Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 25 de Novembro de 2017
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Publicado em 28/10/16, às 17:56

Especial Eleições

Raio-x do eleitor

A partir das 8 horas de amanhã, domingo, 30, milhares de voltarredondenses voltarão às urnas para eleger o sucessor do prefeito Neto (PMDB) – com quatro mandatos comandando o Palácio 17 de Julho. Vão escolher entre Paulo Baltazar (PRB) e Samuca Silva (PV). Na cidade do aço, estão aptos a votar 223.240 eleitores – quase dez mil a mais do que há quatro anos. A tendência, entretanto, é que pouco mais de 170 mil cumpram a obrigação de votar, não importa como. No primeiro turno, por exemplo, mais de 60 mil não votaram, votaram em branco ou anularam seus votos.

 

Outro detalhe: a maioria dos eleitores não chegou a completar o ensino fundamental, conforme levantamento feito pelo aQui no site oficial do Tribunal Superior Eleitor. Ou seja, 29% não chegaram a completar o 9º ano. Já os que não completaram o ensino médio chegam a 26%. Entre os 223 mil eleitores, 118.789 são do sexo feminino, o que corresponde a 53,2% dos votantes. Os homens chegam a 104.383, igual a 47,8% do eleitorado.

 

Importante e que pode influir no resultado da eleição no segundo turno: Os voltarredondenses que têm entre 50 e 64 anos são a maioria, com mais de 57 mil eleitores, seguido dos que têm entre 30 e 39 anos, que são 45 mil eleitores.

Confira os quadros ao lado com ao raio-x dos eleitores de Volta Redonda.

Exclusivo

Baltazar fala sobre a briga com Neto e pede conscientização dos indecisos; já Samuca não se surpreendeu com resultado do segundo turno e garante que empresários não vão dar pitacos no seu governo

“Tem que ter diálogo”

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Prefeito de Volta Redonda entre 1993 e 1996, o vereador Paulo Baltazar (PRB) quer voltar a comandar o Palácio 17 de Julho. Primeiro colocado no primeiro turno, com mais de 50 mil votos, Baltazar garante que tem a experiência necessária para fazer com que Volta Redonda continue longe da crise financeira que atinge não só o município, como o Estado e o país. Em entrevista exclusiva ao aQui, ele abriu o jogo: falou de planos para um novo governo, do desafio de vencer o verde Samuca Silva e, vejam só, não se esquivou de abordar um tema que não comenta muito: os motivos da briga com o prefeito Neto (PMDB).

 

Para quem não se lembra – ou não sabe –, Baltazar foi quem lançou a candidatura de Neto para prefeito de Volta Redonda nas eleições de 1996, quando ambos eram filiados ao PSB. Baltazar era prefeito e Neto ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa. “Às vezes eu me pergunto por que surgiu essa animosidade. Confesso que não foi da minha parte”, garante Baltazar. Ele vai além. Diz que os dois nem eram amigos. “A gente não tinha relação de amizade, éramos de classes sociais diferentes, eu estudei fora – só fiz a faculdade (Medicina, na FOA) aqui. Mas o fui conhecendo politicamente. Ele era do PL. Depois foi para o PSB, era deputado, então a gente o apoiou para ser o meu sucessor”, sublinhou.

 

De acordo com Baltazar, Neto não queria ser candidato, pois na eleição anterior teria ficado em último lugar na disputa. “Ele ficou atrás até do Edson Santana”, disparou, referindo-se ao ex-vereador do PT.  “Nós conversamos e falei pra ele ser candidato. O meu governo, que começou conturbado, estava melhorando e já estávamos bem avaliados junto à população”, destacou Baltazar, salientando que a estratégia deu certo. “Neto foi eleito”, resumiu, para logo acrescentar detalhes até então desconhecidos. “Neto deu continuidade ao nosso governo. Tanto que eu não indiquei ninguém; foi ele quem quis aproveitar muitos nomes do meu governo, como os secretários de Obras (Jerônimo Telles), Planejamento (Lincoln Botelho) e Saúde. O governo estava dando muito certo. Não havia razão para ele mandar embora. Então ele aproveitou o pessoal que estava dando certo”, completou Baltazar.

 

Não demorou muito para os dois – conhecidos por terem personalidades fortes – começarem a se estranhar. “Em janeiro ou fevereiro – meses após Neto assumir – fui surpreendido com uma notícia, plantada na mídia, que dava conta que havia dois mil funcionários fantasmas na prefeitura. Achei aquilo uma deslealdade. Aquela notícia não era verdadeira. Ele (Neto) colocou a culpa em um secretário dele. Depois fui descobrir que eram (os fantasmas) professores de férias, que não apareciam na folha”, pontuou. “Ali comecei a perceber que ele estava começando a romper comigo politicamente”, acrescentou Baltazar.

 

O ex-prefeito foi além. Confirmou ao aQui que havia um documento escrito e assinado em cartório em que Neto se comprometia a não ser candidato à reeleição em 2000, deixando a vaga para Baltazar tentar retornar ao Palácio 17 de Julho. “Isso realmente aconteceu, tenho cópia autenticada do documento”, disparou, voltando a falar do rompimento com Neto. “Eu realmente não sei quando as coisas ficaram mais azedadas. Eu ainda fiquei na minha durante o seu primeiro mandato. Eu até o apoiei na sua reeleição. E eu acho que ele fez um bom primeiro governo, até porque ele deu continuidade ao meu governo. Eu já era deputado federal, não tinha a vaidade de ser candidato. Mas eu era presidente do PSB e eu tinha a maioria do PSB no Rio, eu poderia ter conquistado essa vaga de candidato. Mas não quis que fosse assim. Eu busquei até certa aproximação política com ele. Aí depois da reeleição rompemos realmente de vez”, pontuou.

 

Questionado sobre a atual postura de Neto de dizer que ficará neutro, Baltazar não citou diretamente o nome de Samuca, mas sublinhou que nele o Chefe do Executivo não votaria nunca. “A maior preocupação dele (Neto) é comigo. Ele se pôs como meu inimigo. Ele serve até ao diabo, mas não serve ao Baltazar. Olha, eu acho que a preocupação dele comigo é a de não  me deixar  ganhar. A assessoria mais próxima dele está com o cara (Samuca) na rua, os vereadores mais próximos a ele estão pedindo votos para o Samuca”, disse Baltazar, ressaltando que a emenda do feriadão dado por Neto ao funcionalismo público – que só vai voltar a trabalhar na quinta, 3 de novembro – não irá prejudicá-lo. “Ele sabe que o funcionalismo não o aprova. Acho que é uma tentativa pouco inteligente. Os funcionários ganham pouco e não vão viajar”, brincou.

 

Desapropriação de terras

Durante a entrevista, que durou quase uma hora, Baltazar reclamou dos apoiadores de Samuca, principalmente, pelo comportamento do grupo no Facebook. “O pessoal que ocupa as redes sociais a favor do Samuca é muito agressivo. Eles invadem outras páginas. Se a pessoa declara apoio ao Baltazar, eles brigam. Fizeram isso com a minha mulher (Marri). Nosso pessoal vem de longe. Na verdade, ninguém esperava que ele chegasse ao segundo turno. Essa é uma onda, uma onda que não é Samuca. É uma onda de mudança. É uma onda de mudança não reflexiva”, pontuou.

 

Baltazar aproveitou para frisar que ganhar ou perder eleição é do jogo. “Gente, ninguém vai para o paraíso ou para o inferno porque ganhou ou perdeu uma eleição. Isso não é pessoal. Cabe à população decidir quem quer pelos próximos quatro anos”, ponderou, completando que quem vencer a eleição de amanhã, domingo, 30, terá muito a fazer. “Tem muito trabalho para fazer, seja quem ganhar. Tem que arregaçar as mangas e ir para dentro. É um encargo grande. A gente precisa pensar desde logo em como resolver os problemas da cidade”, avaliou.

 

Um dos maiores problemas a ser combatido, segundo o vereador, é o caixa da prefeitura de Volta Redonda. “O que me passaram é que o atual prefeito disse que duvida que o próximo prefeito vai pagar os salários de janeiro de 2017”, disparou ao ser lembrado que, ao contrário dos prefeitos das cidades vizinhas, Neto é o único que tem mantido o pagamento dos servidores em dia. “A prefeitura parcelou a dívida com a Light – de uns 30 milhões – para poder pagar os funcionários. Ele está vendendo ativos. Ele está fazendo das tripas coração para pagar os salários de todo mundo. Mas depois que ele pagar, e sair, ele vai deixar uma dívida muito grande. Ele não está pagando ninguém”, disse, referindo-se aos fornecedores da prefeitura de Volta Redonda.

 

Para Baltazar, o próximo prefeito vai ter que ter muito diálogo para conseguir governar. “Barra Mansa fez uma experiência que deu errado (ao eleger Jonas Marins, grifo nosso). Um discurso de mudança, de mudança na forma de fazer política. E o atual prefeito vai sair deixando um pepino grande para o Rodrigo Drable”, disse, ressaltando que a atual crise é bem diferente da que enfrentou em 1992, quando foi eleito para comandar o Palácio 17 de Julho. “Essa crise é maior porque é estadual, é nacional. E tende a ser mais profunda e mais longa porque a recuperação do Estado e do país não aparece no fim do túnel”, opinou. “Eu não vou falar o nome do prefeito, mas teve um novo prefeito eleito que me disse: não sei se foi bom ganhar”, completou para tentar demonstrar qual seria o tamanho do abacaxi.

 

O candidato do PRB – que é médico e tem 66 anos – diz que na primeira vez que assumiu a prefeitura de Volta Redonda, tinha noção do que fazer, pois já era vereador. “Eu não tinha noção de profundidade. E a vivência política, de vida, de ter sido prefeito, me mostra o desafio que tenho que vencer. A demanda cresce e os repasses vão diminuir. Precisamos de muito diálogo. Eu acredito que acumulei muita experiência e posso dar uma contribuição para Volta Redonda nesse momento”, disparou.

 

Segundo ele, o desafio de vencer a crise e planejar a cidade para os próximos anos é o que lhe motiva nesta eleição. “A gente precisa se planejar para os próximos cinco, dez ou 20 anos. Somos a maior cidade da região”, disse, usando o exemplo do setor siderúrgico que vive em crise. “Já existem materiais que concorrem com o aço, então precisamos planejar. Que tipo de indústria queremos? Que polo de inovação vamos buscar? Precisamos pensar a longo prazo. Isso é planejamento estratégico. E é preciso pensar de forma regional”, sublinhou, dando a entender que não pretende promover uma guerra de incentivos para atrair empresas.

 

“A própria CSN pode nos ajudar nesse planejamento, até colaborando para trazer empresas que compram suas chapas de aço”, disse Baltazar, salientando que nas margens da Rodovia do Contorno – onde as terras estão nas mãos de latifundiários e especuladores –, podem se instalar diversas médias empresas. “A gente vai precisar de apoio dos governos Federal e Estadual. Ali na Rodovia do Contorno a terra é do Mauro Campos (o Maurinho, que sonhava ser candidato a prefeito, grifo nosso), tem que desapropriar. Temos terras que podem servir. Se a gente tivesse um diálogo eficiente com a CSN, poderíamos trazer outras empresas”, pontuou Baltazar, referindo-se à ida da Nissan e da Arno para Itatiaia. “Só com a Arno eram cerca de 1.200 empregos que podiam ser de Volta Redonda”, lamenta.

 

Para o candidato do PRB, Neto errou em não oferecer incentivos fiscais para atrair empresas para a cidade do aço. “O que muitas cidades fizeram foi devolver para a empresa o valor que ela incrementou no ICMS (imposto estadual). Itatiaia fez isso e deu certo. A gente precisa também diminuir o Imposto Sobre Serviço e propor um imposto comum a toda a região. Pra eu não colocar 5% aqui e a outra cidade 2%. Na minha avaliação, a gente precisa diminuir o ISS”, destacou, anunciando que quer investir em uma Incubadora de Startups. “A gente quer juntar o Poder Público, a iniciativa privada e as universidades, tendo um lugar próprio para desenvolver esses projetos. Pode ser no Escritório Central, mas necessariamente não precisa ser lá”, disse, referindo-se ao elefante branco que se transformou a antiga sede da CSN. 

 

Secretariado

Baltazar garante que já tem alguns nomes na sua cabeça para compor sua equipe, mas adiantou que só vai pensar nisso depois das eleições – se ganhar, é claro. “Eu não tenho compromisso com ninguém. A gente tem que trazer pra dentro da prefeitura as pessoas com conhecimento técnico e capacidade de diálogo. Tem que ter diálogo. O que eu quero é colocar as melhores pessoas nas pastas. Agora, não fiz esse planejamento. É provável que em algumas áreas a gente precise trazer pessoas de fora”, destacou. “Isso se não encontrarmos essas pessoas no nosso próprio meio”, acrescentou.

 

Para o segundo turno, o candidato do PRB recebeu apoios de peso, como dos deputados Nelson Gonçalves (PSD) – derrotado no primeiro turno – e Edson Albertassi (PMDB). Questionado se eles vão poder dar palpites, Baltazar afirmou que é natural que façam sugestões. “Mas não é isso que é fundamental. Nós temos um projeto que as pessoas estão aderindo. Para ocupar a secretaria tem que ser pessoa com a capacidade de agregar e tocar o projeto. Vou ouvir a todos. Ninguém ganha eleição sozinho, nós vamos ouvir todos que aderiram ao nosso projeto”, completou.

 

No projeto de Baltazar, está a implantação de 100 km de ciclovias. “104 para ser exato”, frisa. E segundo ele, isso está previsto no Plano de Mobilidade Urbana de Volta Redonda. “Vamos ver, vamos fazer um estudo complementar. Volta Redonda é uma cidade muito urbana e pequena. As pessoas antigamente iam da Avenida Amaral Peixoto até a Vila a pé. Hoje não vão nem de bicicleta. A gente precisa tirar carros da rua, criar faixas exclusivas para ônibus”, comentou, ressaltando que o caminho para melhorar o trânsito passa por reduzir o número de carros nas ruas. “No mundo inteiro é assim – só a China faz o contrário. Temos que ter faixas exclusivas para ônibus, ciclovias e faixas de pedestres. Volta Redonda é enxuta, dá pra fazer”, aposta.

 

Outro apoio que Bal-tazar recebeu foi o do prefeito eleito de Barra do Piraí, Mário Esteves. Os dois até caminharam pelos bairros do Complexo Califórnia. Provocado a dizer se apoia a anexação da Califórnia à cidade do aço, Baltazar disse que não vê problemas na tese. “Mas a gente não pode criar ilusão, há um problema jurídico nisso. O município de lá vai perder terras e arrecadação. Então temos que tratar esse tema com muito carinho e muito respeito. Ninguém pode sair falando essas coisas sem responsabilidade. Eu disse recentemente que a Califórnia terá dois prefeitos, o Mário Esteves e eu”, pontuou.

 

Ainda vereador, Bal-tazar lembrou que muitos falam até na anexação da Região Leste de Barra Mansa a Volta Redonda. Segundo ele, moradores dessas localidades vêm para a cidade do aço, por exemplo, atrás de atendimento médico via SUS. “O SUS, por exemplo, faz repasse (aos municípios) por habitante. Então minha expectativa é fazer parceria com os outros municípios. Se eu atendo aqui, e Barra Mansa recebe lá, a gente tem que tentar uma compensação. Um equipamento, um recurso, alguma coisa. É possível construir pontes, por isso acho que o desenvolvimento é regional e o planejamento também”, disse.

 

Sonhando em voltar a subir a rampa do Palácio 17 de Julho, Baltazar sabe que vai precisar dos votos dos 60 mil voltarredondenses que não foram votar, ou votaram branco ou nulo. “Eu acho que o voto deveria ser facultativo. As pessoas têm o direito de não votar. Há uma grande crise política que estimula isso. Mas as pessoas têm que ter a consciência de que alguém vai ganhar a eleição. E quem ganhar vai implantar medidas pelos próximos quatro anos. Alguém vai governar. Então é importante tomar uma posição”, concluiu Baltazar.

“Arrumar a casa”

samuca

A maior surpresa da eleição em Volta Redonda foi, sem dúvidas, a ida de Samuca Silva (PV) para o segundo turno, que será disputado amanhã, domingo, 30. Ficou à frente de políticos como América Tereza (PMDB), Nelson Gonçalves (PSD) e Zoinho (PR). O jovem, de 35 anos, garante que, se eleito, vai fazer uma gestão profissional no comando do Palácio 17 de Julho e não deixa por menos: garante que representa uma verdadeira mudança na forma de se fazer política. Em entrevista exclusiva ao aQui, que durou cerca de 30 minutos, Samuca falou sobre a ‘onda verde’ e do apoio que recebeu nas redes sociais, garantindo ainda que nenhum empresário vai dar pitacos em seu governo.

 

Não é de hoje que Samuca virou o ‘queri-dinho’ das entidades empresariais de Volta Redonda, como CDL, Aciap e Sinduscon, onde a maioria dos dirigentes joga abertamente contra o prefeito Neto. O candidato do Partido Verde conta até com o apoio pessoal e financeiro de latifundiários, como Mauro Campos Pereira, dono de boa parte das terras da cidade do aço. Ao ser questionado sobre essa aliança com o setor, Samuca garante que nenhum deles irá dar palpites ou vai poder nomear alguém para seu governo. “Não tenho compromisso nenhum com Mauro Campos nem nenhum empresário. Essas pessoas têm a visão deles com relação à prefeitura atual e acreditam que eu posso favorecer o empresariado e a população de uma maneira geral. Mas não tenho compromisso nenhum com nenhum empresário. Nossos secretários serão escolhidos pela competência”, afirmou, destacando que o comandante da Guarda Municipal será o único a ser eleito pelos guardas em lista tríplice. “Não temos acordo com partidos, teremos a liberdade para escolher a equipe”, completou.

 

O apoio dos empresários a Samuca apareceu, mais explicitamente, quando o verde surpreendeu a todos ganhando o direito de disputar o segundo turno das eleições de Volta Redonda. Segundo Samuca, ao contrário do que a maioria pensa, ele sempre acreditou que chegaria lá. “Nós sempre acreditamos na mudança. Fizemos uma leitura do cenário nacional e municipal e num processo natural do desgaste do governo que está aí há 20 anos. Nós enxergamos que a sociedade queria algo diferente”, garantiu Samuca, ressaltando que fez mais de 80 reuniões em bairros diferentes da cidade do aço para montar seu plano de governo. “Nós aliamos duas coisas: a vontade da mudança e estar preparado para fazer essa mudança”, pontuou.

 

“Eu entrei na campanha eleitoral para ganhar, para ser prefeito. Eu me preparei para governar, não só para a campanha. E eleição é aberta. Eu esperava estar no segundo turno desde o início”, comentou o candidato do PV. “Com toda a humildade, eu realmente esperava pelo  que via na rua”, disparou, aproveitando para falar que muitos erraram – inclusive os vereadores – julgando que ele estaria na campanha pensando apenas nas eleições para deputado em 2018. “Nós fizemos uma grande campanha em 2014, tivemos quase quatro mil votos. Que é muita coisa, são quatro mil pessoas acreditando nesse projeto. E eu ouvi isso realmente na rua, até de políticos tradicionais, de que eu estaria me preparando para daqui a dois anos. Mas enxergando a população, o momento atual, eu acreditei”, comentou.

 

Samuca destacou ainda que as redes sociais foram fundamentais para chegar ao segundo turno. Segundo ele, sua equipe de campanha entendeu como seria importante utilizar a ferramenta durante o pleito. “Nós fizemos um trabalho muito forte nas redes sociais, desde a campanha para deputado federal. No Facebook a gente tinha 14 mil curtidas antes das eleições. Hoje passamos de 25 mil. É fundamental isso. A força da internet precisa ser entendida. Foi importante. A gente fez essa leitura da força das redes sociais. O momento político é ruim, então era necessário isso”, destacou, dando um exemplo de que um vídeo postado chegou a ter quase 100 mil visualizações.

 

Política

Durante a campanha eleitoral, Samuca sempre bradou que representava, além da mudança, uma nova forma de se fazer política. O que teria sido mal interpretado. “A nova política não é a dos acordos, das artimanhas. Nós temos diálogo. Temos apoio de oito vereadores eleitos, de ex-vereadores. A população está cansada desse troca-troca. E que tira a independência de governar. A nova política pensa na população. Nós temos a independência necessária para nomear nossos secretários. Nós temos a independência necessária para governar”, garantiu.

 

Logo que saiu o resultado de que estaria no segundo turno, Samuca deu entrevistas dizendo que não correria atrás do apoio dos derrotados. Mas depois conversou com a maioria deles. Questionado sobre o tema, garante que  teria sido procurado pelos outros políticos. “Não tive contato com o atual prefeito. Nem com o deputado Albertassi. Mas fui procurado pelos outros candidatos que não estão no segundo turno. Acho que fui mal interpretado. Em nenhum momento eu quis desmerecer ninguém, até porque eu já fui derrotado em duas eleições. Faz parte da política. O que eu quis dizer é que não vou lotear a prefeitura atrás de apoios. Recebemos e dialogamos. E agora estamos recebendo apoio de várias pessoas, até de partidos que estão com o outro candidato”, disse, jurando que ninguém lhe pediu algo em troca do apoio.

 

Apesar de dizer que faz parte de uma nova política, Samuca já foi filiado, além do PV, a outros dois partidos: PSDB e o nanico PTN. “Eu fui filiado ao PSDB em um momento que eu acreditava que era o certo. E a política é a arte de se encontrar, de mudar. Depois no PTN, um partido trabalhista, fiquei quatro anos levantando a bandeira do trabalhismo. Mas por conta das artimanhas, o PTN mudou de posição e acabou abrindo mão do Samuca. E fui pro PV, a convite do PV. A ideia da sustentabilidade vem a meu encontro e me deixa confortável dentro da legenda”, comentou Samuca, que se julga um político de centro-esquerda.

 

Samuca conseguiu, para o segundo turno, o apoio de oito vereadores eleitos para a próxima legislatura. Precisa conquistar no mínimo mais três para ter a maioria na Câmara, caso vença a eleição. Para isso, segundo ele, o caminho é o diálogo. “No domingo se encerra o processo eleitoral e começa um novo debate, esse da governabilidade. Já temos oito vereadores do nosso lado. Esse diálogo com a Câmara tem que ser permanente. Nós vamos frequentar a Câmara, estaremos nas sessões legislativas e também nas audiências públicas. Esse é o papel do prefeito, que tem que ter respeito pelo Poder Legislativo”, destacou.

 

Críticas de Neto

Até então em cima do muro, o prefeito Neto surpreendeu a muitos ao conceder uma entrevista ao Diário do Vale – divulgada na quinta, 27 – para justificar sua neutralidade. E nela, criticou tanto Samuca quanto Baltazar por falarem que vão fazer uma gestão eficiente, esquecendo que a atual gestão foi considerada uma das melhores do País pela Folha de São Paulo. Para Samuca, a crítica de Neto é natural. “Os dois candidatos representam a mudança, um da nova política e outro da velha política. Mas a mudança. É natural que ele fique neutro e ataque os dois. Mas o critério usado pela Folha de São Paulo a gente contesta. Até porque quem conhece a gestão de outras cidades sabe que aqui em Volta Redonda tem muita coisa para avançar. Nós estamos prometendo gestão, não obras megalomaníacas. Queremos arrumar a casa para poder avançar”, comentou.

 

Uma das propostas mais divulgadas de Samuca é a da criação da Tarifa Zero Comercial, com ônibus circulando para atender os centros comerciais de graça. “Será uma empresa vinculada à secretaria de Desenvolvimento Econômico. Vamos comprar os ônibus e contratar as pessoas. A estimativa é gastar R$ 18 milhões/ano. Esse valor a gente já levantou”, jura Samuca, ressaltando que quer conversar com os donos das atuais empresas que prestam serviço de transporte coletivo em Volta Redonda. “As empresas têm um atual contrato de concessão que precisa ser dialogado, rever algumas linhas, melhorar a qualidade. Tem bairros que cresceram, então vamos sentar com eles e conversar. Pelos atuais contratos, juridicamente falando, é impossível para o prefeito chegar e cancelar. O que queremos é melhorar a qualidade. Vamos cobrar melhorias e a Suser vai fiscalizar. Vamos sentar com as empresas e dialogar”, disparou.

 

Sobre a possibilidade de desapropriar terras para atrair empresas, já que Volta Redonda é um município pequeno em termos territoriais e as poucas terras disponíveis que existem estão nas mãos da CSN e de alguns poucos latifundiários, Samuca garante que antes de tomar alguma medida, pensa em dialogar com os proprietários dos terrenos. “Volta Redonda tem terra. O que não tem é diálogo. Antes de falar em desapropriar temos que, falar dos dois parques industriais que estão vazios, sem empresas. Precisamos definir ali como atrair empresas. No segundo passo vamos dialogar com a CSN e com os particulares para achar projetos para avançar”, destacou. “Volta Redonda precisa de um novo prefeito para uma nova cidade. Volta Redonda precisa avançar na questão do emprego, saúde e educação. Pra isso, precisamos de dinheiro. O prefeito que assumir tem que ter compromisso com as pessoas e com a gestão”, concluiu Samuca Silva, candidato do PV.

APOIO

Baltazar e Samuca disputam apoio em eleição das mais apaixonadas da cidade do aço  

Quem tá com quem

Para ajudar o eleitor da cidade do aço a escolher em qual candidato vai depositar seu voto e esperança, o aQui pediu para que Paulo Baltazar (PRB) e Samuca Silva (PV) enviassem ao jornal dez declarações de apoio às suas candidaturas. Baltazar optou por aproveitar nomes conhecidos e de políticos, como dos deputados Edson Albertassi e Nelson Gonçalves. Samuca, por sua vez, escolheu mandar depoimentos de cidadãos comuns. Veja, nessa e na próxima página, o apoio que cada um conta para vencer o segundo turno das eleições para a prefeitura de Volta Redonda.

‘Eu estou com Samuca’

Kátia Cilene Dolacir, 34 anos, doméstica

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“Vou votar no Samuca Silva porque a cidade precisa de renovação na política. Novos nomes e pessoas capacitadas para administrar e gerir o município. Li as propostas dele e gostei muito. Eu e toda minha família estamos com ele. Um novo prefeito para uma nova cidade”.  

Rita Maria Cabral, 71 anos, dona de casa 

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“Por lei, não sou obrigada votar. Mas, nesta eleição, faço questão. Sou Samuca Silva porque a cidade precisa de novos ares na política. O outro candidato já teve a oportunidade de governar e não foi bem. Acredito no vigor dos jovens políticos como Samuca. Quem tem memória vota 43. Votei no primeiro turno e vou repetir meu voto”. 

Priscilla dos Santos Eller, 27 anos, publicitária

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“Eu voto no Samuca Silva 43 porque eu amo minha cidade e vejo no governo dele a esperança de dias melhores. Um futuro melhor para os nossos filhos e netos com geração de emprego, desenvolvimento, educação e saúde. Estou cansada de raposas velhas no poder. Precisamos de bons gestores”.

Bernardo Mascarenhas, 18 anos, universitário 

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“Está na hora de Volta Redonda dar uma renovada nos governantes. É preciso de uma pessoa capacitada, jovem e inteligente para governar nossa cidade. Não tenho dúvidas que ele dará muitas alegrias ao povo de Volta Redonda. Eu sou Samuca Silva, 43”. 

Cláudia Corrêa, 44 anos, empresária 

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“Há mais de 20 anos Volta Redonda está nas mãos dos mesmos poderosos. Eles são conhecidos no Brasil por escândalos de corrupção. Fazem política mentindo e caluniando. O adversário agora está unido com todos eles, gastando rios de dinheiro em sua campanha para enganar o povo. Vamos mostrar que temos memória, sim. É para frente que se anda. Samuca Silva, 43”.

Rita de Cássia e Souza, 50 anos, especialista em responsabilidade socioambiental  

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“Porque as mudanças são extremente necessárias no nosso município. Samuca Silva carrega a esperança e a força que precisamos. Além de ele não estar vinculado a outras forças políticas, ele terá liberdade para governar na cidade. Voto nele porque tenho filho, mãe e parentes aqui em Volta Redonda. A cidade merece tudo de melhor”. 

Alexandre Carvalho, 37 anos, bancário

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“Voto no Samuca Silva porque ele é independente. Não está ligado a nenhum político antigos que está governando Volta Redonda por 24 anos. A cidade quer e precisa de renovação. O nome certo é Samuca Silva. Eu e toda a minha família vamos com ele”.

Camilo Andrade, 62 anos, aposentado 

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“Como ciclista e ambientalista, torço por mudanças profundas na forma de administrar a nossa cidade. Um combate ferrenho às queimadas no município é o que espero. Sou Samuca Silva, 43”.  

Ivan Lopes, 39 anos, servidor público estadual 

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“Voto no Samuca Silva 43 porque depois de 24 anos vamos finalmente começar um novo tempo, um tempo de participação e diálogo com o nosso prefeito eleito. Que seja assim: 43”.

“Eu estou com Baltazar’

Senador Marcelo Crivella 

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“Baltazar é um homem de fibra. Na vida pública já sofreu muitas injúrias, calúnias e injustiças por sua coragem de lutar contra os poderosos. Meu companheiro Baltazar é um médico humanitário, um servidor do povo, amigo de todos. Um homem talhado para ser o prefeito de Volta Redonda na sua índole, na sua vocação, na sua natureza ele será um grande administrador”.

Deputado Édson Albertassi 

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“O governo do Estado está atravessando a pior crise da sua história e decretando estado de calamidade pública financeira. E certamente está crise já está afetando Volta Redonda. É com esta preocupação que decidi votar no Baltazar. Ele foi o prefeito que mudou a cara e o coração de Volta Redonda. Governar uma cidade é como pilotar um grande avião, em momentos de turbulência a experiência do piloto é fundamental e ele tem essa capacidade”.

 

Deputado Nélson Gonçalves 

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“Conheço Baltazar há muitos anos e sei da sua capacidade administrativa. Ele é o único candidato que tem condições de unir toda a nossa sociedade, todos os segmentos para um só ideal: fazer Volta Redonda voltar a ser a cidade do desenvolvimento”.

Delegado Antônio Furtado 

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“É importante destacar que nesse cenário de crise é importantíssimo alguém com experiência e o Baltazar tem essa experiência. Ele saberá conduzir Volta Redonda pra manter todas as conquistas que a cidade conseguiu ter. A melhor forma de prever o futuro é criá-lo, faça a sua reflexão e não arrisque seu voto”. 

Neuza Jordão, Médica Pediatra

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 “Apoio Baltazar pela grande experiência que ele traz. Hoje na nossa cidade ele é quem tem a melhor proposta para superar os momentos difíceis que enfrentamos, como o desemprego e a falta de recursos. Baltazar tem livre interlocução com os governos estadual e federal e também com todos os segmentos da sociedade”. 

Bispo José Elias 

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“Eu penso que o melhor pra nossa cidade neste momento é o Baltazar. Foi um prefeito que mudou Volta Redonda para melhor. Foi um grande administrador, tem uma experiência enorme. Não podemos retroceder, Volta Redonda precisa continuar avançando. Baltazar tem o coração na família, a grande família que é nossa cidade”.

Vereador Édson Quinto

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Como presidente da Câmara sei que Baltazar é atuante e firme na defesa de projetos que melhorem a vida da população de nossa cidade. Eu e mais 17 vereadores, eleitos e com mandatos atuais, estamos apoiando Baltazar pois acreditamos na sua capacidade para conduzir Volta Redonda neste momento de crise. Conheço Baltazar desde quando ele foi prefeito e eu era presidente da Associação de Moradores do Padre Josimo. Baltazar levou água, esgoto e toda a infraestrutura para nosso bairro e outras áreas da periferia. Ele tem conhecimento para fazer o melhor para nossa população.

 

Mário Esteves, Prefeito eleito de Barra do Piraí 

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“Eu e mais 11 prefeitos eleitos na região estamos com Baltazar em prol do desenvolvimento do sul fluminense. Precisamos que Volta Redonda, que é uma cidade referência, seja bem administrada e, para isso Baltazar tem experiência de sobra. Nós, prefeitos eleitos da região, entendemos que o diálogo é primordial para o desenvolvimento regional e com Baltazar as portas estão sempre abertas.
Por esse motivo declaramos nosso apoio a este grande gestor”.

Waldecir de Oliveira (Biro)

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Coordenador do Centro de Estudos Bíblicos CEBI-RJ e da Associação Bíblica de Pesquisas do Brasil, colunista do Jornal Diocesano Católico e Comunicador da Rádio Sintonia do Vale – “Recomendo e vou votar em Baltazar, por uma cidade justa, democrática e com participação popular. Baltazar tem experiência política e administrativa, sabe dialogar com os movimentos sociais, tem muito conhecimento na área de saúde e educação, ele sabe o que fazer e como fazer, isso faz toda a diferença para estar à frente de uma prefeitura”. 

Jorge Guilherme, Cantor e compositor

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“Decididamente agora estou apoiando o Baltazar, agora mais que tudo, pois acredito que é um bom momento para a cidade fazer a mudança com a segurança que queremos. Eu estou com ele”.

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