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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 15/05/17, às 08:32

Maio amarelo

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Dirigir pelas ruas e estradas do Brasil significa risco constante aos motoristas e pedestres. Ao menos é o que aponta o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), sinalizando que entre 2010 e 2014, foram contabilizadas, em média, cerca de 43 mil mortes por ano no país, chegando a mais de 215 mil óbitos em cinco anos. É como se uma pessoa perdesse a vida a cada 12 minutos no trânsito brasileiro.

 

Em Volta Redonda, por exemplo, no último final de semana do mês de abril, na noite de sexta, 27, um acidente na BR-393 chocou a população. Foi na ponte que liga o Caieiras ao São Luiz.  Nele, a professora Bruna Silva Boonen, 29, morreu na hora, após o carro em que ela estava bater de frente com um caminhão. No veículo ainda estavam o marido de Bruna, o bancário Lioji Kogake, e o filho deles, que tinha acabado de completar um ano no dia anterior, quinta, 26. A criança saiu ilesa do acidente, mas o pai passou por duas cirurgias no Hospital São João Batista.  

 

A batida foi tão forte que o caminhão ainda prosseguiu em direção à mureta de proteção da ponte, após bater no carro, e por pouco não caiu no Rio Paraíba do Sul. Detalhe: Bruna, segundo dado do Diário do Vale, teria ido na manhã de quinta, 26, ao Hospital São João, onde seu marido e filho foram atendidos, para doar sangue. “Ela ajudou a salvar vidas antes de perder a dela. Era uma mulher especial”, escreveu o jornal.

 

O impacto da violência no trânsito afeta até as finanças públicas. Considerando o mesmo período da pesquisa feita pelo ONSV – de 2010 a 2014 – foram gastos, em média, R$ 49,5 milhões anuais no atendimento às vítimas de acidentes em ruas e estradas, no custeio de reparos em vias públicas danificadas pelas ocorrências e tendo ainda como reflexo a perda de cidadãos que estavam em idade economicamente ativa, ainda segundo dados do Observatório, com base em informações do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

 

Na tentativa de chamar a atenção da sociedade e do poder público para o tema, o quinto mês do ano é o período escolhido para concentrar ações e campanhas de conscientização, ficando conhecido como Maio Amarelo. O ONSV destaca que o Brasil tem uma frota de aproximadamente 91 milhões de veículos, ante quase 30 milhões que havia em 2000 – crescimento de 205% em 15 anos. No mesmo período, os registros de acidentes avançaram 50,9%.

 

Até 2020, estamos vivendo a chamada “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”, conforme resolução da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa é baseada em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicando que somente em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidentes de trânsito foram registradas em 178 países, além de outras 50 milhões de pessoas que ficaram com sequelas. No cenário global, segundo o Movimento Maio Amarelo, o trânsito mata 3 mil pessoas diariamente, sendo a 9ª maior causa de morte no mundo.

 

“O ato de dirigir requer responsabilidade e prudência para não colocar em risco a própria vida e daqueles que compartilham o mesmo espaço. Por isso, é necessário despertar essa consciência na sociedade com ações como mudança na legislação, punição para quem comete infrações e investimento em educação e ações de engenharia capazes de melhorar a mobilidade e segurança das pessoas. Esses são movimentos que vêm se consolidando ao longo dos últimos anos no país”, ressaltou a especialista em segurança e educação no trânsito, Roberta Torres.

 

Entre as principais vítimas fatais dos acidentes de trânsito está o jovem, na faixa etária entre 19 e 29 anos, alcançando 33,35% no total de óbitos por Acidentes de Transporte Terrestres (ATT), dado que tem como referência o ano de 2012, conforme o Datasus – 2013, mencionado em estudo elaborado pela especialista. “Esse cenário mostra o quanto é importante trabalhar a formação do futuro motorista para começar a mudança dessa realidade. O caminho é modernizar a formação do condutor, aproveitando-se, inclusive, dos recursos oferecidos pela tecnologia”, completou Roberta.

 

Pesquisa do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) revela que no ano de 2015, dos candidatos que iniciaram o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), 13,6% estavam na faixa etária entre 18 e 25 anos. E entre as modificações na formação do condutor que pretendem trazer mais segurança e ganhar o engajamento desse público está a inserção do simulador de direção veicular. No Brasil, as autoescolas devem garantir ao candidato que busca a habilitação cumprir um mínimo de 5 horas/aulas no simulador, das 25 aulas práticas que são exigidas.

 

“O simulador permite o treino da mente para reagir de forma correta e segura em situações extremas, como dirigir sob neblina e em dias chuvosos, além de treinar a utilização dos comandos básicos do veículo antes de ir às ruas. O simulador ainda possibilita que o cérebro entenda e absorva a situação vivida sem a pressão do medo e reaja como se estivesse na vida real, pois trabalha todos os sentidos”, ressaltou a especialista em simuladores de direção e diretora de produtos da ProSimulador, Sheila Borges.

 

Sobre a ProSimulador

A ProSimulador faz parte do Grupo Tecnowise, que atua há 30 anos no mercado de tecnologia, infraestrutura e desenvolvimento de soluções para os segmentos de trânsito, veículos, simulação e mobilidade humana, e é responsável pela produção de equipamentos de simulação profissional, como os simuladores de direção veicular. A empresa integra a Associação Nacional de Fabricantes de Simuladores Profissionais (Anfasp) e é apoiadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito – programa do governo do Estado de São Paulo, que busca reduzir pela metade o número de vítimas nos acidentes de trânsito no estado até 2020 – e do Observatório Nacional de Segurança Viária.

 

Detran faz panfletagem de conscientização … na capital

 Na terça, o Detran, em parceria com a concessionária BRT Rio, coloriu de amarelo a estação Ricardo Marinho, na Barra da Tijuca. Foi a primeira ação da campanha do Maio Amarelo nas estações do BRT e mobilizou as pessoas para ações mais seguras no trânsito. Foram distribuídos panfletos com informações sobre colisões, conversões proibidas, atropelamentos e outros tipos de acidente.

 

Vinicius Farah, presidente do Detran, destacou a importância da parceira na conscientização dos cariocas. “Devemos conscientizar as pessoas para continuarmos diminuindo o número de acidentes no trânsito. Esta parceria entre o BRT Rio e o Detran é muito importante. O BRT transporta milhares de pessoas diariamente e alcança muita gente. Essas campanhas educativas servem para alertarmos sobre a atenção que devemos ter no trânsito. A responsabilidade é de todos: pedestres, motoristas, ciclistas,…. Precisamos educar para transformar”, disse Farah, esquecendo que no interior do estado o problema também é detectado.

 

Até o próximo dia 30, outras cinco ações serão realizadas em parceria com o BRT Rio e, até prova em contrário, nenhuma será realizada em Volta Redonda, Barra Mansa e cidades vizinhas. A campanha será encerrada no dia 31 de maio com a apresentação do coral Detran no Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. 

 

Maio amarelo

No estado do Rio, em 2016, 36.726 pessoas foram vítimas (entre feridos e mortos) nas estradas e ruas, de acordo com os dados do Detran e do Instituto de Segurança Pública (ISP). No Brasil, a taxa é de 23,4 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes, segundo estimativas divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano passado. Em Volta Redonda, por exemplo, só em 2016, 18 pessoas morreram em acidentes de trânsito; em Barra Mansa outras 10 também perderam a vida. O número de pessoas acidentadas é impressionante: foram 269 na cidade do aço e 131 na cidade vizinha.    

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