Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019
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Publicado em 02/09/19, às 09:25

Em forma!

 

Por Roberto Marinho

 

Oficialmente, a corrida pela cadeira de prefeito de Barra Mansa ainda não começou. Mas, nos bastidores, ela está a mil por hora. Além de Rodrigo Drable, que deve buscar sua reeleição, o empresário Bruno Marini também já começa a dar seus primeiros passos para sair como candidato pelo PP. A novidade, por enquanto, é que um novo nome começa a despontar. É o do capitão da Polícia Militar, Daniel Guimarães de Abreu, que comanda a companhia de Petrópolis – “Considerada, pelo Atlas da Violência, a cidade mais segura do estado do Rio de Janeiro”, frisa o oficial, aspirante ao cargo ocupado por Rodrigo.

Casado com uma barramansense, Abreu não é totalmente desconhecido na cidade, pois comandou a Companhia da PM em 2015, quando a unidade, segundo ele, conquistou o primeiro lugar em redução de crimes em todo o estado. Mostra que sua bandeira como pré-candidato a prefeito terá a segurança como mote principal, contando, inclusive, com o apoio de grupos da direita. Contaria até com o apoio do deputado federal Antônio Furtado (PSL), com quem já trabalhou em Barra Mansa, lado a lado, em operações policiais.

Em entrevista ao aQui, o capitão Abreu afirma que tem o perfil esperado para as candidaturas do PSL em 2020, mas anuncia que o partido mais próximo de receber sua possível candidatura é o Patriota.

 

aQui – O senhor quer se candidatar à prefeitura de Barra Mansa? Por qual partido?
Capitão Abreu: Sim, temos um projeto de uma futura candidatura à prefeitura de Barra Mansa. Temos alguns partidos caminhando junto e estamos conversando para a consolidação desse projeto. E hoje o que está mais próximo de concretizar essa caminhada é o Patriota. Porém, como militar não posso ser filiado a partidos políticos.

aQui – Que grupos e pessoas estariam apoiando esse projeto?
Abreu: Hoje existem muitos grupos insatisfeitos com a atual gestão, quase todos de direita, que apoiam minha possível candidatura – não vou falar (nomes) para evitar polêmica, pois pode surgir um grupo de três pessoas que diga que ainda não (o apoia). Existem também grupos de funcionários públicos, empresários, profissionais liberais e de moradores de diversos bairros que estão me incentivando a lançar a pré-candidatura. Mas alguns preferem não aparecer com receio de retaliações. Existem grupos de políticos de oposição à atual gestão que têm tendência a me apoiar por entenderem que sou a melhor opção para cidade.

aQui – O senhor tem apoio do deputado federal Antônio Furtado? E de Bolsonaro?
Abreu: Tenho um excelente relacionamento com o deputado Antônio Furtado. Trabalhamos juntos, realizamos diversas operações em conjunto, assim como também com o delegado de Barra Mansa, Ronaldo (Aparecido de Brito). Estive com o Furtado conversando sobre o projeto e o mesmo prometeu avaliar e levar o assunto às lideranças do partido (PSL). Acredito que o mesmo avalie de maneira positiva, pois hoje me enquadro exatamente no perfil procurado na nova política. Acredito também que o nosso presidente Jair Bolsonaro, após avaliar meu perfil, irá validar e apoiar o meu projeto, pois meu perfil é o que ele busca: credibilidade, competência para gestão, sem máculas, não tenho vínculos políticos. Acho pouco provável encontrarem no cenário atual de Barra Mansa alguém com esse perfil e seria até uma incoerência política apoiar a atual gestão.

aQui – Já foi candidato antes?
Abreu: Nunca havia participado de qualquer projeto dentro da política. Como disse, tenho uma longa experiência na administração pública, por ser gestor dentro de uma organização militar. Tenho experiência na vida empresarial, por minha família possuir empreendimentos, porém nunca tive participação em qualquer grupo político.

aQui – Fale um pouco da sua trajetória em Barra Mansa?
Abreu: Sou nascido no Rio de Janeiro, mas barra-mansense de coração e adoção. Tive dois amores ‘à primeira vista’: a minha esposa, que é nascida na cidade, e Barra Mansa, pela característica do povo, que conserva ainda o carinho do interior. Estou na cidade desde 2005 e, junto com minha família, montamos alguns negócios na região. Fiquei um pouco afastado, pois de 2007 a 2009 fui para o Rio, onde fiz o curso de formação de oficiais da PM. Me formei e após passar pelo Regimento de Cavalaria, pedi para vir trabalhar no 28o BPM (Volta Redonda), para ficar mais próximo da minha família. Comandei a Cia de Barra Mansa, e em 2015, ficamos em primeiro lugar no estado do Rio nas reduções de índices criminais, estabelecidos pelo ISP.

aQui – O senhor seria ligado de alguma forma ao ex-prefeito Jonas Marins?
Abreu: Não tenho ligação política nenhuma com o ex-prefeito Jonas. Na verdade, não tenho ligação nenhuma com qualquer político e tenho até certo orgulho disso, pois é muito ruim ficar marcado por ligações a péssimas gestões ou a ex-políticos presos em escândalos. Como diriam os mais velhos, sou filho do “Zé”. Sempre estudei e trabalhei muito, nunca tive nada de mão beijada ou apadrinhado por ninguém. Posso falar que tudo que tenho hoje foi por muitas horas de estudo, com ajuda de minha mãe, que me criou praticamente sozinha com trabalho e dedicação, onde muitas vezes economizava o lanche para comprar um livro e focar nos estudos, tudo mérito pessoal.

aQui – Qual seria o tema principal da sua campanha?
Abreu: A reconstrução da cidade baseada na gestão técnica qualificada, eficiente e transparente. Hoje, Barra Mansa aparenta ser uma cidade destruída, gestões passam e a cidade parece estar se deteriorando. Podemos exemplificar com o cartão postal da cidade, a Ponte dos Arcos, que está suja e com vários pontos com sinais de desgaste. Muitas pessoas têm até medo de passar na ponte à noite. Postos de saúde estão sem médico, sem material, sem medicamentos. Em alguns, pelo que acompanhei, moradores é que estavam fazendo limpeza, pintura, capina. Poderia passar a noite citando problemas, mas o mais grave é a falta de planejamento.

aQui – Qual seria o principal problema de Barra Mansa e o que faria para resolvê-lo?
Abreu: Difícil citar um único problema, mas o maior problema de Barra Mansa é de gestão. Não é crítica pessoal, mas quando várias pastas de um governo não estão funcionando de uma maneira ao menos equilibrada, se percebe que não se tem pessoas técnicas e especializadas para gerir, por exemplo, a saúde. São reclamações diárias e uma área muito sensível, pois a vida tem prioridade sobre qualquer outra coisa, e observamos pessoas reclamando de deficiências graves, e ninguém pode esperar pra fazer um exame ou uma consulta. No Hospital da Mulher existem diversas denúncias de atendimentos precários a grávidas.
O setor econômico está estagnado, e pelo terceiro ano seguido o índice de participação de Barra Mansa no ICMS caiu, com previsão de queda para o ano que vem novamente. Saiu de 1,014 em 2016, para 0,643 em 2019, e com previsão de queda para o ano de 2020.
Hoje olhamos secretarias com políticos de carreira e não pessoas técnicas na área de atuação. Servem mais como cabide de emprego e colocaria pessoas técnicas em cada setor.
A criação de uma Coordenadoria de Gestão de Projetos e Análises de Custos Operacionais seria uma solução. Daria para viabilizar o desenvolvimento de projetos para atrair investimentos, pois hoje acontece de uma forma que fica até difícil de entender. Outro aspecto da coordenadoria seria a de equilibrar as contas e analisar todos os custos da máquina pública para torná-la eficiente, cortando custos desnecessários. Passa também por estimular o funcionário público, criando uma meritocracia de produtividade.
Fazer o básico funcionar já seria um grande passo, pois pelo que é observado ainda estamos longe disso e só culpar gestões passadas não resolve, ainda mais quando lá estiveram presentes na qualidade de fiscal dessa gestão.

aQui – Como o senhor analisa a segurança pública em Barra Mansa, baseado nos dados do ISP-RJ e na sua vivência como policial militar?
Abreu: O ISP nos dá um direcionamento com seus dados para realizarmos nosso planejamento, porém não é só responsabilidade dos órgãos policiais a segurança pública. A segurança também é um dever municipal. Posso falar com conhecimento de causa que diversos problemas e crimes, que acabam na polícia, poderiam ter sido evitados se cada um fizesse seu papel.
É nítido que a segurança e a saúde são termômetros do desenvolvimento local, e quando a qualidade é ruim, o resultado acaba sobrando para a segurança pública em crimes, pois falta infraestrutura. Como ruas com péssima iluminação e mal pavimentadas são propícias para delitos, um plano público municipal de segurança auxiliaria o serviço dos órgãos policiais.
O sistema de monitoramento de câmeras na cidade é ineficaz, e não sabemos para que serve. Podemos buscar experiências em outros municípios de um funcionamento eficaz e no auxílio ao policiamento. A polícia trabalha incansavelmente, porém muitas vezes fica enxugando gelo. Precisamos de mudanças em diversos níveis.
Sobre segurança, a cidade pode ficar tranquila que temos total conhecimento do que precisaria ser aplicado, tecnologias eficientes e parcerias com os órgão de segurança. Sugeri tempos atrás ao município uma parceria com o governo do Estado para criação do projeto Segurança Presente em Barra Mansa, assim como existe em outros municípios e na capital, porém, na época não foi dada a devida importância, talvez próximo à eleição vá surgir esse interesse. Só nos resta torcer pela nossa cidade.

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