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Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2019
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Publicado em 04/11/19, às 10:49

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Por Pollyanna Xavier

Há uma máxima no mercado econômico que diz que uma crise financeira não dura mais que quatro anos. Pelo sim, pelo não, é fato que o Brasil enfrentou uma marolinha (quem não se lembra?) em 2008, uma turbulência em 2013, e uma onda gigante em 2015, que levou o país a uma retração de 3,6% no PIB.  De lá pra cá, a economia ficou estagnada e pouco se falou em novos investimentos. Ano passado, a hecatombe financeira foi ficando pra trás e o Brasil passou a visualizar uma luz no fim do túnel. A indústria está voltando a crescer e o jejum por novos negócios é coisa do passado. Não se pode dizer que o país vive o seu melhor momento, mas os números provam, sim, uma melhora. Quer ver?
Um levantamento feito pelo anuário Multi Cidades – Finanças dos Municípios do Brasil, lançado em outubro pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) revela, entre as 41 cidades selecionadas na Região Sudeste, as que mais investiram em 2018 em comparação ao ano anterior. Volta Redonda aparece na lista, mas de maneira tímida, mas sintomática. Os municípios com os maiores índices de investimentos foram Campos dos Goytacazes e Petrópolis, no estado do Rio, e São José dos Campos, São Bernardo e Sorocaba, em São Paulo.
Volta Redonda aparece na última posição fluminense, o que não deixa de ser importante, uma vez que apenas nove municípios fluminense entraram neste anuário. E, a cidade do aço, está à frente de todos as cidades da região.
Os dados são de 2018 e revelam uma particularidade interessante: os maiores investimentos ocorreram em municípios pequenos. O anuário apontou que o volume total de investimentos das cidades com menor base populacional foi de R$ 38,37 bilhões em 2018, indicando um crescimento de 35,8% (em valores corrigidos pelo IPCA) na comparação com o ano anterior. Apesar da alta, os anos anteriores foram de quedas expressivas em obras e aquisição de equipamentos pelas prefeituras. “Os investimentos municipais iniciaram sua trajetória de queda em 2015. Após três anos de fortes retrações, os aportes caíram.
“Para um total de R$ 28,25 bilhões, a alta registrada de 35,8%, em 2018, ainda não é suficiente para repor a despesa aos patamares dos anos pré-crise”, explica o economista e diretor do anuário, Alberto Borges. Conforme os números, a alta dos investimentos foi mais intensa nos municípios de menor porte popula-cional. Naqueles com até 20 mil habitantes, a quantia injetada, de R$ 8,64 bilhões, foi 53,5% maior que o ano anterior e já corres-ponde a quase 77% do volume médio assinalado na primeira metade da presente década.
Das cidades consideradas medianas, Campos dos Goytacazes (cuja população é de 503 mil habitantes) registrou um aumento de 235,5% no gasto com investimento em obras e compras de máquinas/equipamentos, totalizando um montante de R$ 26,3 milhões em 2018 contra os R$ 7,8 milhões aplicados no ano anterior. Esse foi o mesmo caminho de Petró-polis, que pulou de R$ 6,3 milhões para R$ 19 milhões, uma alta de 203,1%. Das cinco primeiras colocadas entre as cidades selecionadas para o estudo de MULTI CIDADES, o destaque fica para São Bernardo do Campo, que conseguiu aumentar em 124,6% os investimentos em 2018, e ocupar a primeira colocação da região Sudeste em investimento per capita com R$ 655,46.
Das quatro capitais do Sudeste, o Rio de Janeiro registrou queda de 11,5%, passando de R$ 1 bilhão, em 2017, para R$ 906,4 milhões, em 2018. Em contrapartida, Vitória (ES) teve o maior crescimento, passado de R$ 55,4 milhões para R$ 99,3 milhões, no período analisado, um incremento de 79,1%. São Paulo e Belo Horizonte tiveram alta de 11,2% e 4,1%, respecti-vamente.  As quedas mais acentuadas entre as selecionadas aconteceram nas cidades de Diadema (SP), de 50,8%, Uberaba (MG), de 28,1%, Piracicaba (SP), de 27,7%, e Niterói (RJ) de 26,1%. Os valores são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) médio de 2018.         
Em sua 15ª edição, a publicação utiliza como base números da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentando uma análise do comportamento dos principais itens da receita e despesa municipal, tais como ISS, IPTU, ICMS, FPM, despesas com pessoal, investimento, dívida, saúde, educação e outros.
As transferências de capital – recursos que as cidades recebem da União e dos estados para serem aplicados em investimentos – tiveram uma expansão em 2018. Os repasses da União saltaram de R$ 5,83 bilhões, em 2017, para R$ 9,03 bilhões, em 2018, alta de 54,9%. Já os recursos oriundos dos estados passaram de R$ 2,21 bilhões em 2017 para R$ 3,82 bilhões, um crescimento de 72,6%. Esses repasses foram determi-nantes para o bom desempenho dos investimentos nos pequenos municípios. Já para as capitais e as 106 cidades selecionadas no estudo, os montantes oriundos de empréstimos foram mais importantes.
As receitas de operações de crédito injetaram R$ 5,46 bilhões nos investimentos municipais, em 2018, um acréscimo de R$ 1,32 bilhão em relação a 2017. Entretanto, apenas 12 municípios contabiliza-ram receitas de operações com valores superiores a R$ 100 milhões. As prefeituras também ampliaram o uso dos recursos próprios, que subiu de R$ 14,48 bilhões, em 2017, para R$ 17,22 bilhões, em 2018.
Para 2019, os números do Anuário tendem a melhorar muito para Volta Redonda. A começar pelo volume de empregos gerados no primeiro semestre do ano, com as obras do Alto Forno 3 da CSN e a seleção de centenas de jovens para trabalhar em salas de call centers. A instalação de um polo metalo-mecânico, nos mesmos moldes do antigo cinturão do aço, também vai contribuir para elevar os dados de Volta Redonda em investimentos e geração de trabalho.
Veja abaixo a posição das principais cidades do Sul Fluminense com relação às despesas feitas com investimentos.

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