Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Publicado em 22/10/18, às 11:36

Educação é tudo

Por Roberto Marinho

Recentemente, um caso despertou a ira dos internautas: um motorista da prefeitura de Volta Redonda, lotado na secretaria de Meio Ambiente, parou o veículo que dirigia, da frota oficial do município, em uma ciclovia recentemente entregue pelo governo Samuca, para, como quem não quer nada, ir a um mercadinho de bairro. Flagrado por um ciclista, que o interpelou, o servidor público saiu xingando o cidadão, expondo a total falta de respeito com as regras de trânsito. E com a educação, é claro.

 

De acordo com a prefeitura de Volta Redonda, que agiu rápido, o motorista mal educado foi identificado, advertido e responde a uma sindicância, podendo ser punido. A transgressão não é única. Acontece em todos os momentos, em todos os horários, inclusive de madrugada, em diversos pontos do município. Dá a impressão que é uma cidade sem lei, sem regras de trânsito a cumprir, onde todos fazem o que bem  entendem, como estacionar em uma ciclovia, em vagas de idosos, de deficientes, de mulheres grávidas, em frente a garagens e até em locais destinado única e exclusivamente a ambulâncias.  “Impera a lei de Gérson”, dispara um motorista, referindo-se ao ditado popular que traduz o ‘levar vantagem em tudo’.

 

Mas, como é que a Guarda Municipal do governo Samuca lida com estes tipos de problemas criados por motoristas, oficiais ou não? Para tentar descobrir as respostas, o aQui entrevistou o subsecretário da Guarda Municipal, Rogério Soares Nascimento, e descobriu que o número de motoristas que não respeitam as regras de estacionamento em Volta Redonda é imenso. Daria para encher uns quatro estádios, tipo Raulino de Oliveira. E mesmo assim, segundo ele, a orientação é que os GMs conversem com os infratores antes de sair multando como deveriam fazer. “Hoje a GM vem trabalhando para não ser radical”, avalia, talvez querendo comparar com a corporação do antigo governo, cujo comandante era o terrível major PM Luiz Henrique.

 

Rogério vai além. “Todo e qualquer veículo, sem exceção, podendo ser da prefeitura ou de qualquer outro órgão, as notificações são feitas no ato, pelo guarda. E a GM vem trabalhando para não ser radical. A gente trabalha de forma educativa, e sempre que vamos ao local tentamos resolver da melhor forma possível, solicitando a retirada (do veículo), para a gente também não pegar os contribuintes, os condu-tores, de forma covarde”, avalia o subsecretário da GM, que acrescenta: “Às vezes é uma sinalização nova, então a gente busca trabalhar orientando o motorista”.

 

Apesar da boa vontade que a GM deve ter, os motoristas parecem não aprender. Tanto é que, segundo os dados da corporação, das 27 mil notificações de trânsito em Volta Redonda até o mês de setembro, 22 mil – quase 80% do total – eram de estacionamento irregular. “Mesmo com toda a conversa nós temos um número muito elevado de estacionamentos irregulares, de má conduta de algumas pessoas”, frisa Nascimento.

 

Ele aproveita para afirmar que, entre outros motivos, o grande número de vias na cidade, a existência de três grandes centros comerciais – Vila, Aterrado e Retiro – e o elevado número de veículos circulando e que cresce a cada dia dificultam bastante a fiscalização da GM. A saída, frisa, seria apostar na educação, mas ainda assim – como os números de notificações comprovam – a tarefa é bastante ingrata.

 

“Fazemos muitas campanhas com a secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana nas escolas, fizemos uma atividade na Vila Santa Cecília com a Guarda Mirim e o Corpo de Bombeiros, falando sobre a gravidade dos acidentes de trânsito, na Semana Nacional do Trânsito. Estamos tentando criar uma cultura para que a gente consiga amenizar estes problemas de trânsito. Então, ainda é um problema de educação”, pontua.

Exemplo

Indagado a respeito das viaturas da própria GM que estacionam em faixas amarelas, denúncias que o aQui recebe aos montes, Nascimento diz que existe uma prerrogativa no CTB (Código de Trânsito Brasileiro) que permite a infração em casos de emergência. E garante que a GM ao parar em local proibido, como fez o motorista do Meio Ambiente citado no início da reportagem, está ajudando ao deixar uma vaga desocupada para os motoristas. “O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) nos dá este amparo legal. E nós procuramos estacionar nestes locais quando estamos atendendo a alguma ocorrência. Em casos de emergência. As pessoas precisam prestar atenção que o carro da GM está muitas vezes naquele local para não ocupar uma vaga. Então é uma forma de colaborarmos também com o trânsito”, crê, tentando tapar o sol com a peneira. 

Nascimento lembra que na Vila e na Amaral Peixoto existem vagas próprias para as viaturas da GMVR, e afirma que algumas denúncias são infundadas. “As denúncias às vezes são incabíveis: teve uma denúncia, por exemplo, de um guarda que realmente parou na via expressa de ônibus, a pessoa fotografou a viatura, mas o colega estava lá dentro de uma loja socorrendo uma senhora que havia caído e estava sangrando no colo dele”, justificou. “Mas se for (estacionar em local indevido) por abuso, ele vai responder administrativamente”, garante o subsecretário, afirmando que no máximo “dois ou três guardas” são flagrados por ano cometendo essa infração. “Até porque, por orientação do próprio prefeito Samuca Silva estamos muito atentos para não cometermos infrações e educar pelo exemplo”, disparou, certo de que todos vão concordar com seu posicionamento. Ledo engano. 

Vagas de deficientes

Outro ponto, segundo Nascimento, que chama atenção é a utilização das vagas destinadas aos deficientes por motoristas comuns, o que, segundo ele, infelizmente é uma prática constante. “A gente procura orientar, mas os deficientes realmente reclamam muito. O número de notificações é muito alto. Infelizmente temos aí a questão do bom senso, da educação, que deixa a desejar”, pontuou. Ele está certo.  

Quanto à demora da GM em atender os pedidos dos voltarredondenses, Nascimento entende que isso ocorre por excesso de chamados. “A nossa demanda é muito grande, nós não atendemos somente estacionamento irregular. Temos essa semana (a entrevista foi realizada na semana passada, grifo nosso), por exemplo, chamadas por conta do ‘carro preto’. Então aumentaram muito as chamadas da ronda escolar. Temos ainda acidentes de trânsito para registrar. O Brat ocupa muito tempo das guarnições; temos as remoções de veículos. É muita coisa”, lamenta. ‘Procuramos’, dentro das nossas possibilidades, atender da melhor maneira possível. Em dias de chuva, por exemplo, o número de acidentes aumenta muito, então pode ter uma demora a mais por conta disso”, afirmou.  

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