Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 14 de Dezembro de 2019
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Publicado em 18/11/19, às 10:11

Mal necessário

Por Roberto Marinho

Depois de uma longa espera, e uma pendenga licitatória que levou quase dois anos para ser sacramentada, finalmente o novo sistema de estacionamento rotativo de Volta Redonda, batizado de ‘VR Parking Digital’, vai entrar em operação daqui a duas semanas. Uma das grandes novidades é que o número de vagas vai aumentar de 1.890 para 5.393, abrangendo todos os bairros comerciais, como Vila, Aterrado e Retiro. E também em ruas próximas a eles, com tarifas mais reduzidas. As vagas para idosos e deficientes, garante a prefeitura, serão triplicadas, embora o novo sistema acabe com a facilidade que existia de os portadores de ‘cartão especial’ estacionarem em qualquer vaga.
O objetivo do novo sistema passa por “organizar e democratizar” o estacionamento nas ruas de Volta Redonda, garante o prefeito Samuca Silva, entusiasmado com a implantação da novidade. “É uma nova forma de estacionar”, dispara, pedindo desde já que os motoristas atentem para a novidade. “Não queiram comparar o estacionamento de moedinha (ainda usado, grifo nosso) com o que está vindo por aí. Através de um aplicativo você (motorista) vai ver na sua casa a quantidade de vagas (existente) em cada rua da cidade”, afirmou em recente entrevista ao radialista Dário de Paula, onde ressaltou que até dezembro será feita a pintura das faixas e a instalação dos sensores que vão indicar se as vagas estão ocupadas ou não. E que estarão disponíveis pelo aplicativo.
Samuca confirmou que o VR Parking vai começar a funcionar na Vila, no Centro (Amaral Peixoto) e no Aterrado, e destacou a modernidade do sistema, operado pelos usuários a partir de um aplicativo – o Digipare, sendo que o pagamento poderá ser feito online, e também em dinheiro, diretamente aos monitores do rotativo (contratados pela concessionária, grifo nosso), e ainda em postos credenciados, que ficarão em estabelecimentos comerciais associados.
O prefeito ainda salientou que o novo sistema vai permitir o pagamento das vagas por minutos utilizados, e não somente por períodos de uma hora ou meia hora. “É por fração. Quem comprar pelo aplicativo não vai pagar a hora cheia. Se ficou 20 minutos, vai pagar pelos 20 minutos apenas”, garantiu Samuca, acreditando que será preciso uma “mudança de cultura” em relação ao rotativo e à cobrança do estacionamento. “A cultura do nosso estacionamento precisa mudar: é rotativo. Hoje você não acha vaga porque o carro fica o dia inteiro na vaga e não temos capacidade de fiscalizar. A rotatividade do estacionamento é boa para o comércio. É preciso que a sociedade entenda isso, porque sempre me pediram a cobrança do estacionamento, e estamos trazendo um modelo que não existe no Brasil”, justificou, afirmando que os flanelinhas (que estão infestando a cidade, grifo nosso) serão envolvidos em um projeto social.
“Vamos envolver os flanelinhas nesse projeto social, acabar com outro problema da cidade, então é um bom projeto. (A população) Vai achar vaga porque vai ter fiscalização, a rotatividade. É um bom sistema, mas não queiram comparar o sistema atual, que é ineficiente e ruim, com o sistema que está chegando; são coisas totalmente distintas”, disse.
Outra aposta de Samuca é que o novo rotativo pode fazer cair o preço dos estacionamentos particulares. “Eu creio que com esse estacionamento rotativo vai cair o preço do estacionamento privado, porque vamos ter mais vagas rotativas na cidade”, afirmou na entrevista a Dário de Paula. Os estacionamentos particulares cobram em média R$ 4 pela hora, enquanto no VR Parking os preços vão variar entre R$ 2,50 e R$ 1,50 a hora, dependendo do bairro.

Preços diferenciados
Na verdade, além da tecnologia inovadora e da possibilidade de pagar somente pelos minutos utilizados, outro diferencial do VR Parking serão os preços diferenciados por área da cidade, que foi dividida em zonas. A Zona Azul – Vila Santa Cecília, Centro (Amaral Peixoto) e Aterrado – será a mais cara, com o motorista tendo que pagar R$ 2,50 a hora, se quiser estacionar. A Zona Verde – Retiro, Santo Agostinho, 207 e Ponte Alta – terá o preço de R$ 2,00 por hora. Nestas duas áreas, os veículos poderão permanecer estacionados por no máximo 3 horas. A Zona Laranja inclui as ruas adjacentes de todas as três áreas citadas, e a vaga custará R$1,50 por hora. O tempo máximo de permanência nesta zona será de 4 horas.
O novo rotativo vai ser operado pelo consórcio ‘Rotativo VR Digital’, formado pelas empresas Areatec, de São Paulo, e Sinalvida, de Pernambuco, e vai utilizar um sistema considerado “o mais moderno e eficiente do Brasil”, de acordo com as informações divulgadas pelas empresas. Por meio do aplicativo Digipare, o usuário vai controlar diversas funções do sistema, como a compra dos créditos, verificação de saldo e emissão do bilhete, além de saber as vagas livres nas redondezas.
Para que o aplicativo mostre aos motoristas se há local para estacionar, todas as vagas serão monitoradas por sensores de presença, que vão indicar para uma central de gerenciamento quando um veículo desocupa o lugar. O motorista que estiver procurando uma vaga naquela área vai ser avisado por meio do aplicativo que há um lugar disponível. Também haverá um mapa online das vagas livres e painéis indicativos nas ruas, mostrando o número de vagas.
O pagamento poderá ser feito de diferentes formas: diretamente por meio do aplicativo, com cartão de crédito ou débito, depois de feito um cadastro do CPF e da placa do carro. Neste caso, a cobrança será feita por minuto, depois do tempo mínimo de 15 minutos, como disse o prefeito na entrevista. Os motoristas também poderão adquirir os tíquetes em dinheiro, sem usar o aplicativo, em postos de venda credenciados do VR Parking, que ainda não foram divulgados pela prefeitura ou pelo consórcio.
Na venda direta, o motorista terá que informar a placa do veículo e quanto tempo vai ficar parado na vaga. Neste caso, não haverá cobrança por minuto, somente pelo período inteiro ou fração. Nestes postos de venda, os usuários também poderão recarregar os créditos do aplicativo em dinheiro, bastando informar o CPF cadastrado.
Outro diferencial é que, após 15 minutos, mínimo de pagamento pela vaga, o usuário poderá pagar apenas pelo tempo adicional e não pela tarifa cheia do rotativo (30 minutos ou 60 minutos). Este benefício, o pagamento minuto a minuto, será exclusivo para os usuários que optarem pelo aplicativo Digipare, já que a tecnologia permite o controle do uso e do saldo disponível na conta virtual do motorista. O saldo não terá prazo de validade. 

Vagas novas
A ideia da prefeitura de Volta Redonda é disponibilizar 1.485 vagas na Vila Santa Cecília; 1.690 no Aterrado; 555 no Centro (Amaral Peixoto); 1.442 no Retiro; e 221 na Rua 207, Santo Agostinho e Ponte Alta. Nos primeiros 30 dias de operação, a partir de dezembro, monitores do VR Parking irão orientar os motoristas. De acordo com o consórcio vencedor, o sistema funcionará com uma equipe de aproximadamente 60 profissionais – entre técnicos, monitores e funcionários (da área administrativa) e todos serão contratados ‘em Volta Redonda’. O investimento inicial do consórcio previsto para a implantação do sistema é de R$ 11 milhões. Já a prefeitura deve receber R$ 50 milhões em 10 anos pela exploração do rotativo.

Implantação do VR Parking levou quase dois anos
O processo de implantação do novo estacionamento rotativo foi longo e penoso, tendo iniciado em março de 2018. Só que o edital de licitação – como ocorre hoje com o edital das 31 linhas de ônibus da Viação Sul Fluminense – caiu em exigências no TCE-RJ. Foi em maio do ano passado e o certame levou mais de um ano para sair do papel, enquanto o governo Samuca promovia as modificações exigidas pelos técnicos do órgão.
Entre elas, estavam a revisão da receita total estimada, planilhas mais detalhadas, e uma justificativa para os gastos de R$ 550 mil com marketing, R$ 450 mil com equipamentos fiscais e R$ 5,75 milhões com sensores magnéticos que serão implantados nas vagas. Além disso, o TCE pedia a definição do percentual de vagas para idosos e deficientes e para carga e descarga de farmácias, que legalmente não existe, é bom que se frise.
Com a análise do TCE-RJ, quem saiu ganhando foi a prefeitura de Volta Redonda. É que o município deverá receber R$ 27,3 milhões a mais pela concessão do rotativo. Antes, o valor previsto era de R$ 114 milhões e, graças ao TCE, a receita estimada passou para R$ 157 milhões, que serão arrecadados ao longo dos próximos dez anos. Também houve alteração no percentual mínimo da outorga – valor recebido pela prefeitura – de 24% para 35% da receita da concessionária.
Com todas as pendências resolvidas, o TCE liberou a realização da licitação em abril deste ano. A disputa foi vencida pelo consórcio Rotativo VR Digital, formado pelas empresas Areatec, de São Paulo, e Sinalvida, de Pernambuco. O contrato de concessão finalmente foi assinado no dia 23 de outubro passado, quando foi feito o anúncio da operação do novo sistema.
Detalhe: a líder do consórcio Rotativo VR Digital, a Areatec, disputou recentemente uma concorrência para a implantação do estacionamento rotativo na cidade maravilhosa. Perdeu a licitação. E acabou entrando com uma ação contra a prefeitura do Rio de Janeiro. Na ação, a empresa questiona ter sido inabilitada por falta de capacidade técnica na opinião dos integrantes da Comissão de Licitação da prefeitura carioca. O caso ainda está sendo julgado.
Durante o processo licitatório, o consórcio Rotativo VR Digital chegou a ser impugnado por um adversário, que também teve sua impugnação pedida pela empresa questionada. Na análise dos recursos, a Comissão de Licitação da prefeitura de Volta Redonda acatou a impugnação apenas da Rebocar Remoção e Guarda de Veículos Eireli.

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