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Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017
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Publicado em 03/04/17, às 08:35

“Eleição se perde e se ganha”

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Mateus Gusmão

Os políticos e, principalmente, os internautas voltarredondenses tiveram todas as suas atenções voltadas para a eleição do Conselho Deliberativo do Clube Comercial, realizada no domingo, 26. Não por menos, é claro. É que o tradicional clube da cidade do aço sempre foi reduto eleitoral do ex-prefeito Neto (PMDB). Na Colina, até então, tudo passava pelo grupo, do qual faz parte o deputado federal Deley de Oliveira (PTB).  Só que, para surpresa de todos, um candidato de peso apareceu, como quem não quer nada, interessado em ocupar uma das 20 vagas em disputa: o atual prefeito Samuca Silva (PV), que teria se associado em janeiro de 2016. Nas redes sociais, a briga Samuca x Neto pelo poder repercutiu intensamente.

 

A informação de que Samuca seria candidato ao Conselho do Comercial foi revelada, com exclusividade, pelo aQui na edição 1036, de 18 de março. A maioria dos políticos e internautas se posicionou contra a decisão do prefeito de se meter no ‘quintal dos inimigos’, como definiu um deles. “Achei bobeira da assessoria dele, não há motivo para ele ser candidato em um clube, Samuca já é prefeito”, avaliou um deles, sem se identificar. “Se perder, perde a fama de vencedor. E valoriza o Neto. Risco alto. Vamos aguardar”, ponderou. 

 

Isso não diminuiu o ânimo de Samuca, que manteve sua candidatura ao Conselho. Eleito conselheiro, teria como uma das obrigações ajudar a escolher o presidente do Comercial e, durante quatro anos, teria que discutir o preço da cerveja e a qualidade do campo de futebol. Ou o valor das mensalidades e até casos de expulsão de associados por inadimplência ou algum fato mais grave.

 

Como o cargo de conselheiro não tem tanto glamour assim, os internautas passaram a desconfiar que a candidatura de Samuca seria apenas uma provocação ao grupo do ex-prefeito Neto. O que ele nega. Provocação ou não, o prefeito não se deu bem nas urnas. Obteve 593 votos, sendo o 25º mais votado. Detalhe: não necessariamente 593 associados votaram em Samuca, já que o voto do sócio-proprietário vale por cinco. A maioria dos eleitos faz parte do grupo do ex-prefeito Neto (PMDB), tanto que seus irmãos Munir Francisco e Marco Ovo (atual presidente) foram reeleitos para o conselho. O ex-secretário de Serviços Públicos de Neto, Edson Carrá, foi o mais votado, com 890 votos.

 

A reportagem do aQui foi a única a acompanhar o voto do prefeito, que chegou ao clube às 10h30min e ficou pouco mais de uma hora. Votou, conversou com muitos eleitores, mas não fez boca de urna – ao contrário da maioria dos candidatos. Samuca jurou que sua candidatura não era provocação ao ex-prefeito Neto. “Eu cresci aqui perto, na São João, e meu pai lutou muito para conseguir nos colocar como sócios do Comercial. Não é provocação a ninguém”, destacou, ressaltando que se perdesse o pleito – como perdeu –, isso não iria gerar nenhum desgaste para o seu governo. “Eleição a gente perde ou ganha, isso é normal. Eu, no ano passado, venci uma eleição com 89 mil votos. É do jogo”, completou, para dar uma alfinetada. “A política está chata”, disse, sem explicar a frase.

 

Depois de votar, Samuca ainda conversou com diversos associados do Comercial – entre eles, os vereadores Fábio Buchecha (PTB) e Neném (PSB), que são aliados do ex-prefeito Neto. Tem mais. Quando estava deixando o Comercial, Samuca trocou dois dedos de prosa com Munir Francisco, irmão de Neto –, que também já foi presidente do Comercial. Os dois se abraçaram e o verde disse que não estava sendo candidato para provocá-los. “Fique tranquilo, democracia é isso mesmo”, respondeu Munir.

 

O problema é que a candidatura de Samuca teria atrapalhado a oposição ao atual grupo que comanda o Comercial – o grupo de Neto. Prova disso é que apenas um conselheiro oposicionista foi eleito, número menor em comparação à última eleição. “Quando Samuca se lançou candidato, acendeu o sinal amarelo no grupo do Neto. Tanto que eles lançaram muitos candidatos e montaram uma operação digna de eleição para vereador. Nas entradas do clube, havia muitos cabos eleitorais distribuindo uma lista pedindo votos para 16 candidatos do grupo deles”, comentou um candidato ao conselho, que também não venceu e não quis se identificar. “Eles têm acesso à lista de sócios- proprietários e aproveitaram para ligar para maioria pedindo votos, já que o voto deles vale mais”, completou.

 

Ele pode ter razão. Tanto que dos 600 associados que foram ao Clube Comercial, cerca de 400 eram proprietários. E dos quase quatro mil contribuintes, apenas cerca de 200 fizeram questão de escolher os conselheiros. Agora, sem Samuca por perto, os eleitos vão escolher o próximo presidente, com mandato até 2020.

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