Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Domingo, 30 de Abril de 2017
0
Publicado em 06/03/17, às 11:10

Empresa nega 

csn

Pollyanna Xavier

A informação divulgada pelo aQui (edição passada, nº 1034) de que a Companhia Siderúrgica do Atlântico deve dar início a uma série de demissões a partir deste mês, fruto da venda do controle da empresa para os argentinos da Ternium, caiu como uma bomba no meio operário. E repercutiu intensamente nas redes sociais, tanto que até o fechamento desta edição, ontem sexta, 3, a matéria tinha sido visualizada por mais de 37 mil internautas, tendo gerado cerca de 200 compartilhamentos e 700 curtidas.

 

A notícia, negada pela CSA, foi repassada ao jornal por uma fonte ligada à Siderúrgica, que garantiu que as dispensas devem atingir todos os setores da Companhia: manutenção, logística, produção, supervisão, gerência e até diretoria. A notícia gerou uma preocupação muito grande no chão da fábrica, pois se as demissões começarem a ser feitas, irão atingir cerca de 500 operários que moram em Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Piraí e Pinheiral e que trabalham na CSA.

 

Na quarta-feira de cinzas, dia 1, a assessoria de imprensa da CSA enviou nota ao jornal (veja ao final da matéria na íntegra), com pedido de retratação por supostos dois equívocos que teriam sido cometidos pela repórter Pollyanna Xavier, que escreveu a matéria. O primeiro deles diz respeito à informação divulgada de que a CSA estaria funcionando sem a Licença de Operação. Segundo a assessoria de imprensa da Siderúrgica, a LO foi obtida em setembro de 2016 junto aos órgãos reguladores e ambientais do Estado. E, portanto, ela está funcionando em acordo com o que determinação a Legislação.

 

O segundo equívoco, ainda de acordo com a assessoria de Comunicação da CSA, diz respeito às demissões – informação principal de que trata a reportagem vinculada na semana passada pelo aQui. Para a assessoria de imprensa, uma vez negadas as demissões, a matéria não deveria ter sido publicada. Vale ressaltar que antes da divulgação da reportagem, no sábado, 24,  a repórter do jornal enviou e-mails para quatro jornalistas que prestam serviços de assessoria para a empresa, com pedido de informações sobre as demissões. Apenas um deles respondeu à repórter, por telefone, e negou o fato. Este contato foi citado na matéria, inclusive com a resposta negativa da assessora de imprensa. Procedimento correto, padrão e livre de equívocos.

 

Nas redes sociais, a notícia também foi bastante comentada e compartilhada. Funcionários da empresa procuraram o jornal para buscar mais detalhes sobre as demissões e para contar, também, de uma ou outra demissão que já começou a acontecer dias antes do Carnaval. “Está todo mundo preocupado. A empresa foi a única que ainda não demitiu e agora com esta venda para os argentinos, não sabemos realmente o que vai mudar lá dentro. A notícia da demissão explodiu como uma bomba, o comentário foi geral”, contou um deles, que pediu para seu nome não ser divulgado.

 

Na quinta, 2, o aQui tentou contato com o Sindicato dos Siderúrgicos, que cuida dos interesses dos trabalhadores da CSA. Os telefones divulgados no site do Sindicato não atenderam e o jornal ficou sem saber se o órgão esteve em recesso durante a semana do Carnaval. Ninguém foi encontrado para falar a respeito das demissões.

 

Veja na íntegra a nota da CSA enviada para a redação do aQui na quarta, 1.

“A Companhia Siderúrgica do Atlântico nega mais uma vez as informações publicadas no Jornal Aqui, no dia 24 de fevereiro de 2017, sobre demissões em massa a partir de 1º de março. O jornal afirmou que o número de dispensas seria superior a 500 pessoas e que haveria uma lista com trabalhadores de Volta Redonda, Pinheiral, Barra Mansa e Barra do Piraí que seriam demitidos.  Todas as informações são falsas e nada do que o jornal noticiou sobre o assunto condiz com a verdade. Na quinta-feira, dia 23, a repórter Pollyanna Xavier, procurou a assessoria de imprensa da CSA, que negou os rumores. Mesmo assim, a repórter publicou a matéria, com destaque no título e no lead para as demissões, colocando a negativa da CSA no meio da matéria.

O jornal Aqui ainda publicou que a CSA opera sem Licença Operacional, o que também caracteriza uma notícia falsa. Em setembro de 2016, os órgãos ambientais competentes aprovaram a emissão da Licença de Operação da CSA, após terem atestado o cumprimento de todas as obrigações do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), Secretaria de Estado do Ambiente e Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA). A emissão da referida licença consolidou e concluiu o processo de licenciamento ambiental da CSA, de acordo com as leis e regulamentos aplicáveis. A licença ambiental da CSA foi amplamente noticiada pela imprensa nacional.
Pedimos a retratação do jornal com relação às duas informações falsas publicadas no veículo”.
Fernanda Romano, Especialista de Comunicação / Communication Specialist Gerência de Relações Externas & Comunicação / Public Affairs & Communication
 
Nota da redação – O aQui não publicou nenhuma notícia falsa a respeito da possibilidade de a CSA implementar um processo de demissão em massa a partir de 1º de março. Muito pelo contrário. Noticiamos e qualquer pessoa em sã consciência vai entender que as demissões podem ser feitas em março, abril, maio, etc. Esperamos até que não ocorram. Mas ocorrendo, em menor ou maior número do que nossa fonte prevê, deverão atingir operários, gerentes e até coordenadores que trabalham na CSA e vivem em Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral e Barra do Piraí.

Lamentamos que a empresa, que já foi motivo de diversas reportagens no aQui, tenha adotado a postura de tentar menosprezar o jornal nessa nota irretratável. Fizemos o que o bom jornalismo apregoa: tínhamos a notícia e procuramos confirmar o fato com a assessoria de imprensa da CSA. Vale ressaltar que nossa repórter chegou a enviar o pedido de informações a quatro representantes da Comunicação da CSA e só uma a respondeu, tratando de desmentir os rumores em uma declaração seca. “Não é verdade. Não confirmamos as demissões”, disse Daniela Melina, da empresa In Press Porter Novelli, responsável pela assessoria de Comunicação da CSA.

Quanto à notícia de que a CSA estaria sem a Licença Operacional, o que aconteceu é que, talvez por sermos um jornal de circulação regional, não recebemos a informação da empresa de que teria, depois de tantos anos, obtido autorização dos órgãos ambientais para operar sua unidade industrial. Na época, não recebemos nenhum release a respeito, o que foi uma pena. Aos nossos leitores, então, informamos que a CSA garante ter Licença Operacional para funcionar.

E acrescentamos outra informação bem interessante aos nossos poucos leitores: a situação da CSA é tão complicada que às vésperas do carnaval, mais precisamente no dia 24 de fevereiro, às 16 horas, a direção da empresa promoveu uma cerimônia de rebatismo dos seus Altos Fornos. Foi na Casa de Corridas do Alto Forno 2. Para o ato ecumênico foram convidados um padre, um pastor e um macumbeiro, sendo que este último não teria comparecido. Popularmente, no chão da fábrica, alguns operários, segundo uma de nossas fontes, teriam ironizado a realização do culto. “Benzer alto forno, dá pra acreditar”. É. Difícil, não é?

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.