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Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Publicado em 03/12/18, às 08:35

Mão inglesa

O secretário de Transporte e Mobilidade Urbana de Volta Redonda, o ex-vereador Maurício Batista, nunca vai reconhecer, mas a verdade é que ele está sendo boicotado nos corredores do Palácio 17 de Julho. No quartel da Guarda Municipal também. Prova é que no sábado, 24, primeiro dia da mudança no trânsito do Jardim Amália, a GM só chegou para trabalhar por volta das 8h30min, quando o caos já tinha tomado conta do quarteirão.

 

Com a ausência dos GMs, muito motorista ignorava as modificações, especialmente a criação da terceira ‘mão inglesa’ da cidade do aço, na Rua Coronel Camilo de Assis Pereira a rua da antiga boate Porão, do Casarão. O motorista de uma Van Escolar, saindo da Rua Noel Rosa, onde mora o ex-prefeito Neto, quis passar direto, como sempre fez, em direção à Rua Camilo Assis Pereira, e chegou ao absurdo de parar em frente (agora na contramão) a um ônibus, fazendo cara de poucos amigos, exigindo que o motorista do veículo de transporte de passageiros desse ré e saísse da sua frente.

 

Foi o bastante para que um terceiro motorista, passando pelo local, fizesse o seguinte comentário: “Obra desse prefeito que vocês queriam”, berrou, mostrando fazer parte dos que não votaram em Samuca Silva.  

 

Ainda sem a presença de qualquer GM, outros motoristas que desciam pela Rua Noel Rosa nem desconfiavam que teriam que contornar a pracinha do Mollica para pegar a mão inglesa em direção ao Centro. E os que vinham do Centro não sabiam que teriam que ir pela contramão (mão inglesa) na Camilo Assis Pereira para chegar ao Jardim Amália. Sorte de todos é que Maurício Batista, alertado, foi para o local, antes das 8 horas, e passou a ‘comandar’ as ações. Chegou com uma tropa, carros, cones etc. Já devidamente sinalizada e com a presença diária de viaturas da GM (a da foto estava em serviço já a partir das 6 horas de terça, 27), as mudanças no trânsito do Jardim Amália passaram a fluir normalmente. Ainda bem.

Mão inglesa

Para quem não dirige e não conhece, o trânsito de Volta Redonda conta com duas ‘mãos inglesas’. Uma fica na Rua 41, na Vila, onde o motorista pode virar à esquerda indo para o Centro Médico do Hospital das Clínicas ou em frente, para uma loja da rede Floresta. A segunda fica na Rua Desembargador Ellis Hermydio Figueira (Beira Rio), curiosamente também ao lado de uma loja do Floresta, localizado na Avenida Paulo de Frontin.

Ponto

Um internauta, daqueles que devem adorar bater no governo Samuca, usou as redes sociais para criticar o que ele considerou um ‘risco de morte’ – o fato da prefeitura de Volta Redonda ter criado a mão inglesa, obrigando os ônibus a utilizar a ‘contramão no trecho da Rua Camilo Assis Pereira, onde está localizado o Supermercado Royale. Para ele, os passageiros teriam que deixar o ônibus pelo lado errado, ‘descendo no leito da rua’, podendo ser atropelados por outro veículo em sentido contrário.

O internauta só esqueceu que não existe nenhum ponto de ônibus na Rua Camilo Assis Pereira. Ou seja, ninguém vai correr o risco de ser atropelado ou morrer se descer do ônibus, por exemplo, em frente ao Royale. A não ser que pule do veículo, né?

BR

Teve quem também soltou cobras contra Maurício Batista e Samuca – no sábado, 24 –, quando não conseguiu – saindo do Jardim Amália – ir para a BR-393, cujo acesso foi bloqueado quando a GM chegou para trabalhar. No dia, para pegar a rodovia a única solução era dirigir pela Avenida Amaral Peixoto até atingir a Rua Piauí, virando à direita para retornar já pela BR no sentido Barra do Piraí. O problema foi resolvido facilmente quando as modificações ficaram mais claras, com pintura adequada e policiamento reforçado. Agora, quem sai do Jardim Amália só tem que contornar a pracinha do Mollica para pegar a BR (como mostra a foto).

 

Mas, como em Volta Redonda a ‘Lei de Gerson’ é superior às leis de trânsito, os próprios motoristas são os primeiros a usar o jeitinho brasileiro para o que for preciso. É o caso dos clientes do Royale, que chegam a passar por cima dos cones colocados no meio da Rua Camilo Assis Pereira para entrar no estacionamento do supermercado. Fazem o mesmo que os motoristas que saem do Hospital São João Batista e viram, à esquerda (o que é proibido) na Rodovia dos Metalúrgicos, sentido Shopping Park Sul e Via Dutra, entre outros. Fazem a barbeiragem mesmo sabendo que podem retornar, já como pacientes, da unidade hospitalar.

 

Mais vagas na Rua 33

Seja lá onde estiver, Marco Antônio dos Reis, o popular Tinhorão, ex-secretário de Transportes e ex-presidente da Suser nos governos Neto e Gotardo e que faleceu em 2011, deve estar comemorando. É que parte da sua ideia de mudar o estacionamento na Rua 33, na Vila, boicotada por Paulo Barenco (homem forte dos governos anteriores), foi adotada por Maurício Batista, atual secretário de Transportes e Mobilidade Urbana de Volta Redonda. Por ele, as vagas seriam em ângulo de 45 graus ou ao lado dos canteiros ao longo da via.

 

Das duas ideias, Maurício optou por passar o estacionamento, a partir deste sábado, 1º, para o lado dos canteiros centrais da Rua 33, que é a mais importante e que tem o m2 mais caro da cidade do aço. “Se fosse em 45 graus, iria atrapalhar o trânsito dos ônibus”, justificou o secretário, garantindo que, mesmo assim, a medida vai dobrar o número de vagas – de 90 para 170.  “Teremos vagas em locais onde não existiam, como em frente a garagens”, detalhou, frisando que a medida vai agradar, assim como aconteceu com a implantação da mão inglesa no Jardim Amália.

 

De acordo com Maurício Batista, as modificações foram definidas após estudo do tráfego no local com base em estatísticas da Guarda Municipal. “Toda mudança requer um período de adaptação e a STMU, juntamente com agentes da Guarda Municipal, estará trabalhando no local para orientar os motoristas”, explicou Maurício, acrescentando que, além de ampliar o número de vagas de estacionamento, vai melhorar o fluxo de veículos, já que os motoristas não poderão mais fazer os “balões” de uma mão para a outra na Rua 33. “Os motoristas podem apenas atravessar a via para acessar as ruas transversais”, justificou.

 

Maurício esclarece ainda que os pontos de ônibus serão mantidos nos mesmos locais e nos quarteirões de parada dos coletivos não haverá vagas de estacionamento. “O objetivo é que o trânsito flua, sem interrupção por conta da parada dos ônibus”, planeja. 

 

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