Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019
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Publicado em 17/12/18, às 09:25

Fake, mas nem tanto

Para muitos, Heitor Amaral é um fake. Fala de tudo e de todos e, até prova em contrário, ninguém descobriu sua identidade. Mas todos sabem que ele conhece bem a maioria dos políticos barramansenses e não perdoa nenhum deles, especialmente se for do governo Rodrigo Drable, a quem batizou de ‘prefeice’. Às vezes, fala tanta coisa da vida particular dos outros que muitos não dão crédito às suas postagens.

 

Mas nem sempre é assim. Na terça, 11, ao publicar uma nova postagem, por volta das 12h30min, Heitor Amaral agitou a política local. Com o título de “POLITI-CAMENTE CORRE-TO”, o internauta denunciou Fanuel Fernando, presidente do Saae-BM, por dever a soma de R$ 740 mil aos cofres públicos e por estar com o nome na lista suja (dívida ativa) da autarquia. “Fiquei assustado em saber que FANU-EL, se encontra inscrito na Dívida Ativa do SAAE. Pasmem o atual Diretor DEVE AOS COFRES PÚBLICOS MAIS DE R$ 740.000,00 (SETECEN-TOS E QUARENTA MIL REAIS)”, escreveu.

 

Heitor Amaral, ou quem quer que seja, foi além. “Pode não ser ILE-GAL que alguém que tenha uma dívida junto a um órgão público, seja Diretor do mesmo, mas no mínimo é DUVIDOSO e IMORAL!!! Com a palavra o PREFEI-CE DIGÃO DA BICICLE-TA”, completou, cobrando respostas do prefeito Rodrigo Drable, que até o fechamento desta edição não tinha emitido nenhuma nota a respeito. “Triste Cidade!!! Eu tb amo Barra Mansa!!!”, definiu o internauta.

 

Se Rodrigo quieto estava, Fanuel, o ofendido, esbravejou e fez questão de responder a Heitor Amaral. Ou seja, deu vida ao fake. “Sro Heitor, achei bom o sr colocar esse questionamento, no governo do então prefeito José Renato foi criada lei de subsídio que todos funcionários que ocuparam cargo de secretário teriam direito, como ocupei tive direito, ocorre que a diretoria que sai pegou o meu valor do salário e tornou isso em dívida ativa, não existe isso em país nenhum, eu estou muito tranquilo, porque não tenho dívida com o saae, recebi salário, quanto as outras acusações, tenho a consciência tranquila. Eu sei que incomodo até porque eu não tenho nada a esconder. Sr Heitor gostaria de convidar para mostrar a veracidade do que falo”, respondeu, com o linguajar próprio dos internautas apressados.

A tréplica virtual não demorou nada. “Sr. FANUEL, pelo que soube a Lei que criou a Incorporação de Subsídios, foi declarada Inconstitucional pela Justiça. Sendo somente legal para a incorporação de Subsídios de Sub-Secretário, que não é o seu caso. O TCE e a Justiça consideraram ilegal o recebimento do Subsídio incorporado aos Secretários, esse sim seu caso. A dívida junto ao SAAE se deve ao fato que o Senhor recebeu indevidamente e de deve devolver os valores recebidos aos cofres públicos. Como até hoje o Senhor não fez a devolução dos valores e muito menos fez um acordo de pagamento. Por isso seu nome foi incluído na Dívida Ativa. Não questiono sua competência ou a legalidade de sua nomeação. Só que eu acho no mínimo DUVIDOSO e IMORAL o Senhor ser o Diretor e Ordenador de Despesas do Órgão que tenha uma dívida de milhares de reais”, rebateu Heitor, o fake que deixou de ser fake, pelo menos nessa história.

 

Acha que os dois pararam de debater pelas redes sociais? Ledo engano. Logo a seguir, Heitor ironizou o fato de Fanuel não ter o que fazer ao ficar usando a internet em horário de serviço. “Sr Heitor o meu recurso, está na justiça, porque a antiga direção do saae cálculou a minha devolução, com multa, juros e correção, ocorre como o senhor é uma pessoa esclarecida disso tenho certeza, salário não pode sofrer esses índices, concorda comigo para o senhor ver como diretor do saae, não aprovetei do cargo para ter benefício em manusear situações a meu favor. Estou aguardando a justiça. Gostaria de enviar cópias do processo para o senhor, como fazer uma coisa garanto ao senhor que como entrei no saae vou sair, ou seja pela porta da frente. Abraços”, respondeu Fanuel garantindo estar usando o computador em horário de almoço.

 

Procurado pelo aQui, Fanuel mandou um áudio para explicar o que poderia estar acontecendo. E foi taxativo. Garantiu estar sendo vítima de adversários políticos, que estariam preocupados em prejudicá-lo e, por tabela, ao prefeito Rodrigo Drable. Antes, contudo, disse o que aconteceu para gerar a dívida para com o Saae-BM. “Eu era secretário de governo no período do Zé Renato e a Câmara de Barra Mansa aprovou uma lei permitindo que todo servidor que tivesse exercido cargo de secretário, depois de 8 anos, poderia incorporar o subsídio ao salário, e assim foi feito”, contou. “De 15 a 20 servidores tiveram essa concessão”, completou, sem revelar os nomes dos beneficiados.

 

Segundo Fanuel, o prefeito Jonas Marins, que assumiu a prefeitura depois de vencer Zé Renato, mudou a regra do jogo. “Ocorre que o governo Jonas Marins entrou com a inconstitucionalidade da lei e realmente o TJ disse que a lei era inconstitucional, então paramos de receber. E o Ministério Público passou a pedir que devolvêssemos o dinheiro”, revelou Fanuel. “Nós entramos na justiça dizendo que apenas recebemos o salário. Que não foi nada anormal. Existia a lei e a gente recebeu (o benefício, grifo nosso) como salário”, acrescentou.

 

Garantindo que a antiga direção do Saae-BM, da qual “era desafeto”, teria mandado calcular o que ele teria recebido com correção, multa e juros. “Calcularam como se eu estivesse devendo água para o Saae. Eles pegaram o que eu recebi (do Saae), calcularam multa, correção e juros, como se estivesse levantando o valor da água do meu imóvel”, contou, garantindo que o Saae nunca poderia ter feito os cálculos do que teria a devolver como se fosse dívida de fornecimento de água. “Isso não existe”, disparou.

 

Por último, Fanuel Fernando garantiu ao aQui que caso a Justiça o condene a devolver o que recebeu, ele pagará tudo direitinho. Desde que: “Posso devolver sim, mas dentro da legalidade. Eu recebi um salário – em 13 meses – de R$ 100 mil, o equivalente a R$ 10 mil por mês. Agora me mandaram uma dívida de R$ 600 mil. É, no mínimo, exorbitante e tem cunho político”, comparou. “Eles estão fazendo isso porque o Saae está em evidência; o Saae é a melhor secretaria de Barra Mansa, nós estamos dando um impulso aqui na administração, melhorando a administração, enfim. É lamentável que um ‘fakenews’ faça isso e coloque aí o nome da instituição e meu nome, né? Infelizmente é isso. Eu estou muito tranquilo pela situação, pois eu não recebi nada fora da lei. E se tiver que devolver, irei devolver, mas dentro de uma coisa, justa, né? Sem correção, sem multas, sem juros. Infelizmente para tentar me derrubar e derrubar o serviço que estamos fazendo no Saae, fizeram isso ai”, concluiu sem revelar quem estaria por trás de Heitor Amaral, o fake que todos acompanham em Barra Mansa.

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