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Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019
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Publicado em 26/08/19, às 10:01

Filhos do aço

Existe uma geração em Volta Redonda que cresceu com a CSN sem nunca ter trabalhado nela. Acompanhou, mesmo que sem entender, as grandes greves promovidas pelo Sindicato; usufruiu do lazer oferecido pelo Recreio do Trabalhador; recebeu atendimento médico no Posto de Puericultura; ganhou mesada da girafa; comeu o lanchinho de pão com presunto e chocolate que era distribuído aos funcionários ou frequentou algum clube, cujo imóvel era (e ainda é) da empresa. Parte desta geração não está mais na cidade do aço, e embora longe do pó preto, segue percorrendo o mesmo caminho de sempre: a corrida do aço.
Neste contexto há dois nomes que se destacam no mercado siderúrgico brasileiro. São executivos que, se não nasceram em Volta Redonda, foram criados aqui, em meio à poluição e à fuligem lançada pelos fornos da usina. Seguiram carreira na siderurgia, provando que houve, sim, uma geração que sofreu a forte influência da CSN – não apenas com a presença da usina, mas também de uma escola técnica (ETPC) e de uma universidade (UFF de Metalurgia). Não se pode negar, ainda, outros tantos ‘filhos do aço’ que, a exemplo dos pais, foram trabalhar na UPV.
Um destes nomes importantes que se destaca no mercado siderúrgico brasileiro é o de Eduardo de Salles Bar-tolomeo. Nascido em Volta Redonda, Eduardo é diretor-presidente da Companhia Vale. Ele foi nomeado em março deste ano, com a missão de reerguer a empresa e melhorar a imagem da mineradora, praticamente destruída depois da tragédia em Bru-madinho. Eduardo nasceu, cresceu e estudou na cidade do aço. Em 1988, ano da Grande Greve na CSN, ele se formava na Escola Superior de Engenharia Metalúrgica da UFF – aquela que fica na Vila, em frente à UPV. De lá para cá, galgou degraus cada vez mais altos, até chegar na presidência da maior mineradora do Brasil.
Outro nome importante neste segmento é o de Benjamin Baptista Filho. Nascido no Nordeste, Benjamin foi criado na cidade do aço. Seu pai foi engenheiro na CSN, passou por vários setores até alcançar a presidência. Benjamin Filho é hoje presidente da ArcelorMittal – uma das principais concorrentes da CSN. Recentemente, o executivo venceu o Prêmio Líder Empresarial 2019, na categoria Líder em Maiores Empresas do Espírito Santo. Aos 65 anos, ele preside a ArcelorMittal e é CEO da Arcelor Aços Planos.
Grande parte da vida de Benjamin foi dedicada à siderurgia. Ele tem 36 anos de profissão e acumula prêmios na área. O último reconheceu o talento de empresários capixabas que se destacaram em seus respectivos segmentos. “A siderurgia está no meu DNA. Meu pai foi funcionário de carreira da CSN, em Volta Redonda. Começou como engenheiro e chegou a presidente”, contou Benjamin, que começou a trabalhar no desenvolvimento da ArcelorMittal Tubarão no início da década de 1980 e, de lá para cá, construiu uma história de desafios e conquistas.
O primeiro desafio foi iniciar as exportações de placas de aço da Arcelor para o outro lado do mundo – atividade que até então ninguém desenvolvia. “Eu lembro que, nos primeiros estudos, nós tentamos quantificar qual o mercado internacional de placas. Naquela época, não existia ninguém vendendo placa para mandar para outro continente. Foi um grande desafio começar essa operação e conseguir transformar um negócio que não existia em um negócio de sucesso”, contou.
Sobre a premiação, Benjamin Baptista Filho se diz reconhecido. “Ser líder é um desafio prazeroso. Liderança é gerir pessoas dos mais diferentes tipos de experiência, cultura e valores, entendendo e respeitando essas diferenças e direcionando-as a trabalhar juntas e produtivamente (…) Eu sempre trabalhei em equipe, sempre busquei motivar minhas equipes. A parte fácil talvez seja poder trabalhar com maior autonomia e liberdade para elaborar seus próprios processos e tarefas, podendo escolher a forma como vai executá-los”, concluiu.

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