Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Segunda-Feira, 30 de Maio de 2016
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Publicado em 25/04/16, às 16:06

Grampos

Deu ‘sim’ 

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Com os votos favoráveis de 367 deputados, 137 contrários e 7 abstenções, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o relatório pró-impeachment e autorizou o Senado Federal a julgar a presidente da República, Dilma Rousseff, por crime de responsabilidade. Se abstiveram de votar os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS), Vinícius Gurgel (PR-AP), Beto Salame (PP-PA), Gorete Pereira (PR-CE), Sebastião Oliveira (PR-PE), Mário Negromonte Jr. (PP-BA) e Caca Leão (PP-BA).

A sessão foi tensa, iniciada com princípio de tumulto. Cada voto dos 511 deputados – estavam ausentes os deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Clarissa Garotinho (PR-RJ) – foi pontuado com comemorações de cada lado. O voto de número 342, mínimo para garantir o julgamento pelo Senado, foi celebrado à exaustão pelos partidários do impeachment, que tiveram apoio de deputados de 22 partidos. Apenas Psol, PT, e PCdoB não deram votos a favor do impedimento da presidente Dilma.  

A sessão de votação durou cerca 6 horas, mas todo o processo de discussão e votação do impeachment, iniciado na sexta, 15, consumiu quase 53 horas. Dos deputados da região, Deley (PTB), Serfiotis (PMDB) e Fernando Jordão (PMDB) votaram pelo impeachment; Luis Sérgio (PT) votou contra.

O parecer que recomenda a investigação contra a presidente Dilma Rousseff já foi entregue ao Senado, e espera pela formação de uma comissão especial para decidir se valida, ou não, o pedido de abertura de investigação. Se for aprovado por 41 senadores, a presidente será afastada do cargo e julgada pelo Senado. Uma eventual condenação, que depende do aval de 2/3 da Casa (54 senadores), tira Dilma do cargo e a torna inelegível por oito anos. 

Repercussão – A maioria dos políticos – prefeitos, deputados, vereadores e pré-candidatos – de Volta Redonda e Barra Mansa preferiu, pasmem, não comentar a votação e o resultado do pedido de impeachment da presidente Dilma. Literalmente ficaram em cima do muro. Talvez tenham receio de perder votos dos eleitores dos dois lados nas eleições de outubro.

O governador Pezão, entretanto, logo soltou uma nota oficial a respeito, de apoio a Dilma. Os prefeitos Neto e Jonas Marins nem um pio deram. Os políticos que usaram as redes sociais, como o Face-book, se mostraram divididos como a Nação. Veja abaixo alguns dos comentários que eles postaram ao longo da semana:

Dilma (I) – O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) emitiu nota sobre a autorização dada pela Câmara, na noite de domingo, 17, para a abertura do processo de impeach-ment da presidente Dilma, por 367 a 146 votos. “Não cabe a mim contestar o resultado da votação na Câmara, mas posso dizer que lamento profundamente a decisão, que representa um atraso à democracia do nosso país. Sempre me posicionei publicamente contrário ao impeachment da presidente Dilma, que considero uma pessoa digna e honrada. Não acredito que seja esse o mecanismo mais adequado para ajudar o Brasil a vencer a crise e avançar como uma nação melhor. A presidente Dilma foi eleita pelo voto democrático e isso deve ser respeitado”, pontuou. Menos, governador, menos. O processo de impeachment é previsto na Constituição e vale para todos, até para quem foi eleito pelo voto democrático.

Dilma (II) – A ausência dos integrantes do Movimento Ética na Política no ‘Vem pra Rua VR’ foi criticada no programa Dário de Paula de segunda, 18. Para o radialista, um dos líderes de comunicação da região, o MEP, deveria se aliar aos que exigem o fim da corrupção na política. Ele tem razão.

Dilma (III) – O novato Alexandre Serfiotis, que deixou o PSB para se filiar ao PMDB de Pezão e Picciani, votou pelo impeachment da presidente Dilma. Ao justificar seu voto, e como a maioria dos parlamentares fez, Serfiotis filho fez questão de falar de Serfiotis pai, ex-prefeito de Porto Real.

Dilma (IV) – como já tinha prometido, Deley votou pelo impeachment da presidente Dilma. E apesar de ter sido pressionado até pelo seu pai a votar pelo sim, Deley não o citou na justificativa de voto. E nem disse que Lula teria ligado para seu mentor político – o prefeito Neto – pedindo que o ex-craque do Fluminense votasse pelo ‘não’. Vejam o que ele postou no dia seguinte a respeito: “Nosso voto na questão do impeachment da presidente Dilma foi feito de acordo com nossa consciência.

Votamos pelo impedimento da presidente da República. Assim o fizemos em nome do povo brasileiro, do nosso estado, da nossa região e da nossa cidade. Respeito as opiniões contrárias, mas como disse em meu pronunciamento durante o voto: “Que briguem as ideias, não briguem os homens” (Tancredo Neves). Agradeço o apoio de todos e renovo meu compromisso de estar sempre ao lado da população, no bom combate. Do sempre amigo, Deley”.

Dilma (V) – Já o vice-prefeito de Volta Redonda, o petista Carlos Roberto Paiva, usou as redes sociais no sábado, 16, para destilar acusações contra os que iam votar contra Dilma. “Hoje (dia 16, grifo nosso) no Globo, coluna do Anselmo Gois: “Do querido Nelson Motta: Todos já sabem que o Brasil é um país onde putas gozam, cafetões têm ciúmes, traficantes cheiram, e, segundo Tim Maia, pobres são de direita. AGORA, O NEW YORK TIMES INCORPOROU: “ONDE UMA PESSOA QUE NÃO ROUBA É JULGADA POR LADRÕES (assim mesmo em letras maiúsculas, grifo nosso)”. Calma, Paiva, calma. Lembre-se que você ainda é uma autoridade

Dilma (VI) – O jornalista Xavier ORai, que é da equipe do vice-prefeito Paiva e do prefeito Neto, também pontuou sobre o processo do impeachment . Veja o que acha o coordenador da Juventude da prefeitura de Volta Redonda: “Podemos começar mudando nossos vereadores esse ano. Seria um bom começo. Vamos aproveitar e ver quem eles apoiaram na última eleição para Deputado. Não satisfeito, Xavier analisou o voto de Deley: “Deley votou, mas não convenceu. Desagradou aos dois lados”, avaliou Xavier. Será que Deley vai gostar?

Resultados – Só para refrescar a ideia de Xavier, em Volta Redonda a presidente Dilma, com apoio de Neto e Paiva, obteve 56.709 votos. O deputado federal Eduardo Cunha, com apoio de Granato, conseguiu 3.787 votos. Deley, o mais votado de todos, arrancou 27.669 votos nas urnas da cidade do aço. Já o petista Luis Sérgio só teve 1.473 votos, perdendo para o ilustre desconhecido Alexandre Serfiotis, de Poeto Real, com seus 2.144 votos. Fernando Jordão, ex-prefeito de Angra fez pior: só obteve 185 votos voltarredondenses. Ah, a chapa Neto e Paiva venceu as eleições com 84.082 votos no primeiro turno e 95.095 no segundo turno.

Ditador – Pior fez o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, Renato Soares. Parecia estar enlouquecido. E isso bem antes do processo ser avaliado na Câmara. Em março, Renato postou em sua página do Facebook uma mensagem onde, entre outras, defendia cortar o sinal da TV Globo, fechar jornais, intervir no Judiciário e, pasmem, decretar toque de recolher em todo o território nacional ‘até as 23 horas’, decretar estado de sitio, e proibir qualquer manifestação durante 15 dias (a partir de 24 de março, grifo nosso). Ah, o sindicalista defendia ainda uma caça às bruchas (sic). É. Parece que pirou de vez!

Corrupção – O jovem Nelsinho Gonçalves também deixou a sua mensagem aos internautas a respeito da votação do impeachment: “Ontem (domingo) vivemos um dia histórico, a partir de agora temos que ficar vigilantes para que TODOS os corruptos sejam punidos independente de partido, doa a quem doer!”, avaliou.

Viva – A pré-candidata do PMDB à prefeitura de Volta Redonda, vereadora América Tereza, comemorou a vitória do ‘sim’. “Viva o povo brasileiro. A voz do povo é a voz de Deus! É o começo de um novo tempo”, escreveu.

Constituição – O jovem Wellington Pires, pré-candidato a vereador em Barra Mansa, foi um dos poucos a assumir, pelas redes sociais, que é simpatizante do ‘sim’. “A voz das ruas se fez ecoar na Casa do Povo. A Câmara dos Deputados se mostrou forte e independente, como deve ser o Legislativo. Às luzes da Constituição, da legalidade, do estado democrático de direito e ao comando do titular do poder, que o Povo, o Brasil deu um grande passo pela independência”, postou em sua página do Facebook.

Choro – A petista Inês Pandeló, ex-prefeita e ex-deputada estadual, preferiu desferir petardos contra Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, que obteve, com apoio do vereador Rodrigo Drable Rodrigo, 6.446 votos nas últimas eleições em Barra Mansa. Com choro de perdedora, Inês postou uma foto do polêmico parlamentar com o seguinte comentário: “Ele já devia ter sido cassado, mas embora esteja cheio de processos, presidiu a sessão que cassou a presidenta”, escreveu.

Ah, para quem não sabe, segundo uma fonte, a ex-prefeita pagou cerca de R$ 400 mil de multa aos cofres da prefeitura de Barra Mansa e já não deve mais nada ao fisco municipal. A multa, com em cargos, era superior a R$ 1 milhão. Como pagou à vista, obteve um bom desconto.

Vai vendo – Resultado da vitória do ‘sim’ na noite de domingo: o PT do Rio rompeu com o PMDB fluminense e disse que não vai mais apoiar a candidatura do peemedebista Pedro Paulo à sucessão de Eduardo Paes. Os petistas garantem até que vão poder abandonar os cargos que ocupam na máquina da prefeitura do Rio. Tá bom! Ah, prometem lançar a candidatura da comunista Jandira Feghali nas eleições de outubro. “Traição é sempre traição. Todas elas doem”, pontuou Quaquá, presidente estadual do PT a respeito do voto de Pedro Paulo contra Dilma.

Da série perguntar… Quaquá vai orientar Paiva, vice-prefeito do PT, a brigar com Neto, do PMDB, já que Deley também votou contra Dilma? E os barbudinhos da cidade do aço estariam dispostos a entregar os cargos que ocupam no Palácio 17 de Julho?

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