Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Publicado em 14/01/19, às 08:40

‘É nossa!’

Foram necessários 395 longos dias para a burocracia entregar os pontos e passar parte de um trecho da BR-393 que passava pela cidade do aço, do Jardim Amália ao Santa Inês, na divisa com Barra Mansa, às mãos da prefeitura de Volta Redonda. Mais tarde, e que não seja tão demorado quanto, um segundo trecho, do Santo Agostinho ao Jardim Amália, também será municipalizado. “Esse trecho do Santo Agostinho só será entregue quando a Acciona assumir a gestão da Rodovia do Contorno”, explicou Maurício Batista, referindo-se à concessionária que administra a BR 393, uma rodovia federal.  

 

 O primeiro passo da municipalização foi dado na segunda, 7, quando o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) mandou publicar o extrato do termo de municipalização de 6 kms que cortam o município. E, sem perda de tempo, o prefeito Samuca Silva comandou a pintura da sinalização horizontal da via, incluindo a criação e demarcação de 400 vagas de estacionamento que vão fazer a alegria dos motoristas que estejam indo para o Centro, Vila e 207, sentido Jardim Amália/Santa Inês.

 

 A pintura das vagas começou a ser feita já na noite de segunda 7. Detalhe: contou com a presença do prefeito Samuca Silva, que estava acompanhado pela primeira dama, Odilliani Bartolini. E olha que já era quase meia-noite. O casal, o secretário de Transporte e Mobilidade Urbana, Maurício Batista, e o vereador Washington Granato estiveram acompanhando os trabalhos de sinalização da nova rodovia municipal (será que vão mudar o nome?) nas proximidades do Sider Shopping. “A publicação (do Dnit) apenas oficializou a municipalização do trecho, que passa a ser administrado pela prefeitura. Com isso, poderemos promover melhorias, regularizar as vagas da Vila Santa Cecília, 207 e Avenida Getúlio Vargas, por exemplo. Além disso, vamos poder implantar ciclovias, entre outras ações de mobilidade urbana”, comemorou Samuca.

 

 O prefeito foi além. Lembrou que o estacionamento de veículos ao longo da BR-393 era proibido, muito embora a proibição não fosse acatada. Tem mais. A Polícia Rodoviária Federal, na maioria das vezes, fazia ‘ouvidos de mercador’. “Essa municipalização é importante para a mobilidade urbana da nossa cidade. Conseguimos através de muito diálogo. Lembro que essa municipalização só foi possível com a inauguração da Rodovia do Contorno (em 8 de dezembro de 2017, grifo nosso), que tirou oito mil veículos por dia do trânsito na nossa cidade”, completou.

Corredor para Ônibus

Com relação à novidade, bem que o prefeito Samuca Silva poderia estudar a possibilidade de implantar um projeto mais ousado de mobilidade urbana que passa por tirar os ônibus da Avenida Amaral Peixoto. Poderia, por exemplo, criar um corredor para os veículos de transporte de passageiros ao longo do Jardim Amália, passando pela Avenida Getúlio Vargas até a Ponte Alta e depois Barra Mansa. Teria, é claro, que contar com a boa vontade da MRS em permitir quer sejam feitos recuos ao lado do trecho da ferrovia que corta a cidade para que a prefeitura possa criar pontos de ônibus, como os que existem na Amaral Peixoto, com sinais de trânsito e passagem de pedestres.

 

Se Samuca gostar da ideia poderá ainda implantar o serviço reversível do Trânsito na Avenida Getúlio Vargas. Na parte da manhã, por exemplo, usaria duas pistas de rolamento do posto JK até a Passagem Superior da CSN; e na parte da tarde, em sentido contrário.

 

Os empresários da área central de Volta Redonda, que tanto reclamaram das modificações feitas pelo governo Samuca na Amaral Peixoto, por conta da redução do número de vagas de estacionamento, certamente iriam adorar a novidade, pois a avenida voltaria a ter vagas para estacionar, e sem os ônibus circulando por ela.

Acidente

Além da geração de vagas de estacionamento, a municipalização do trecho da BR-393 que passa por Volta Redonda vai acabar com um drama que os motoristas eram obrigados a conviver. O de esperar por atendimento da Polícia Rodoviária Federal, cujos agentes ficam sediados no posto da PRF em Barra do Piraí. Em caso de acidentes, só eles podiam fazer o registro do mesmo, o que levava horas para acontecer. “Os acidentes serão atendidos e registrados pela Guarda Municipal”, informou Maurício Batista. Que assim seja!

 

Um ano…

Com um ano de funcionamento completado em 8 de dezembro passado, a Rodovia do Contorno (foto ao lado) confirmou o que todos esperavam. Melhorou sensivelmente o trânsito da cidade do aço, tirando os caminhões pesados do centro de Volta Redonda. Algo como 10 mil veículos/dia. Para ficar melhor, só mesmo quando os seus 12,5 quilômetros passarem para as mãos da Acciona, e a concessionária, em compensação, entregar todo o trecho da BR 393 à prefeitura de Volta Redonda.

 

De acordo com o subcomandante da Guarda Municipal, Rodrigo Fagundes Muller, a Rodovia do Contorno promoveu melhorias no trânsito em bairros como Jardim Amália, São Geraldo, Vila Santa Cecília, Conforto e Ponte Alta.

“Caminhões que estão na Via Dutra e acessam a BR-393, por exemplo, não precisam acessar nossa cidade pela 207 e atravessar Volta Redonda. Ele pode acessar diretamente a Rodovia do Contorno, o que diminui o fluxo no município, permitindo que nossas ruas sejam, de fato, urbanas”, explicou Muller.

O prefeito Samuca Silva afirmou que as melhorias vão além do trânsito. “A Rodovia do Contorno proporcionou, no mínimo, dois benefícios para a cidade. Retirou o tráfego de veículos pesados da área urbana e abriu novo espaço para o desenvolvimento imobiliário e econômico de Volta Redonda”, aposta.

 

De acordo com Samuca Silva, a Rodovia do Contorno também chamou a atenção de grandes empresas interessadas em se instalarem às margens da via, possibilitando a geração de investimentos na cidade. “Volta Redonda tem terras disponíveis, logística e está muito bem localizada. Nosso esforço é buscar o desenvolvimento econômico e geração de empregos. A Rodovia do Contorno, assim como a área onde será instalado o Polo Metal-Mecânico, são áreas com totais condições para receber as grandes empresas e estamos dialogando para ampliar a vinda desses investimentos”, avalia Samuca.

Tolerância zero

Disposto a melhorar a vida dos voltarredondenses, nem que seja ‘no grito’, a prefeitura de Volta Redonda foi radical ao proibir, a partir de 1º de janeiro, o tráfego de veículos pesados por dentro da cidade do aço. A restrição só não se aplica aos veículos empregados em serviços essenciais e de emergência. A fiscalização está sendo feita pela Guarda Municipal e o secretário de Transporte e Mobilidade Urbana, Maurício Batista, quer ir além. “Estamos pensando em proibir o uso de carretas para carga e descarga no centro de Volta Redonda. As empresas deverão usar caminhões pequenos para coletar ou entregar as encomendas. Isso já é comum nos grandes centros e Volta Redonda começa a sentir os resultados do excesso de veículos rodando pelo município”, avalia.

 

A medida está sendo analisada e enquanto não é colocada em prática, Maurício Batista explica como vai funcionar a restrição para os caminhões pesados que apenas passem por Volta Redonda. “Caminhões com carga pesada, como os caminhões de entrega, ainda vão poder trafegar normalmente. Só precisam estar portando a nota fiscal do produto e com a documentação do veículo em dia. Já aqueles que não estiverem vindo realizar entregas de mercadoria ou saindo para fazer entregas em outros lugares, não poderão trafegar por dentro do município”, explicou.

 

Maurício destacou que desde o início do ano a Guarda Municipal já está orientando os motoristas nas principais saídas e entradas da cidade, onde foram colocados avisos alertando da proibição existente. “Estamos com postos da Guarda Municipal nas principais saídas e entradas da cidade como na 207, São Luiz e Vila Rica para orientar e fiscalizar a entrada de veículos pesados. Terão, a partir de agora, que passar pela Rodovia do Contorno”, alertou.

O prefeito Samuca Silva foi mais categórico. “Estamos proibindo o trânsito de todas as carretas de carga dentro da cidade, com carga perigosa, alta, peso em excesso. (Só) Vamos permitir placas de Volta Redonda, e obviamente quem tiver um serviço, uma entrega, ou algum trabalho na cidade. Seremos rígidos”, avisou.

Barra Mansa

A alegria de Samuca não vai contagiar os motoristas de Barra Mansa, principalmente os que usam, diariamente, a BR-393 do Santa Inês à Via Dutra, passando pelo 9 de Abril, um dos bairros populosos da cidade governada por Rodrigo Drable. É que, sabe-se lá porque cargas d’água, a prefeitura da cidade vizinha não foi beneficiada pela municipalização da BR-393. Rodrigo chegou a estar presente em um ou dois encontros com a direção do Dnit, em um deles ao lado de Samuca. Mas, na hora ‘h’ ele não estava lá.
Procurada na manhã de terça, 8, para falar a respeito, a assessoria de imprensa do prefeito Rodrigo Drable até ontem, sexta, 11, não tinha atendido ao pedido da reportagem.

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