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Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017
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Publicado em 04/09/17, às 08:22

“Eu não faria isso”

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O prefeito Samuca Silva está como um cego no meio de um tiroteio. A observação não é de nenhum dos seus adversários, como o ex-prefeito Neto. Muito pelo contrário. É de um dos seus aliados – tipo aqueles que batem em seus ombros para lhe dar parabéns por alguma notícia, como a de trocar o Escritório Central por dívidas que a CSN tem para com o Palácio 17 de Julho.  E que o critica por discordar do projeto de assumir o ‘elefante branco’ mais emblemático da cidade do aço.

 

É óbvio que, como fonte, ele pede para não ser identificado, pois tem trânsito livre pelos corredores palacianos. “É mais uma jogada de marketing, influenciado por empresários”, dispara, referindo-se ao bom trânsito que Samuca aparentemente teria com Benjamin Steinbruch, presidente da CSN. 

 

Jogada ou não, a proposta apresentada por Samuca agradou a muitos internautas. Mas, desagradou a um político de peso. O ex-prefeito Antônio Francisco Neto. Em entrevista na manhã de ontem ao programa Fato Popular, de Betinho Albertassi, na Rádio 88 FM, Neto detonou o projeto – ainda não especificado – de Samuca de adquirir o prédio da CSN usando como moeda de pagamento parte das dívidas que a empresa teria com os cofres públicos. “Eu acho viável essa compra, mas eu não faria isso como gestor”, pontuou o ex-prefeito, que hoje trabalha como assessor especial de Pezão.

 

Neto foi além. Disse a Betinho Albertassi que chegou a propor “algumas vezes” à CSN que a empresa passasse o Escritório Central à iniciativa privada e que isso teria o seu apoio como prefeito de Volta Redonda. “O Escritório Central tem um custo muito alto de manutenção. Nós tentamos várias vezes conversar com o Benjamin para trazer empresas para o Escritório Central, não para a prefeitura assumir a compra do prédio não, mas para um projeto para atrair empresas, em parceria com elas”, disse. “Nós apresentamos uma proposta ao Benjamin (Steinbruch) para que, em parceria com a iniciativa privada, nós assumíssemos o Escritório Central. As empresas comprariam e nós faríamos um cinturão de empresas para gerar empregos para o nosso município”, confessou.

 

Indagado por Betinho Albertassi a respeito do que a CSN teria de dívidas com Volta Redonda, o ex-prefeito disse que elas, basicamente, se referem a ISS e Passivo Ambiental. “A CSN tem uma dívida de R$ 30 milhões de ISS, referente a aluguel de equipamentos, que ela até reconhece, mas não paga”, afirmou. “Tem outras (de ISS, grifo nosso), mas essa de R$ 30 milhões é a maior”, acrescentou. “A maior de todas, da casa de R$ 200 milhões, é do famoso TAC Ambiental. A CSN diz que fez muita coisa e nós conseguimos provar na Justiça que ela não fez quase nada. Vai ter que pagar (a dívida), mas isso vai levar muito tempo ainda na Justiça”, finalizou.

Escritório Central

No mercado imobiliário é raro (ou quase impossível, até) alguém comprar ou alugar um imóvel sem antes visitá-lo. Mas na política não é assim. Prova disto é que o prefeito Samuca Silva, que fez uma proposta para a CSN, na semana passada, para o uso do Escritório Central, só resolveu conhecer as dependências do prédio na última quarta, 30. Ele percorreu os 16 andares do imóvel, em companhia de representantes da CSN – visitou desde o subsolo até a cobertura do imóvel. Samuca parece ter gostado do que viu. “Adquirir o prédio é possível e viável. Não é um projeto sonhador”, avaliou.         

 

Samuca, como o aQui já noticiou, quer transformar o Escritório Central da CSN em um Centro Estratégico Municipal, onde serão concentrados os departamentos da prefeitura, órgãos públicos, um centro de tecnologia e ainda uma incubadora de empresas interessadas em se instalar na cidade. Para adquirir o prédio, Samuca propôs “trocá-lo” por parte de um débito milionário que a CSN tem com o município referente ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).

 

Pelo que uma fonte do aQui afirma, a proposta apresentada por Samuca seria da ordem de R$ 50 milhões. Detalhe: R$ 20 milhões superior ao valor de uma única ação que a empresa tem e que, segundo o ex-prefeito Neto, reconhece, mas não paga.  

 

O uso do Escritório Central pelo governo Samuca representa, diz ele, uma economia de dinheiro público. Isto porque a prefeitura gasta, em média, R$ 700 mil em aluguéis e manutenção de prédios. Se conseguir transferir os órgãos e departamentos públicos para o Escritório Central, o valor ‘cai pela metade’. “É possível economizar, centralizando e dividindo custos. A intenção é também terceirizar espaços”, avisou. A prefeitura não informou o valor necessário para a manutenção do prédio da CSN, que segundo informações, seriam da ordem de R$ 700 mil mensais. Até o fechamento desta edição, a CSN ainda não tinha respondido à proposta da prefeitura. 

 

Uma fonte do aQui, entretanto, garante que isso poderá demorar um bom tempo, pois tudo que envolve ativos da empresa passa por longas reuniões. Apesar disso, ela dá uma esperança a Samuca Silva. “Eu diria que a chance da CSN topar fazer o negócio, em uma escala de 0 a 10, é 5. O problema vai ser ajustar o pagamento. A CSN deve ao município, mas o município também deve à CSN. Então, esse ajuste vai ser um pouco complexo. Mas a vantagem é que há interesse das duas partes”, pontua.

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