Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quinta-Feira, 25 de Abril de 2019
0
Publicado em 11/02/19, às 09:14

Deu zebra

Dias antes da estreia no Carioca de 2019, o Voltaço fez um pedido à direção do Estádio Raulino de Oliveira: queria fazer um treino coletivo preparatório para o torneio. O pedido foi negado. Motivo: preservar a grama do campo, que iria receber diversos jogos por conta do campeonato. Não demorou muito e o ‘não’ vazou para internautas de oposição a Samuca Silva.

Essa semana, mais uma notícia vazou e foi baseada em um edital publicado nos jornais onde o Voltaço convocava seus conselheiros para deliberar sobre o aumento da mensalidade dos sócios, já que o clube teria que pagar aluguel para jogar no estádio municipal – o que é praxe para outras equipes.

O ‘x’ da questão é que a prefeitura de Volta Redonda não cobra aluguel do Raulino de Oliveira do Voltaço. Muito pelo contrário. É tudo no amor. Desde 2017, por exemplo, o tricolor de aço já utilizou o estádio para jogos, treinamentos e competições infantis em cerca de 70 oportunidades. Não pagou nem um real por nada, nem pela manutenção do estádio.

Em um relatório, ao qual o aQui teve acesso, descobre-se que só de manutenção do gramado a prefeitura gasta R$ 25 mil por mês, valor que não foi cobrado do Voltaço. Em dois anos, foram mais de R$ 600 mil só de gastos com a manutenção do Raulino.

Para jogos de outros clubes, é cobrado um valor que varia de R$ 10 mil a R$ 38 mil, dependendo da partida e do horário. O fato pode ser conferido nos borderôs da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj). Pela partida contra o Flamengo, em 23 de janeiro, o Resende pagou R$ 35 mil de aluguel do Raulino, mais R$ 6 mil de taxa de iluminação. E o time da cidade vizinha ainda pagou R$ 12 mil de aluguéis de grades.

Já o borderô do jogo entre Voltaço e Portuguesa, em 2 de fevereiro, mostra que a equipe da cidade do aço não teve qualquer gasto com aluguel ou iluminação pública. Segundo uma fonte do aQui, o Voltaço não gasta nada para usar o Raulino. “Em dois anos de gestão Samuca, o Voltaço utilizou o estádio até para compe-tição infantil. A prefeitura não cobra aluguel. Parece que é terrorismo ou algo político para a divulgação dessa falsa notícia”, destacou a fonte.

Tem mais. Até agosto de 2018, o clube explorava os bares do estádio. Só parou de ganhar algum trocado quando foi feita uma licitação para exploração das cantinas. “Nos jogos do Voltaço, o clube recebe da empresa que explora os bares o valor de R$ 1,20 por torcedor presente no Raulino. Contando apenas aluguel, o Voltaço economizou cerca de R$ 400 mil. Somando aí a manutenção do gramado, que é cerca de R$ 25 mil mensal, o resultado reflete uma economia de R$ 1 milhão com a utilização do Raulino nos últimos dois anos”, comentou a fonte.

Procurado pelo aQui, o prefeito Samuca Silva limitou-se a dizer que não há possibilidade de cobrar aluguel do clube. “Apesar do vice-presidente do Voltaço ter ido à Câmara de Vereadores dizer, de forma infantil, que a prefeitura não ajuda o Voltaço, não cobramos qualquer aluguel. O clube é um patrimônio da cidade. O que estiver sempre ao alcance do Município, sem qualquer politicagem, estaremos dispostos a ajudar. Na reunião com a direção, vamos alinhar novas parcerias”, pontuou Samuca. Traduzindo: deu zebra no resultado político.

 

Promessa interrompida

Um incêndio, de grandes proporções, atingiu ontem, sexta, 8, o Centro de Treinamento do Flamengo na Barra da Tijuca – o Ninho do Urubu – e matou 10 garotos, incluindo o voltarredondense Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, de 14 anos. Além disso, o fogo deixou três feridos, um deles em estado grave. O jovem Arthur, que atuava como zagueiro há três anos nas categorias de base do Flamengo, morava com a mãe, a tia e uma prima no Volta Grande II, em Volta Redonda. Arthur completaria 15 anos hoje, sábado, 9, e estava pronto para a festa ao lado família. Detalhe: ele tinha acabado de ser convocado para a seleção brasileira sub-15.

Arthur chegou a atuar nas categorias de base do Voltaço – que emitiu uma nota de pesar pela morte do jogador – e no time de futsal sub-15 do Sesi em Volta Redonda. Na nota, o Volta Redonda informou que Arthur chegou ao clube com 10 anos, e em 2017, após ser revelação na ‘VR Cup’, de 2017, foi cedido ao Flamengo em uma parceria.

Até o início da tarde de ontem, além de Arthur, haviam sido identificados outros cinco atletas mortos: Athila Paixão, 14 anos, de Lagarto (SE), Bernardo Pisetta, 14, de Indaial (SC); Christian Esmério, 14; Pablo Henrique da Silva Matos, 14, Oliveira (MG) e Vitor Isaías, 15 anos, Florianópolis (SC). Outros três jovens ficaram feridos no incêndio, um deles com gravidade.

As causas do fogo estão sendo apuradas, mas a princípio, de acordo com o testemunho de alguns jogadores que consegui-ram fugir do incêndio, ele teria origem em um curto-circuito em um aparelho de ar condi-cionado. O local onde os atletas dormiam era provisório, formado por três contêineres, uma vez que o CT estava passando por reformas. A prefeitura do Rio informou que o alojamento não constava da planta original do Ninho do Urubu, e que não teria licença municipal. A direção do Flamengo classificou o ocorrido como “a maior tragédia da história do clube”. O governador do Rio, Wilson Witzel, declarou três dias de luto oficial.

Segundo informações, outros dois atletas de Volta Redonda, que atuam nas categorias de base do Flamengo, teriam escapado do incêndio, pois já haviam retornado para a cidade, porque o treino de sexta, 8, pela manhã havia sido cancelado.
Ainda ontem, sexta, 8, o prefeito Samuca Silva decretou luto oficial de três dias, em função da morte de Arthur Vinícius. “A prefeitura de Volta Redonda expressa as mais profundas condolências para as famílias das vítimas”, disse, em nota aos jornais.

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.