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Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019
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Publicado em 09/09/19, às 10:47

Do aço

Gustavo Tutuca (MDB), deputado e ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia, mora há dois anos em Volta Redonda, mas foi só na segunda, 2, que ele decidiu assumir a vontade de ser um voltarredondense ‘de coração’. E, importante, embora tenha tentado fugir do tema, confessou que sonha  subir a rampa do Palácio 17 de Julho. “A questão das eleições municipais (de 2020) vamos deixar para discutir no ano que vem. A partir do momento que você tem domicílio eleitoral, que vive na cidade e atua na política, essa possibilidade (candidatura) existe. Mas confesso que não é meu foco principal neste momento”, teorizou. 

 

Tutuca aproveitou para analisar sua própria postura. “Não tem como definir isso (a candidatura) agora. Estou muito focado neste início de mandato em estruturar o meu trabalho. Passei os últimos dois mandatos ocupando funções no Executivo, e isso me distanciou um pouco da base. Naturalmente a gente fica com uma presença maior na capital que aqui no sul do estado, que é minha principal base de atuação. O meu foco é reorganizar o mandato, estar mais próximo da base”, disse Tutuca, justificando a abertura do escritório em Volta Redonda.

 

O parlamentar, natural de Piraí, filho do ex-prefeito Tutuca, pelo menos mostrou que não foge das perguntas. Como, por exemplo, a situação do MDB, que tem seus principais nomes atrás das grades – como Sérgio Cabral e Pezão, dos quais sempre foi bem próximo. “É preciso separar as coisas. Algumas pessoas que foram filiadas ao MDB passaram por problemas – como de outros partidos também. É claro que o MDB tem essa notoriedade porque foram os dois últimos governadores que passaram por este problema (prisão), mas eu sempre acreditei muito nas pessoas. Procuro fazer  meu mandato da forma mais correta possível”, pontuou. 

 

Questionado sobre – no caso de não ser candidato a prefeito – apoiar a candidatura de Samuca, Neto, Baltazar ou Zoinho, Tutuca disse que não teria problema em “caminhar junto” com nenhum deles. “Sempre fiz um mandato atuando próximo de todas as correntes políticas do local, e não vejo dificuldade nenhuma. A gente sabe que o prefeito (Samuca) seria naturalmente candidato à reeleição. Ele nega, fala que só vai decidir isso mais para a frente. Mas eu não vejo dificuldade em caminhar com nenhuma dessas pessoas. Nunca tive problemas com nenhum deles”, frisou.

 

Tutuca mostra que sua estratégia na cidade do aço passa por também reorganizar o MDB, pois o diretório local estaria inoperante, embora conte com quatro vereadores (Paulinho do Raio X, Fernando Martins, Tigrão e Laydson, grifo) e ainda com a ex-vereadora América Tereza (agora aliada a Samuca) para, como frisa, reerguer o MDB em Volta Redonda. “O partido precisa passar por uma oxigenação. O partido tem uma história e estamos em busca desses novos quadros”, disse, esperando que o MDB faça um movimento de mudanças em  nível nacional. “Ele precisa se reinventar para poder ter um novo caminho. Se não mudar sua forma de atuar, dificilmente atrairemos novos quadros, e quadros atuais também não permanecerão no partido”, disparou, mostrando que até ele mesmo pode estar de saída (para o PSC).

 

Aliás, Tutuca garante que mantém uma boa relação com Witzel, tanto que teria recebido um convite do governador para assumir a área de comunicação. O que ele nega. “Nunca houve esse convite, e não tenho essa pretensão. Gostaria muito de conseguir cumprir meu mandato na Alerj. Como eu disse, passei boa parte dos dois primeiros mandatos no Executivo, e agora gostaria de cumprir esse papel no Legislativo”, afirmou. 

 

Sobre o combate à violência, uma das maiores plataformas de campanha de Witzel, Tutuca entende que o desemprego é um dos fatores que mais contribuem para o aumento da violência e não se mostra 100% a favor da tese do “mira na cabecinha e mata”, do governador. “Precisamos encontrar um meio termo. Não dá para achar que todo mundo que mora em comunidade pode ficar refém de bala perdida e de um ataque em operações da polícia, principalmente estudantes em sala de aula”, justifica, para logo completar.

 

“Mas também não dá mais para conviver com o nível de violência que existe hoje. Claro que um cidadão que está portando um fuzil dentro de uma comunidade está sujeito a ser abatido. Mas tem que ser com inteligência, porque vai matar um cidadão que está portando um fuzil; o fuzil vai continuar lá e logo eles vão colocar outro para usá-lo, porque a fila para entrar no tráfico hoje não é pequena. Com o desemprego, muita gente não quer isso, mas precisa”, pontuou.  “Acho que é assim que vamos vencer este problema”, apontou.

‘Julgamento justo’

Questionado sobre Pezão, preso desde o final de 2018, Tutuca afirmou que vê a situação “com tristeza”. “Muito triste. A gente não esperava que isso fosse acontecer. A nossa região teve a oportunidade de oferecer muitos quadros para o governo do Estado e isso ajudou em muitas coisas. Tem muita gente que veio contribuir e continua aí. Eu, por exemplo, continuo tocando meu mandato, o prefeito Neto também esteve no governo do Estado, está inelegível por uma questão administrativa, não criminal. O que a gente espera, primeiro, é que as pessoas possam se defender, com uma defesa justa para chegar até o final desse processo”, disse ele, que completou: “O testemunho que posso dar, em relação ao Pezão, é que transformou a minha cidade, Piraí. Pegou um momento difícil e entregou com geração de empregos, virou um exemplo. O que a gente espera é que ele tenha um julgamento justo”.

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