Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
0
Publicado em 21/11/17, às 09:45

Livres!

albertassi-paulomelo-picciani-768x481_cor

O deputado estadual Edson Albertassi sempre foi tranquilo, desde os tempos em que atuou como vereador de Volta Redonda. Apesar de político, fugia dos holofotes, preferindo atuar nos bastidores. Tanto na Alerj quanto na cidade do aço. Foi por essas e outras que desistiu de se candidatar a prefeito nas eleições de 2016, lançando a vereadora América Tereza, que foi derrotada por Samuca Silva. Para surpresa geral, Albertassi decidiu aceitar a indicação do governador Pezão para assumir uma vaga de conselheiro do TCE-RJ, em substituição a Jonas Lopes, que foi preso por corrupção e virou delator.

Albertassi não deveria ter aceitado a missão. É que a manobra acabou servindo de pretexto para o MPF deflagrar a operação ‘Cadeia Velha’ e, por determinação do TRF-2, acabou sendo levado para a prisão junto com o presidente da Alerj, Jorge Picciani, e o também deputado Paulo Melo. Literalmente pode-se dizer que Edson Albertassi, poderoso presidente das Comissões mais cobiçadas da Alerj – Finanças e Orçamento –, foi tirado do paraíso ao ser levado para o inferno (a cadeia de Benfica).

Sorte do parlamentar voltarredondense é que ele, Picciani e Paulo Melo só passaram um dia no complexo penitenciário de Benfica, onde está preso o ex-governador Sérgio Cabral. É que na tarde de ontem, sexta, 17, em sessão extraordinária, a Assembleia Legislativa decidiu que eles não poderiam permanecer na Cadeia Pública José Frederico Marques, no Rio de Janeiro. Nem perderiam seus mandatos como queria a Justiça Federal.

O placar de 39 a 19 mostra que a maioria dos deputados da Alerj, como já era esperado, iria contra a decisão da Justiça de manter Albertassi e seus colegas de partido sob custódia por tempo indeterminado. Os peemedebistas precisavam de 36 votos. Dos deputados que representam o Sul Fluminense, Gotardo Lopes (PSL) e Nelson Gonçalves (PSD), ambos de Volta Redonda, não participaram da votação, pois são suplentes. Segundo Gotardo, os respectivos titulares dos seus mandatos reassu-miram o cargo. O único que participou do escrutínio foi Julianelle (Rede), de Resende, que votou pela manutenção da prisão da cúpula do PMDB.

Vale lembrar que a decisão da Assembleia Legislativa não vai interromper as investigações. Apenas permite que os acusados possam se defender das acusações do MPF. O parlamentar voltarredondense, por exemplo, vai poder apresentar provas a respeito da verba que recebia da Fetranspor – de R$ 60 mil mensais, conforme alegam os procuradores do Ministério Publico Federal. O valor, segundo uma fonte do aQui, que pede que seu nome não seja revelado, refere-se a anúncios de publicidade que a Fetranspor estaria publicando mensalmente em três emissoras de rádio da família de Albertassi. “Os anúncios eram veiculados e as emissoras emitiam as notas fiscais correspondentes ao serviço que prestavam. Tudo legal. Não era propina”, afirma a fonte.

Entenda o caso
Albertassi, Picciani e Melo foram acusados de usar a estrutura da Alerj para a prática dos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Para o MPF, eles se uniram na organização comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral. No pedido de prisão, o MPF narrou que os deputados teriam recebido recursos não só da Fetranspor, mas também da construtora Odebrecht para defender interesses de ambas na Alerj.

Para o MPF, a indicação de Albertassi para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) poderia ser uma manobra para que o que definiu como organização criminosa retomasse espaços perdidos com os afastamentos dos conselheiros determinados pelo STJ, e também uma forma de atrapalhar as investigações, ao tirar o caso das mãos do TRF2 do Rio de Janeiro.

A petição do MPF, com 232 páginas, resulta de investigações feitas há seis meses, que incluíram quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático, acordos de leniência e de colaboração premiada, além de provas obtidas a partir das operações Calicute, Eficiência, Descontrole, Quinto do Ouro e Ponto Final. As investigações apontaram que Picciani, Paulo Melo e Albertassi fariam parte de uma organização integrada ainda pelo ex-governador Sérgio Cabral e que vem se estruturando de forma ininterrupta desde a década de 1990.

A organização, segundo o MPF, estaria adotando práticas financeiras clandestinas e sofisticadas para ocultar o produto da corrupção, que inclui recursos federais e estaduais, além de repasses da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor).

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.