, adiantando que o térreo do Escritório Central vai ficar aos cuidados da prefeitura de Volta Redonda. Vale lembrar que, conforme o aQui já mostrou, com exclusividade, a ideia de Samuca para vencer os problemas que surgirão com a nova ocupação do prédio da CSN é criar uma garagem subterrânea na Vila para atender quem for trabalhar ou quem tiver que ir ao Escritório Central. Ou a construção de um estacionamento vertical, também em parceria com algum grupo, na parte de trás do Escritório Central, saindo da Vila em direção ao Conforto. “O prefeito anunciou que vai fazer um chamamento público para atrair empresas interessadas em apresentar projetos de um estacionamento ao lado do escritório central ou embaixo da Rua 14, do McDonald’s à Praça Brasil”, contou.

 

Geração de empregos

Ontem, sexta, 21, Samuca foi procurado para falar dos acordos que vai firmar envolvendo o Meio Ambiente e o Escritório Central. Confirmou que deve se reunir com Benjamin Steinbruch e Pezão. “Teremos um encontro na quinta (27) para assinarmos o TAC do Meio Ambiente. Graças a ele vamos receber seis novas empresas, todas ligadas à CSN”, disse. “A CSN fechou com o Inea um acordo de R$ 300 milhões e terá sua licença de operação renovada com o compromisso de investir aqui na planta de Volta Redonda”, acrescentou.

 

“O Benjamin (Steinbruch) vai estar presente. Ele e  os representantes das seis empresas que virão a Volta Redonda para assinar o compromisso de que vão se transferir para a cidade do aço. Todas são empresas ligadas ao setor de beneficiamento de aço, à CSN. Só uma delas vai gerar 750 empregos”, anunciou. “O mérito todo é do Pezão”, disparou.    

 

Indagado se as empresas vão mesmo se instalar em Volta Redonda ou se iriam apenas criar uma filial, Samuca não deixou por menos. “Umas estão transferindo a sede da empresa pra cá; outras vão abrir uma filial para ficarem próximas à CSN, graças à política de incentivo fiscal que Volta Redonda poderá participar”, disse, explicando que o estado do Rio já pode incluir o município entre os que podem oferecer incentivos fiscais iguais ao que o estado de Minas Gerais oferece para atrair indústrias para o seu território. “O estado do Rio foi autorizado a fazer a convalidação dos incentivos fiscais com base nos incentivos fiscais oferecidos por Minas Gerais. Vamos usar o modelo de Minas e aplicar aqui no estado do Rio. O mesmo benefício que eles oferecem lá, o estado do Rio também vai passar a oferecer. Vai acabar com a guerra fiscal”, pondera.

 

“Foi uma grande vitória. Volta Redonda era prejudicada por não poder oferecer benefícios fiscais, como Resende, Piraí, Pinheiral. Com a mudança, todas as cidades poderão adotar essa política de benefícios”, pontuou, explicando que as empresas vão se instalar ao longo da Rodovia do Contorno, em áreas da CSN. “Só uma deverá ir para uma área ali na Ponte Alta”, disse. “Ela comprou um galpão que existe ali”, acrescentou, referindo-se às antigas instalações da Tubonal, ex-fabricante de tubo de aço.    

Escória: solução inteligente

A novidade anunciada por Samuca – do acordo da CSN com o Inea – pode solucionar de vez o problema da escória da UPV na Brasilândia. Trata da inclusão de um item no Termo de Ajustamento de Condutas (TAC) elaborado pelo Inea e aprovado pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), que contempla todas as desconformidades ambientais da CSN, com ações específicas para corrigir cada uma delas, incluindo o pó preto, a poluição ao Rio Paraíba, a fumaça amarela e, claro, as montanhas de escórias.

 

 O novo TAC possui um conjunto de 35 ações, elaboradas por uma equipe multidisciplinar do Estado, incluindo vistorias, estudos técnicos e diversas análises de documentos, laudos e relatórios. Das 35, duas preveem a instalação de equipamentos modernos de controle de emissão nas sinterizações (precipitadores eletroestáticos) – conforme o aQui já noticiou – e o enclausuramento das correias que transportam materiais particulados no interior da UPV. Estas duas soluções devem pôr fim ao problema do pó preto.

 

Quanto à escória, nem o Inea, muito menos a CSN, divulgaram quais ações estão previstas. O Inea diz apenas que o novo TAC abrangerá medidas dentro e fora da UPV. O Plano de Ação envolve investimentos da ordem de R$ 303 milhões em adequações que vão melhorar e recuperar a qualidade do ar e do meio ambiente tanto em Volta Redonda quanto nas redondezas. O prazo para execução das ações, por parte da CSN, é de seis anos.

 

Em nota, a CSN anunciou que a assinatura do novo documento garante a continuidade da plena operação da UPV.

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