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Quinta-Feira, 16 de Agosto de 2018
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Publicado em 16/04/18, às 09:53

Extremos

05-03-2018- Nutri SUS - Fotos Evandro Freitas.. (3)

Em menos de 24 horas, a secretaria de Saúde de Volta Redonda foi das palmas às vaias. Ou das vaias às palmas. É que ninguém sabe dizer se o que aconteceu envolvendo dois setores da pasta não passou de uma tremenda coincidência. Ou se a foto, onde aparece uma dúzia de crianças almoçando (felizes, por sinal), não foi só para reduzir o impacto de outra foto – de um pão velho, feio, e possivelmente duro, que uma internauta postou nas redes sociais para reclamar da alimentação que estaria sendo fornecida aos pacientes do Hospital do Retiro. “Olha só o pão que deram para minha irmã comer no hospital do Retiro, pão mofado, outra paciente achou cabelo na comida, ontem, o frango estava cru! Depois dizem que não podemos levar comida para o paciente”, escreveu a internauta identificada como Janinha Cândido. Detalhe: sua postagem rendeu 162 compartilhamentos até a tarde de terça, 10.

 

Entre os internautas que compartilharam o caso estava Aclessiani Oliveira, que fez questão de mencionar páginas, como a do aQui, entre outros veículos de comunicação, e internautas, como o prefeito Samuca Silva e todos os vereadores de Volta Redonda. “Será que nenhum de vocês tem conhecimento sobre isso? Vergonha”, escreveu no seu comentário.

 

O estranho é que nenhum dos internautas defendeu a direção do Hospital do Retiro. Os vereadores também não curtiram e não se defenderam das acusações nas redes sociais. Mas, em menos de 24 horas, a secretaria de Comunicação da prefeitura soltou o release mostrando que o município de Volta Redonda pratica a estratégia ‘de fortificação da alimentação infantil com micronutrientes em pó, NutriSUS, do Ministério da Saúde’.

 

O programa, para quem não sabe, prevê a adição direta de nutrientes à alimentação oferecida às crianças entre os seis e 48 meses de idade (antes de completarem quatro anos) nas creches municipais. Segundo o coordenador do setor de Saúde na Escola, enfermeiro Giuliano Exposito, o objetivo do programa é favorecer o desenvolvimento infantil com apoio nutricional. “Historicamente, no Brasil, há registros de carência nutricional infantil com a presença de anemia por falta de ferro. E, além do ferro, o NutriSUS garante outros micronutrientes como as vitaminas A, B1 e B2”, justificou.

 

Já o secretário de Saúde, Alfredo Peixoto, assegurou que o pleno desenvolvimento infantil é investir na saúde do adulto. “A falta de alimentos ou de nutrientes afeta o desenvolvimento da criança e as consequências percebidas na infância atingem a idade adulta. Comer bem é o melhor remédio para manter a saúde”, afirmou.

 

Samuca Silva fez coro, ressaltando que, cuidando da alimentação das crianças, seu governo estará cuidando da saúde da população. “E se temos à disposição uma ferramenta do Ministério da Saúde para melhorar a alimentação infantil, temos que trabalhar para implantar o programa e beneficiar o maior número de crianças possível”, disse.  

A fortificação da alimentação nas creches, segundo as autoridades municipais, só é realizada com autorização dos pais. O envelope com os micronutrientes, fornecido pelo Ministério da Saúde, é aberto na hora que a comida é servida – no almoço ou no jantar – e o pó é acrescentado somente para as crianças que têm autorização. Hoje, 27 das 35 creches de Volta Redonda teriam aderido ao NutriSUS e o número de crianças que recebem a fortificação alimentar chega a 2.760.

 

O programa prevê a ingestão de, no mínimo, 36 doses, em dois ciclos anuais, pois o uso não deve ser contínuo. “Volta Redonda optou por ofertar 50 doses por criança, contando com possíveis faltas à creche. As crianças recebem uma dose por dia, de segunda a sexta-feira”, explicam, garantindo que o mais importante é a aceitação das crianças na hora da ingestão dos micro-nutrientes.

 

De acordo com uma das professoras do maternal III da Creche Municipal Nosso Espaço, no Volta Grande III, Diana Viana Silva da Silveira, a maioria de seus alunos, na faixa etária dos três anos, não tem dificuldade para comer a fortificação. “Despejamos o envelope e eles mesmos misturam o pó na comida. Não há queixa sobre mudança no gosto ou gosto ruim”, disse, acrescentando que na turma dela, das 21 crianças, 15 recebem o complemento em pó.

 

Sofia, de quase quatro anos, faz a fortificação alimentar desde o maternal I, quando entrou na creche, e já está chegando ao limite da faixa etária que recebe os nutrientes. “A comida aqui é muito gostosa e o pozinho não tem gosto de nada”, disse, saboreando o segundo prato de almoço.

 

Theo, que acaba de completar os três anos, também recebe o complemento alimentar e, como a amiga Sofia, comeu duas vezes a refeição. “Gosto da comida e de comer sozinho”, endossou.

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