Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Publicado em 25/02/19, às 09:10

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Por Roberto Marinho

A nova comandante do 28o BPM, responsável pelo policiamento de Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral, e Rio Claro, não está fazendo história somente por ser a primeira mulher a comandar o Batalhão do Aço, o maior do Sul Fluminense. A tenente-coronel Luciana Rodrigues de Oliveira está tentando quebrar a distância que existe entre a polícia e a população, em um movimento que não era visto pelo menos nos seus últimos antecessores, mesmo que estes tentassem se relacionar bem com todos. O que alguns não conseguiam.

Um encontro com a imprensa, realizado na sexta, 15, é uma prova disso. No café da tarde oferecido aos jornalistas, Luciana fez questão de conversar com todos os profissionais de comunicação e apresentou sua equipe de relações públicas, que agora vai repassar diretamente as notícias para os jornais e demais veículos da região. “Mudou da água para o vinho”, comentou um deles, mostrando que a primeira medida da nova comandante agradou aos repórteres.

Tem mais. Luciana afirmou que considera fundamental a aproximação entre os policiais e a comunidade – principalmente a imprensa – para ajudar o trabalho da Polícia Militar. “É uma carac-terística minha. Gosto de ir a público, gosto de ir ao soldado, à ponta da linha. As pessoas trazem muita informação pra gente. É preciso ter esse contato, isso é muito importante”, frisou a comandante, que já trabalhou em Resende durante nove anos, onde aprendeu a ter “um carinho especial” pelo interior.  “As pessoas que moram aqui (no interior) têm esse carinho pela cidade (onde mora), é importante que o policial militar – eu, principalmente – esteja perto deles, para ouvi-los”, avaliou.

No encontro, a comandante do 28o BPM afirmou que foi criado um setor de análise criminal, que vai trabalhar com as estatísticas de crimes – baseadas em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) – para planejar o policiamento e usar de forma mais eficiente os recursos. A iniciativa foi parte dos esforços para lidar com a perda de 32 policiais do 28o Batalhão, presos no ano passado em uma megaoperação policial.       

“A seção de análise é para que a gente consiga otimizar nossos recursos, conseguir empregar as nossas viaturas, o nosso policiamento, de forma mais eficaz. A gente já fazia esse trabalho, mas agora será com mais detalhes. Terá uma pessoa específica para estudar as estatísticas, as ocorrências na região, para empregarmos o nosso efetivo da melhor forma possível”, relatou Luciana, afirmando que a Polícia Militar utiliza ainda informações das delegacias, das guardas municipais, das prefeituras, e até mesmo da imprensa. “Os senhores (imprensa, grifo nosso) às vezes nos municiam com informações, porque chegam antes nos locais. Por isso é importante essa parceria”, destacou, anunciando que vai priorizar as ocorrências mais frequentes na região: o furto de veículos e o roubo a transeuntes. “O objetivo é diminuir ao máximo essas ocorrências”, pontuou.

Casamento

Luciana lembrou  que tem uma preocupação com o público interno, a tropa de 733 PMs, “comigo incluída”, destacou. E, para isso, vai desenvolver atividades, como um casamento comunitário, para resolver um problema social enfrentado pela corporação. Quando o policial fica afastado por algum acidente ou ferimento, ou morre, se a viúva não comprovar o casamento “no papel”, terá que enfrentar toda a burocracia para comprovar uma relação estável e poder receber os benefícios a que tem direito por lei.    

“A rotina de um policial é muito corrida, agitada. Algumas coisas acabamos deixando para lá, como a questão do casamento formal. Isso tem causado um problema para a instituição, quando o policial sofre um acidente, falece, e não é casado no papel. É óbvio que depois a esposa ou o marido consegue provar a união estável na Justiça, mas isso demora. E neste meio tempo a família fica desamparada. E tem também o seguro, que às vezes a esposa, ou mesmo os filhos, não consegue receber”, afirmou Luciana.

De acordo com ela, um levantamento está sendo feito para ver quantos PMs estão nessa situação, e por isso ainda não há uma data para o evento comunitário acontecer. A recomendação para formalizar as uniões é da própria secretaria de Estado de Segurança Pública.    

Ainda como parte da valorização dos policiais, a comandante adiantou que vai retomar o torneio de futebol interno do batalhão, com direito a final no Raulino de Oliveira, como disse o coronel Cléber Silva Maia, que também participou da reunião. “Já foi acertado com o prefeito (Samuca)”, anunciou.   

Outra iniciativa será a premiação dos “melhores do trimestre”. “O 28o BPM é o sexto batalhão que mais faz apreensões – de armas e drogas – no estado do Rio. Em 15 dias, foram nove armas apreendidas. Tiramos muita arma, entorpecentes, muitos elementos das ruas. Então o policial precisa de reconhecimento do trabalho feito, e é neste evento que isto acontece”, justificou.

Disque denúncia

Outra meta da nova comandante do 28o Batalhão do Aço é a divulgação do Disque Denúncia da Polícia Militar – 0800 02 60 667 – que aceita denúncias anônimas. Luciana afirma que, por medo de se identificar e sofrer possíveis represálias, muitas pessoas não passam informações para o 190, número de emergência da PM. Mas, segundo ela, o que pouca gente sabe é que o Disque Denúncia também pode ser usado como um número de emergência, de forma anônima.

De acordo com ela, ambas as ligações são atendidas na sala de operações do batalhão, mas optou-se por separar o número das denúncias e das emergências por causa dos trotes. “As pessoas podem ligar para o Disque Denúncia na hora em que o crime estiver acontecendo, sem se identificar. Nós mandaremos uma viatura lá”, afirmou Luciana, acrescentando que muitas das últimas prisões e apreensões de drogas e armas foram feitas com base em informações do Disque Denúncia. 

A comandante também aproveitou a reunião para indiretamente afirmar que não há milícias atuando na cidade. Luciana disse que confia no trabalho da imprensa, mas que deve se evitar criar “pânico infundado”. “Volta Redonda, assim como Barra Mansa, Pinheiral e Rio Claro, são cidades tranquilas. Hoje as viaturas patrulham em qualquer lugar da região. Em qualquer dessas cidades, eu posso mandar uma viatura. Qualquer policial consegue transitar, consegue patrulhar, em qualquer local. Então, Volta Redonda não é hoje uma cidade perigosa”, avaliou, evitando citar a palavra ‘milícia’.

Luciana disse ainda que não existe hoje na região abrangida pelo 28o BPM algum local com “uma concentração de problemas”. “Não tem um bairro mais violento. Nós estamos atentos à mancha criminal. Temos problemas? Sim, mas estamos preocupados e atuando em cima de todos esses problemas”, pontuou.

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