Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 26 de Maio de 2017
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Publicado em 17/04/17, às 10:14

Gestão em xeque…

Antes das eleições de outubro de 2016, o candidato do PV, Samuca Silva, pregava a mudança na política de Volta Redonda. Apresentava-se como apolítico, o que não era. Dizia que os cofres palacianos tinham dinheiro; só não tinha um gestor capaz de promover o bem da população. Seus apelos foram ouvidos e no dia 1º de janeiro de 2017 subiu, triunfalmente, a rampa do Palácio 17 de Julho. Hoje, passados mais de 100 dias do governo Samuca, até os verdes já não o idolatram. Muito pelo contrário. “Me esquece e vai trabalhar”, o bordão adotado pelo ex-prefeito Neto, a quem Samuca passou a atacar dia sim outro também, passou a ser usado por amigos e inimigos.

 

Nas redes sociais, que foram pontos primordiais na eleição do ilustre desconhecido, a popularidade de Samuca é proporcional ao número de buracos existentes na cidade do aço. Para piorar, todos se chocaram diante do mico que foi levado a pagar com a estória do falso chanceler do Qatar. Estamos falando da denúncia do jornalista Aurélio Paiva, diretor-presidente do Diário do Vale, a respeito do sonho da equipe de Samuca de receber petrodólares do país do Oriente Médio para promover o desenvolvimento de Volta Redonda. Tudo não passou de uma grande lorota inventada nos gabinetes do Palácio 17 de Julho. A denúncia do DV caiu como uma bomba, virou assunto de polícia. Mas, até hoje, só fez uma vítima, do lado mais fraco na hierarquia palaciana: Donda, um assessor de Maycon (vice-prefeito).     

 

O filme de Samuca começou a queimar bem antes. O falso chanceler do Qatar, tratado a pão-de-ló pelos verdes, foi só a gota d’água. Tudo começou no primeiro dia de governo, quando Samuca pegou um ônibus na Avenida Amaral Peixoto, acompanhado de um fotógrafo e alguns assessores. Por pouco não enjoou na viagem até a Praça Sávio Gama. Os internautas não aprovaram a jogada de marketing. Pior que não foi a primeira. Só faltou andar de cadeira de rodas pela mesma avenida e vestir roupas de gari, como fez outro polêmico prefeito, João Dória, de São Paulo.

 

Em termos de gestão, que seria sua especialidade, Samuca iniciou seu governo decretando estado de calamidade financeira, contestada até hoje por Neto, seu antecessor. A partir daí, os dois passaram a se digladiar pelas páginas dos jornais e pelas ondas do rádio. Samuca diz que Neto deixou um R$ 1 bilhão de dívidas. Neto se defende e diz que o valor é bem menor. Garante até que deixou R$ 100 milhões em caixa.

 

Como gestor, Samuca também pisou na bola ao se associar a um grupinho de dirigentes da Associação Comercial, da CDL, do Sinduscon, do MEP da Burguesia. Até nomeou dois deles, bem remunerados. Outro foi elevado à condição de ‘aspone especial’, que só busca o poder. Aconselhado sabe-se lá por quem, o prefeito deu um tiro no pé ao lançar o protótipo de um programa de pagamento de dívidas deixadas por Neto. Iria pagar a quem lhe desse desconto do valor principal e aceitasse receber o restante em parcelas em até seis meses. Ninguém topou. Todo mundo criticou, menos os amigos da Aciap e CDL. Um deles, inclusive, é muito rico, mas sua família deve R$ 100 mil de IPTU, que poderia pagar e não paga, tanto que seu nome foi inscrito na Dívida Ativa. 

 

Apesar da relação íntima de poder com alguns executivos da Aciap e CDL, Samuca aprontou, em apenas 100 dias, para cima de pequenos e médios empresários ao promover, utilizando um bíceps, mudanças no trânsito da Avenida Amaral Peixoto, a via mais importante de Volta Redonda. Para agradar a alguns taxistas, entre outros, criou uma faixa seletiva, à direita, para ônibus. Tudo de supetão. Pior. Cortou mais de 100 vagas de potenciais clientes das lojas existentes no centro. Prova de que os ‘burrocratas’ não sabiam o que estavam fazendo é que até hoje tudo está sendo feito de forma experimental. Um dia muda aqui, outro ali etc. Na Avenida Paulo de Frontin chegaram a anunciar que fariam o mesmo. Não fizeram e olha que já se passaram mais de 15 dias do prazo estipulado.

 

Como gestor, até hoje, 100 dias depois, Samuca ainda não disse por que subiu a rampa do Palácio 17 de Julho. Como político, também não. Como se ainda estivesse em campanha, passou os últimos três meses criticando o governo Neto. E pagou mais um mico – tão danoso quanto o do falso chanceler do Qatar – ao tentar conquistar uma cadeira no Conselho Deliberativo do Clube Comercial, reduto político e social do ex-prefeito. Disputou as eleições e perdeu feio. A decisão de participar da eleição e a derrota foram criticadas pelos amigos e ironizadas pelos adversários.

 

Ainda vivendo da fama de bom gestor que seria, Samuca tem se mostrado um bom marqueteiro. Demitiu uma penca de cargos comissionados, pessoas de todos os escalões. E contratou um número maior de CCs, muitos ganhando acima do que ganhavam os demitidos. Dispensou, além de Donda, amigo do falso chanceler, algumas figuras proeminentes como Ronaldo Alves, que sonhava em retornar ao IPPU-VR. Demitiu Luiz da Feira, candidato derrotado à Câmara. E, pasmem, até hoje, 100 dias depois, não conseguiu dar a cadeira de titular a um secretário-especialista que anunciou que iria trabalhar com ele: Wellington Silva, da Suser. Ele está lá, mas não assina como chefe. Será que ganha como tal?    

 

Que Samuca esqueça as eleições, esqueça Neto, que pare de dar ouvidos a quem só quer levar vantagens, mesmo que isso prejudique seu governo. A cidade, ao contrário do que ele pensa, está abandonada, cheia de buracos, mato alto, luzes queimadas. Os postos de Saúde estão sem remédios, nem esparadrapos têm e os aparelhos estão sem manutenção. Que pare de fazer experiências. E que nos próximos 100 dias mostre que pode ser um bom gestor.

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