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Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019
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Publicado em 02/09/19, às 09:52

Guerra e Amor

Por Frei Inácio José do Vale

 

Escreve o intelectual português professor Dr. Américo Pereira, da Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas: “Na prática antropológica, ética e política histórica da humanidade, têm, pois, razão, os que dizem que a humanidade vive não apenas “num”, mas “um” estado permanente de guerra”.

O ato de guerra é sempre um ato de violência, pois usa de uma força absolutamente desnecessária, seja qual for tal ato, é um ato de violência e atenta sempre sem razão contra o indivíduo, contra a humanidade.

A guerra tem um lastro prolixo e devastador. Do coração maligno, vingativo, as ideologias políticas e o acúmulo do capital. As várias modalidades de guerras: nações contra nações, guerra do tráfico, da pirataria, da falsidade ideológica, da mídia sensacionalista, guerras religiosas, tribais, preconceituosas, psicológicas e matrimoniais.  Dentro desse contexto a brutalidade da pobreza, da fome, da migração, das doenças, da humilhação, da exclusão, do ódio, do crime, da desolação profunda física e emocional.

Declara de forma magistral Ibn Hazm (994-1064), literato árabe espanhol. “O amor não é – como se costuma dizer – fulminante: ainda que nasça de uma fulguração, deve ser construído e protegido, deve crescer e reforçar-se”.

A construção do amor é de suma importância para o bem comum. Nessa guerra empreender a engenharia do amor não é nada fácil. Pela guerra, pela violência, pelas fraudes, enganos nos seguimentos sociais, cismas religiosos, tráfico humano, a máfia da indústria pornográfica e a falácia da indústria farmacológica, é patente e gigantesco a desconstrução do amor.

Na modalidade científica, na dimensão da espiritualidade, no relacionamento afetivo e na nobreza de alma, o amor é o fundamento para civilização da paz universal. Tudo se ganha triunfalmente com o amor: arte, beleza, poesia, felicidade, fé, fraternidade, amizade, justiça, e tudo se perde cruelmente com a guerra.

É responsabilidade de todos nós fazer crescer e ocupar a sociedade com a cultura do amor. O amor é o nosso bem maior. Amor é vida com fartura. Deus é amor. A pacificação, o bem viver e o sadio progresso só com o amor. Todo esforço deve ser empregado por um estado permanente de paz e amor. Dentro desse contexto a beleza da arte, da poesia, da literatura clássica, a cultura do esporte, da ecologia e da espiritualidade.

Disse o eremita do Deserto do Saara Charles de Foucauld: “A caridade é a essência da religião que obriga o cristão a amar o próximo”.

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