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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 27/11/17, às 08:36

Duas horas a mais

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Depois de nove anos, o turno de 8 horas está de volta à Usina Presidente Vargas. Na teoria, a mudança passou a valer desde ontem, sexta, 24, quando Sindicato e CSN assinaram o documento que oficializou a implantação da nova jornada de travalho na UPV. Na prática, o turno vigente ainda é o de seis horas: a empresa ainda não anunciou a data da mudança, mas segundo uma fonte ouvida pelo aQui, ela deverá ocorrer até o final de dezembro. “A CSN quer entrar 2018 já com o novo turno”, informou a fonte.  

 

A votação que definiu a volta do turno de 8 horas foi realizada na quinta, 23, na Praça Juarez Antunes. Foram apurados 3.971 votos, sendo 2.202 a favor da mudança e 1.742 contra. Os votos nulos somaram 20 e os brancos, sete. A proposta da CSN consistiu em um abono de R$ 4 mil a ser pago em três parcelas: a primeira, de R$ 2 mil, até cinco dias da assinatura do acordo; a segunda de R$ 500 em crédito extra no cartão alimentação; e a terceira, no valor de R$ 1.500, junto com o pagamento dos salários de maio de 2018.

 

Para os trabalhadores do turno, a proposta foi boa. Eles vão receber no próximo dia 30, os salários de novembro acrescido da primeira parcela do turno e ainda da primeira parcela do 13º salário. E no dia 15 de dezembro, a CSN vai realizar o crédito extra de R$ 500 no cartão alimentação, totalizando (no mês) um saldo de R$ 845 para compras de Natal ou pagamento de dívidas na praça. 

 

As negociações que resultaram na proposta aprovada pelos trabalhadores, foram realizadas na terça, 22, na Gerência Regional do Trabalho e Emprego, com a mediação do auditor-fiscal do Trabalho, Luiz Felipe Assumpção. O MTE precisou ser acionado porque as três propostas oferecidas pela CSN – ao longo de quatro meses – foram rejeitadas, na mesa, pelo Sindicato. Ao aQui, Silvio Campos justificou dizendo que as ofertas estavam muito aquém do esperado pelos metalúrgicos e que a empresa ainda não tinha dado garantias de empregabilidade para cerca de mil operários que compõem a quinta letra na jornada de seis horas.

 

Com a mediação do MTE, a CSN finalmente chegou a uma proposta final, que foi votada e aprovada pelos metalúrgicos. Além do abono de R$ 4 mil, os trabalhadores vão poder definir a melhor tabela de horários (claro, dentro das opções que a CSN vai apresentar). Outros itens contemplados são: uma hora para intervalo de refeição, melhoria na qualidade da comida servida e ainda a garantia de que os trabalhadores da letra excedente não serão demitidos.

 

Após a apuração dos votos, a CSN divulgou um boletim aos seus funcionários parabenizando-os pela aprovação da proposta e destacou um possível aumento da competitividade na produção. “Em votação realizada hoje pelo Sindicato dos Metalúrgicos, 55,6% dos colaboradores que fazem turno de revezamento aprovaram a implantação do turno de revezamento ininterrupto de 8 horas. Este regime e outros semelhantes (de 8h e 12h) já são adotados por todas as concorrentes da CSN. A mudança proposta deve alavancar a produtividade e a competitividade da empresa e garantir a viabilidade operacional da Usina Presidente Vargas”, diz o comunicado.

 

Ainda de acordo com a publicação, a CSN confirmou o pagamento do abono para a próxima quinta, 30, de R$ 2 mil em espécie. Os R$ 500 extras no cartão alimentação serão liberados no dia 15 de dezembro; e o restante – R$1.500 – em 31 de maio de 2018.

 

Mudanças no turno – Depois da Constituição de 1988, a primeira vez que se implantou o turno de 8 horas na Usina Presidente Vargas foi em 2000. Na Greve de 88, os trabalhadores brigaram pelo turno de seis horas e conseguiram sua implantação – a mudança, porém, durou até 2000 quando a CSN obteve de volta a jornada de 8 horas. Em 2008, o então presidente do Sindicato, Renato Soares, conseguiu – com ameaças de greves e muita negociação com a empresa – voltar para seis horas. Esta jornada durou até 2017, quando na quinta passada, dia 23, os trabalhadores aceitaram (no voto) a mudança do turno.

 

Confira as mudanças da jornada de trabalho na CSN de 1988 pra cá.

Ziguezague do turno

Antes de 1988 – turno de 8 horas

Greve de 1988 – conquista do turno de 6 horas

De 1988 a 2000 – turno de 6 horas

De 2000 a 2008 – turno de 8 horas

De 2008 a 2017 – turno de 6 horas

Novembro de 2017 –  volta do turno de 8 horas. Até quando?

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