Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 14 de Dezembro de 2019
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Publicado em 02/12/19, às 09:57

É oficial

Por Roberto Marinho

O ano ainda não terminou – faltam exatos 30 dias. Mas já dá para fechar as contas e revelar aos leitores (e eleitores) que 2019 foi o mais violento dos últimos cinco anos em Volta Redonda. Pior. Os números são oficiais e não podem ser questionados por ninguém, afinal, segundo o ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro), o número de assassinatos em território voltarredondense já igualou os 72 registrados em 2018. Ou melhor, o número já foi ultrapassado com a ocorrência de mais cinco homicídios até terça, 26, nos bairros do Açude, Padre Josimo, São Sebastião, Aero Clube e Água Limpa – que ainda não entraram nas estatísticas oficiais do ISP-RJ. E que ocorreram enquanto a reportagem era feita.
A tendência de aumento da criminalidade já havia sido apontada pelo aQui em junho, quando o jornal revelou o crescimento de todos os índices que formam os chamados “indicadores estratégicos de violência”: os crimes violentos letais intencionais (anteriormente era usada a letalidade violenta, grifo nosso), os roubos de rua, de veículos e de carga. Hoje, os dados atualizados do ISP-RJ confirmam o crescimento regular da violência na comparação entre janeiro e outubro de 2018 e 2019. Neste período os roubos de veículos aumentaram 27%, os crimes violentos letais intencionais cresceram 22%, os roubos de rua aumentaram 4,7%, e o roubo de carga praticamente dobrou, passando de quatro para sete ocorrências.
Isoladamente, o número de homicídios dolosos aumentou 28,6%. Até outubro de 2019, por exemplo, já haviam sido registrados 72 assassinatos na cidade do aço contra 56 em igual período de 2018. A média mensal de homicídios em Volta Redonda este ano chegou a 10 mortes, bem acima das seis vítimas mensais do ano passado. E quase o dobro do registrado nos anos anteriores, com exceção de 2015, cuja média foi ainda menor, com três assassinatos por mês.
Os casos de tentativa de homicídio também cresceram. Foram 125 até outubro de 2019 contra 88 no mesmo período de 2018, o que corresponde a um aumento de 42%. Entre os crimes violentos, foi o que apresentou o maior crescimento.

Roubo de veículos
e celulares

Além do roubo de veículos, que teve um aumento de 27%, o roubo de celulares também registrou um crescimento expressivo: de 36,5%. Até outubro de 2019 foram registrados 116 casos contra 85 conta-bilizados no mesmo período em 2018. É bom lembrar que nesse tipo de crime, o roubo acontece com ameaça ou agressão à vítima, diferente do furto, quando a pessoa não está presente ou não percebe o ato.
Outros tipos de furto também tiveram aumento. O de celulares foi de 45,6% – 166 casos até outubro deste ano contra 114 no ano passado. Os furtos de veículos aumentaram 13,4%, com 229 registros até outubro de 2019 e 202 em 2018. Por outro lado, o furto a transeunte teve queda significativa, de 21,8%, na comparação entre os dois anos. Em 2019, até outubro, foram registrados 104 casos, contra 133 do ano anterior. O roubo a transeuntes – quando há grave ameaça ou agressão – também teve queda, de 8,9%. Foram 226 casos até outubro de 2019 contra 248 no mesmo período do ano passado. Ao que parece, pelo menos nas ruas, as pessoas estão um pouco mais seguras.
Não se pode dizer o mesmo dos estabelecimentos comerciais, que contabilizam 48 casos de roubo até outubro deste ano contra 18 do ano anterior. O número de ocorrências quase triplicou na comparação entre 2018 e 2019. Em casa, a coisa não melhora muito: foram 11 casos de roubos a residências este ano contra sete no ano passado.
Outros crimes chamam a atenção pelo volume, além do crescimento. É o caso dos estelionatos, que chegaram a 490 ocorrências em 2019(crescimento de 31,7% em relação ao ano anterior). Para se ter uma ideia da quantidade de vítimas lesadas pelos “171”, este é o terceiro crime com maior número de registros no período, só ficando atrás da lesão corporal dolosa – com 719 casos – e da ameaça, com 694 ocorrências. Mas os dois últimos tiveram um crescimento inexpressivo, ambos com dois casos a mais que o ano passado (aumento de 0,3%).

Barra Mansa
Em Barra Mansa, a situação é mais calma do que em Volta Redonda. Os indicadores estratégicos da violência se mantiveram praticamente no mesmo patamar, com uma pequena queda no número de homicídios, mas com aumento no de veículos roubados. Entre janeiro e outubro de 2019, foram registrados 31 homicídios dolosos na cidade, um a menos que igual período de 2018. Quanto ao roubo de veículos, nos dez primeiros meses deste ano foram 34 ocorrências, contra 21 do ano passado.
Os outros índices com aumento em Barra Mansa foram tentativas de homicídio (19,8%) e roubo de celular (mais de 50%). O furto de celulares também aumentou em 35%, mas o de veículos caiu 26%. O número de estelionatos também apresentou queda, de 37,4%. Mesmo assim, até outubro deste ano, 109 pessoas foram vítimas deste crime em Barra Mansa.

Governo do Estado comemora queda nos assassinatos

O governador Wilson Witzel comemorou os números recentes da segurança pública no estado. Segundo dados do ISP-RJ, houve uma redução de 21% nos homicídios dolosos nos 10 primeiros meses de 2019. De janeiro a outubro deste ano, foram registradas 3.342 vítimas, menor número para o acumulado do ano desde 1991. Para azar de Witzel, segundo estudo publicado pelo Centro de Pesquisas do Ministério Público do Rio de Janeiro, o crescimento da letalidade policial não tem relação direta com a queda dos assassinatos.
Entre outros pontos, o estudo mostra que das 39 Aisp (Áreas Integradas de Segurança Pública) existentes no estado, apenas cinco – entre elas a 33, que engloba a região da Costa Verde – foram responsáveis por uma queda de 42% no número de assassinatos entre 2018 e 2019. O documento ressalta que de fato há áreas onde o número de mortes causadas por policiais é acompanhado pela queda do número de homicídios dolosos, mas isso não é uma regra. Há regiões, de acordo com o estudo, onde houve queda no número de mortes por policiais e dos assassinatos, ao mesmo tempo.
O Centro de Pesquisas do Ministério Público mostra ainda que o número de mortes causadas por policiais no estado do Rio vem aumentando acentuadamente desde 2015, atingindo o auge agora em 2019, com uma média de 156 mortos por policiais ao mês. Estes números mostram, segundo o levantamento, que a polícia do Rio de Janeiro é a mais letal do Brasil, embora o estado não seja o mais violento do país.
Por fim, o relatório aponta que o aumento excessivo no número de mortes causadas por policiais, com uma queda da violência em apenas algumas regiões do Estado, pode levar a população a perder a confiança nos órgãos de segurança, principalmente a polícia.
Volta Redonda é o exemplo prático que a redução da violência não está ocorrendo de fato em todo o estado do Rio. Basta olhar os números oficiais.

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