Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quinta-Feira, 21 de Junho de 2018
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Publicado em 04/06/18, às 10:19

‘Guerra da alface’

Luiz Vieira 

A greve dos caminhoneiros, que acabou com o governo Temer, atazanou a vida dos brasileiros e deve estar fazendo a alegria dos grandes empresários do setor de transportes, atingiu em cheio a tradicional feira livre de domingo, na Vila, em Volta Redonda. Nunca deve ter sido tão fraca como a de 27 de maio – que vai entrar para a história como a feira da mexerica, da banana, do morango e nada mais (roupas e produtos das lojas da cidade que são vendidas em inocentes barracas não contam). Até tinha mamãozinho, tão pequenininho que não daria nem para satisfazer algum apaixonado pela fruta, que, na única barraca onde podia ser encontrada, estava sendo vendida a R$ 5 a unidade. Um roubo. 

 

Verduras, nem pensar. Podia-se andar de uma ponta a outra – da Praça Brasil ao Escritório Central – que não se achava um mói de alface. Nem jiló (argh, que nos desculpe quem gosta). Sorte de uma senhorinha, tradicional feirante, conhecida como ‘a japonesa’, que, em um passe de mágica, apareceu com um caixote carregado de verdinhas (de sua plantação, com certeza). Não eram dólares, mas custavam tanto quanto a moeda americana nos é vendida pela Caixa Econômica (bancão que deveria ser social, mas nos explora como todos os demais). 

 

Em questão de minutos, tudo foi vendido. Ou melhor, foi arrancado de suas mãos por consumidores desesperados em comprar um naco de couve, cebolinha, hortelã, taioba. Até chuchu tinha e sumiu. Algumas pessoas levaram na brincadeira (pelo menos davam a impressão) o afã de quem previa ficar sem algo verde (como se fosse eleitor do PV) para o almoço de domingo. Pior. Em pagar quase um dólar pelo cheirinho do coentro que impregnou a feira de domingo. Uma feira sem verdes, sem a tradicional variedade de frutas e legumes. 

 

Alguns feirantes, mais caridosos (?), acharam uma saída: usaram seus próprios carros, nem todos novos, é claro, e levaram cachos e cachos de bananas (prata) para saciar a vontade dos consumidores. Maduras ou verdes, eram vendidas a R$ 5 a dúzia. Um dos apaixonados pela fruta mais querida dos brasileiros implorava que lhe vendessem R$ 100 em bananas. Não conseguiu. Coitado dos filhos dele, ou dos clientes, é claro, se ele estava na feira para abastecer seu mercadinho ou restaurante. A quanto iria revender as bananas, só Deus sabe..

 

Para encerrar o domingo de sol, sem verde, mas com mexericas e bananas, fica o registro: a maioria aprovava a greve dos caminhoneiros. E esculachava o governo Temer. Que a próxima feira (de amanhã, domingo, 3) volte à normalidade. Que todos montem suas barracas, repletas de frutas e legumes. Sem muitos abacaxis, pois se a fruta estiver azeda – como seria natural nesta época do ano -, que sejam mandados para satisfazer nossos políticos, a começar pelo presidente Temer. E que ele não mande a conta (da redução) do diesel para quem só tem Brasília (o carro) velha.

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