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Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Publicado em 03/12/18, às 09:55

Futuros obesos

Os adolescentes do estado do Rio de Janeiro acompanhados pela atenção básica do SUS estão se alimentando mal. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), apontaram que, em 2017, 57% deles consumiram produtos industrializados regularmente, como macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado. Além disso, 53% desses jovens ingeriram hambúrguer e/ou embutidos; e 49% biscoitos recheados, doces ou guloseimas. Os números servem como um alerta para a má alimentação por esta parcela da população.

 

Para o coordenador-substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Eduardo Nilson, os jovens precisam se atentar mais à alimentação adequada. “Dados revelam que adolescentes com obesidade aos 19 anos têm 89% de chance de ser obeso aos 35 anos, por isso é necessário investir na promoção de uma alimentação adequada e saudável, especialmente na infância e na adolescência, tendo em vista a relação de práticas alimentares inadequadas com o aumento da obesidade na população”.

 

Quando se observa por sexo, os percentuais mostram que o consumo de industrializados, fast foods e alimentos doces recheados/guloseimas não se diferenciam muito, sendo um pouco maiores nos meninos do Rio de Janeiro. O primeiro grupo de alimento, por exemplo, é consumido por 59% delas, enquanto os adolescentes representam 60%. O consumo de alimentos do segundo grupo de alimentos é de 55% dos jovens do sexo masculino e 49% do feminino. Já os recheados são preferência de 46% deles e 47% delas.

 

O balanço de acompanhamento também trouxe dados por região, que mostram que 58% dos adolescentes do Sudeste consumiram produtos industrializados, como macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado; 43% consumiram hambúrguer e/ou embutidos e 43% biscoitos recheados, doces ou guloseimas. A região Norte apresenta o menor percentual. Já o Sul do país é o que apresenta a maior quantidade de jovens consumindo hambúrguer e/ou embutidos; macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado, com 54% e 59% respectivamente. Quando o assunto são biscoitos recheados ou guloseimas, a região Sul também está na frente (46%), mas empatada com os jovens nordestinos (46%).

 

Os maus hábitos à mesa têm refletido na saúde e no excesso de peso dos adolescentes. Números da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) trouxeram que 7,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos estão obesos, sendo maior entre os meninos (8,3%) do que nas meninas (7,3%). O Sisvan revela que 8,2% dos adolescentes (10 a 19 anos) atendidos na Atenção Básica em 2017 são obesos.

Hábitos saudáveis 

O incentivo para uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas é prioridade do governo Federal. Para apoiar a adoção de hábitos alimentares saudáveis, o Ministério da Saúde publicou em 2014 o Guia Alimentar para a População Brasileira que traz as diretrizes nacionais e as recomendações sobre alimentação adequada e saudável. Dentre elas, a regra de ouro que facilita a aplicação das recomendações – “Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”.

 

Para proteger trabalhadores (as) do Ministério da Saúde e de outros órgãos, a pasta publicou uma Portaria proibindo venda, promoção, publicidade ou propaganda de alimentos industrializados ultraprocessados com excesso de açúcar, gordura e sódio e prontos para o consumo dentro das dependências do Ministério. O órgão também participou da assinatura da portaria de Diretrizes de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável no Serviço Público Federal. Sugerida pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, a diretriz orienta formas da alimentação adequada e saudável nos ambientes de trabalho do serviço público federal. Além disso, constrói uma campanha pela adoção de hábitos saudáveis chamada Saúde Brasil.

 

O Ministério da Saúde também adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país. Durante o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, realizado em março de 2017 em Brasília, o país assumiu como compromisso deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.  Outras iniciativas que buscam proteger indivíduos e coletividades apoiam-se na prevenção de danos e riscos ocasionados por ambientes desfavorecedores de uma prática alimentar saudável.  

 

 Destacam-se as ações realizadas no ambiente escolar, como o Programa Saúde na Escola que orienta a articulação no território entre os profissionais de saúde da Atenção Básica e os profissionais da escola para desenvolver ações de promoção da saúde e prevenção de doenças como obesidade, por exemplo, e a implementação de normas e regulamentações para cantinas de escolas públicas e privadas com objetivo de limitar a venda de alimentos não saudáveis, considerando que o ambiente em que crianças e adolescentes fazem suas escolhas alimentares precisa favorecer as opções saudáveis e protegê-los dos fatores que contribuem para as doenças relacionadas à alimentação.

 

As cantinas escolares que muitas vezes oferecem alimentos de baixo valor nutricional contribuem para escolhas não saudáveis pelas crianças e, é papel do estado priorizar o ambiente escolar como um dos espaços para o desenvolvimento de estratégias de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável.

Por Victor Maciel, da Agência Saúde

Encarando as mudanças
Preocupado com o agravamento da saúde pública, o Ministério da Saúde tem buscado promover, principalmente nas escolas, o hábito da alimentação saudável e da prática de atividades físicas. Porém, essa medida cabe a toda a população – a mudança de hábitos pode significar ganho de qualidade de vida e longevidade para todos. Os males causados por doenças crônicas já são uma realidade na vida de muitos brasileiros, porém a adoção de algumas práticas pode facilitar o convívio com essas enfermidades.

Muitos só fazem mudanças na alimentação após descobrirem doenças relacionadas, porém a prevenção ainda é a melhor solução. Alguns pequenos hábitos podem ajudar na perda e manutenção de peso, além de facilitarem a ingestão de nutrientes essenciais, de acordo com Marcela Herculani, nutricionista da Nova Nutrii, essas medidas podem facilitar a reeducação alimentar:

Prefira sempre alimentos naturais: consumir mais frutas e verduras, e sempre que possível, preparar as refeições em casa – dessa forma é possível controlar a quantidade de óleo, sal, açúcar outros elementos que possam aumentar o valor calórico da refeição;
Pesquise frutas, verduras e legumes da época: devido à grande oferta desses alimentos são mais baratos e frescos;

Quando fizer refeições fora de casa, opte por buffets que ofereçam saladas e grelhados, porém tome cuidado ao temperá-los;

Troque o refrigerante por bebidas mais saudáveis como água de coco e sucos naturais;
Comer de 3 horas é essencial para manter o metabolismo acelerado e evitar comer em excesso na refeição seguinte, portanto faça pequenos lanches entre as refeições, como frutas in natura ou secas;

Crianças que recusam determinados alimentos ou tem falta de apetite podem precisar de suplementos nutricionais para complementar o aporte de nutrientes;
Inclua fibras no seu cardápio: esse nutriente facilita a digestão e aumenta a sensação de saciedade;

Não corte alimentos deliberadamente: todos os alimentos naturais oferecem algum tipo de nutriente importante, o que pode prejudica seu valor nutricional é a quantidade e/ou o modo de preparo: prefira assados, evite frituras.

Procure manter uma refeição equilibrada, com porções adequadas de cereais, hortaliças, leites e derivados, carne, açúcares e carboidratos.

Ler a tabela nutricional dos alimentos levando em consideração todos os nutrientes, não apenas a quantidade total de calorias. Além disso prestar atenção na porção, muitos caem na pegadinha e comem o pacote inteiro achando que tem poucas calorias, quando a quantidade calórica indicada corresponde à uma fração do alimento.
Pratique alguma atividade física: estudos apontam que 30 minutos de atividade física diárias já são suficientes para trazer benefícios à saúde;

Consulte um profissional nutricionista/endocrinologista para encontrar a dieta ideal para seu perfil;

Essas medidas são válidas para todos, obesos ou não – e ainda beneficiam pessoas que já convivem com doenças crônicas. Em casos específicos, uma dieta especializada pode ser desenvolvida por um profissional capacitado e trazer mais qualidade de vida ao paciente com problemas crônicos. Porém, no geral, essas dicas podem ajudar a adoção de uma rotina saudável que resulte na perda de peso e no ganho em saúde. Alimentar-se bem é alimentar-se com qualidade.

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