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Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2019
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Publicado em 04/11/19, às 10:58

Fake news

Uma nota publicada na página de ‘Grampos’ do aQui deu o que falar no meio político de Volta Redonda. Tudo porque Jorge Vinícius, o Jorginho, ex-assessor do ex-deputado federal Jorge de Oliveira, o Zoinho, apareceu nas redes sociais declarando apoio ao ex-prefeito Neto, com direito a foto dos dois juntos (ver reprodução). Na postagem, Jorginho elogia Neto, e diz que teria sido convidado pelo ex-prefeito para “uma conversa agradável”. “O mundo gira, a política é uma caixa de surpresas e o conhecimento libertador”, justificou Jorginho na postagem.
Quem conhece os bastidores e os protagonistas da política voltarredondense logo entende a postagem como uma “aliança” que estaria sendo feita entre Neto e Zoinho para as eleições de 2020. O propósito da união dos ex-inimigos, óbvio, teria um objetivo maior: o de derrotar Samuca, que deve buscar sua reeleição. Ouvidos pelo aQui, tanto Neto quanto Zoinho negaram, categoricamente, a possibilidade de caminharem juntos. Contra Samuca ou contra qualquer outro.
“O atual governo não será derrotado pelas alianças que eu fizer, mas sim por aquelas que escolheu fazer a partir do momento em que assumiu o poder. Toda eventual aliança que for feita por mim será pública e com um único objetivo: reconstruir Volta Redonda”, justificou Neto, que ainda comentou a visita do ex-assessor de Zoinho: “Eu estava no escritório do (ex-deputado federal) Deley, na Amaral Peixoto, como faço quase todos os dias. Recebo muita gente lá, como foi o caso desse rapaz (Jorginho). Ele pediu para tirar uma foto, eu ia fazer o quê? Negar? De jeito nenhum, tiro foto com quem me pedir”, acrescentou.
Neto foi além. Afirmou que é mais fácil Zoinho se aproximar de Samuca do que dele próprio. “Pelas pessoas que compõem o governo e pela forma de governar, acho que há muita afinidade entre o Zoinho e o Samuca. E falo isso com total respeito aos dois”, disparou.

Certeiro
O ex-prefeito acertou na mosca. Depois de negar veementemente qualquer possibilidade de firmar aliança com Neto, que o chamava de ‘inimigo nº 1’, Zoinho afirmou que vem conversando sobre política com o prefeito Samuca desde que este assumiu o Palácio 17 de Julho, em janeiro de 2016. “Na verdade, a trajetória política do Samuca começou lá no meu gabinete, através do atual vereador Luciano Mineirinho, que era meu assessor na época e é padrinho de casamento do Samuca”, pontuou o ex-deputado.
Zoinho lembrou que não foi convidado a fazer parte da “barca” que aportou recentemente no governo Samuca – levando, entre outros, os ex-candidatos a prefeito Nelson Gonçalves e América Tereza – porque estava nos Estados Unidos, onde vivem alguns parentes dele. “Nós (ele e Samuca, grifo nosso) sempre conversamos sobre política. Tivemos algumas reuniões no início deste ano, que até saíram na imprensa. Ele (Samuca) já me chamou diversas vezes para conversar, mas não tenho cargo no governo”, contou.
Sobre o ex-prefeito Neto, Zoinho foi comedido, mas firme. “Não há a menor possibilidade de caminharmos juntos na política, nem agora, nem no futuro. Nunca conversei com o Neto depois da eleição (em 2012, quando os dois disputaram o segundo turno, vencido por Neto, grifo nosso). Tenho muito respeito por ele pessoalmente, quando nos encontramos, nos cumprimentamos, mas nunca vou caminhar politicamente ao lado dele, as divergências são muitas”, afirmou, de forma bem categórica.
Sobre o ex-assessor Jorginho, Zoinho disse que ele seria um “rapaz jovem, com boas ideias”. “É meu amigo, e eu o admiro”. Mas garantiu não ter nenhum “controle sobre ele”. “Quando a gente tem um mandato, um grupo político, podemos dire-cionar as pessoas, orientar para um ou outro apoio. Mas eu não tenho grupo no momento, não tenho nenhum domínio sobre ele (Jorginho)”, afirmou.

“Candidato 100% inelegível”
O aQui também procurou o prefeito Samuca Silva para saber sua opinião sobre a possibilidade – já negada – de aliança entre Zoinho e Neto. Ele não deixou por menos e rebateu as críticas do ex-prefeito. “Só quero no meu governo quem contribui e constrói. O ex-prefeito faz parte do grupo do PMDB que assaltou o estado do Rio e conseguiu destruir os pilares da administração pública aqui em Volta Redonda. Lembro que boa parte desse grupo está presa nesse momento”, pontuou Samuca.
O atual prefeito ainda fez questão de dizer que, durante o mandato de Neto, transparência e eficiência não eram marca registrada do Palácio 17 de Julho. E foi além. Ironizou uma possível aliança de Neto e Zoinho. “Seria o candidato 100% inelegível”, cutucou. “Fico feliz em saber que o Zoinho assumiu que não ficará ao lado de Neto, pois ele (Neto) faz mal à cidade. Exemplo disso é olhar como em pouco tempo quantos empregos criamos, a desburocra-tização para abertura de postos de gasolina e, ainda, nossa briga para licitar as linhas de ônibus. Tudo isso era inimaginável antes de 2017”, acrescentou.
Samuca ainda ressaltou como foi seu início na carreira política, contradizendo Zoinho. “Eu iniciei minha caminhada na política em 2000, ainda na faculdade, através do movimento estudantil”, comentou.

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