Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2018
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Publicado em 08/01/18, às 09:55

“Deu certo”

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Roberto Marinho

De azarão a prefeito em pouco tempo. Essa é a melhor definição para a trajetória política de Samuca Silva, o grande vencedor das eleições de 2016, talvez uma das mais concorridas da recente história da cidade do aço. Não é para menos, afinal desbancou políticos tarimbados como Paulo Baltazar e América Tereza. Hoje, prestes a completar um ano à frente do Palácio 17 de Julho, ainda luta para vencer a desconfiança de parte da população, que o considerava jovem demais para governar uma cidade do porte de Volta Redonda. Só que ele sonha mais alto. “Se eu for chamado, a população é que vai decidir”, afirmou em entrevista exclusiva ao aQui, referendo-se à possibilidade de ser vice na chapa do Podemos para o governo do Estado, ao lado do senador Romário.  

É por essas e outras, como ocupar diariamente as redes sociais para divulgar, esclarecer, rebater ou explicar seus atos, que Samuca vem chamando a atenção pelas mudanças e investimentos que vem fazendo na cidade do aço. O mais recente e até então inesperado, que fecha com chave de ouro o seu primeiro ano de governo, foi a compra do Hospital Santa Margarida, considerada uma tacada de mestre. Soma-se a isso a inauguração do Hospital do Idoso, na quarta, 27. “Em Volta Redonda eu quero incentivar muito a prevenção, para que nossa população não adoeça, ou reduza o nível de atendimento nos hospitais. Por outro lado, temos que ampliar a capacidade de leitos”, comentou Samuca.  

Ele foi além. Fez um balanço de seu governo, esclarecendo que 2017 foi ano de ajustes financeiros. Disse que focou na saúde e na valorização do servidor público, prova disso foi o aumento na Cesta Básica do funcionário que, com a mudança, o abono passou a ser chamado de auxílio-alimentação (que ainda não caiu na conta do trabalhador, grifo nosso). Além disso, vale frisar a abertura de diálogo para a implementação do tão sonhado Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) da educação e do funcionalismo, um acontecimento histórico em Volta Redonda. De acordo com o prefeito, a ideia é começar a pagar em janeiro de 2018.

aQui: Qual o balanço que o senhor faz do primeiro ano do seu governo?

Samuca Silva: O primeiro ano foi de reconstrução, de estruturar a base, trazer uma administração moderna para uma cidade que estava há muito tempo sob uma forma de administrar. Isso não é qualquer tipo de demérito (do governo Neto, grifo nosso). A gente quis trazer para Volta Redonda a modernidade, tudo de novo que está aí, conceitos diferentes para a administração pública. E isso é invisível, é uma mudança que a população não vê.

Quando você coloca planejamento estratégico, faz reunião de secretariado, estabelece submetas, indicadores; quando você coloca o plano de governo que você prometeu e vai quantificando; quando você promove audiências públicas para debater plano de mobilidade, plano diretor, conselhos municipais, estruturar toda essa participação popular, você está promovendo uma mudança que a sociedade não vê, mas é a base.

Foi um governo que rompeu um ciclo vitorioso – que fez muito pela cidade, muito – mudando todos os secretários, a gestão, todo mundo colocando pessoas técnicas, sem indicação política, sem fazer política. Isso centralizou muito na figura do prefeito, obviamente, me desgastou bastante – física e pessoalmente –, mas deu certo.

E talvez, principalmente, romper o preconceito de ser um jovem à frente da 11ª economia do estado do Rio. Tudo isso em um caldeirão, podia dar tudo errado ou tudo certo, e deu tudo certo.

A gente já começa a colher os frutos de resultados concretos, dessa preparação da base. Eu lembro que nós temos 91% do nosso plano de governo – que foi registrado em cartório – já iniciados ou concluídos. Estou pedindo um levantamento, mas deve passar de 50% concluído as metas ou planos de governo, isso para quatro anos. Algo impressionante. 2017 foi o ano da reconstrução, da quebra dos paradigmas e de colocar uma forma de administrar. E acho que a sociedade entendeu essa forma de administrar.

 

aQui: É como trocar os pneus do carro em movimento: a cidade não para. É buraco na rua, lâmpada queimada. Para administrar isso tudo como foi?

Samuca: Até antes da posse registramos lá no blog ‘cidadequeherdamos.blogspot.com.br’ a cidade estava de uma forma… que a gente quis demonstrar para a sociedade como ela estava. Comparando aquele momento com hoje, te falo que ela está melhor. Obviamente tem muitos problemas, mas a cidade não sentiu essa mudança de gestão.

Nós trocamos todos os secretários, trocamos a gestão do Hospital São João Batista, Retiro, Cais, Policlínica, foi um rompimento. E a cidade não sentiu. O serviço público continuou a ser efetuado. Obviamente tivemos alguns problemas, principalmente na área da Saúde, mas eu me sinto muito orgulhoso, muito feliz, de ter segurado essa cidade com uma qualidade, um nível. Consegui mostrar para a sociedade que aqui tem um cara pegador, que segura o rojão.

 

aQui: Seu governo teve algumas surpresas, que talvez nem o senhor esperasse, como a compra do Hospital Santa Margarida, a questão do Hospital do Idoso. Como vê isso?

Samuca: Quando vemos o plano de governo – fortalecimento e consolidação do programa Saúde da Família, concurso público, avaliação de toda a estrutura da rede municipal – indiretamente a gente já sabia das fragilidades. Por exemplo, eu quero incentivar muito a prevenção para que nossa população não adoeça, ou reduza o nível de atendimento nos hospitais. Por outro lado, temos que ampliar a capacidade de leitos. Só que falar na campanha do Hospital Santa Margarida ou qualquer outro era um risco porque a gente não sabia dos problemas jurídicos. Desde o início eu venho dialogando. No Santa Margarida eu falei com a iniciativa privada, com a CSN, com a Federação dos Aposentados, para tentar fazer uma articulação para abrir o hospital. Foi quando apareceu o leilão: nós fizemos um esforço financeiro, recebemos recursos, o que oportunizou a prefeitura efetuar a compra do Santa Margarida. Só de equipamentos tem R$ 4 milhões – fora os nove andares, o terreno. Então foi uma ótima compra, que vai abrir espaço de leitos, oferecer mais qualidade. E a manutenção vai ser feita de forma gradativa. Nós vamos redirecionar as ações que estão nas pontas para dentro do hospital.

E aí, quando você fala da Rodovia do Contorno: tivemos um papel fundamental na rodovia, de articular com todos os órgãos, resolver os problemas para abrir para o tráfego. O Hospital Santa Margarida, nós fomos proativos, fomos lá e oferecemos. O Hospital do Idoso foi proatividade do governo. A Clínica de Diálise, eu fui quatro vezes a Brasília para tentar articular com o ministro (a abertura), sensibilizá-lo.

E tinha uma insegurança política: “Volta Redonda vai ficar numa ilha”, por ter ganhado a eleição de uma forma quase que sozinho. Mas demos provas que também temos articulação política, diálogo, conversa. Então é sorte, mas também é competência, eles andam lado a lado.

 

aQui: Falando de política, 2018 é ano eleitoral. Com o PMDB fragilizado, o Podemos com candidatura própria ao governo do Estado (do senador Romá-rio), como o senhor vê o quadro?

Samuca: O Podemos tem uma candidatura à presidência da República (senador Álvaro Dias, grifo nosso). Eu recebi o convite para entrar no partido do Álvaro Dias, pré-candidato pelo Podemos – hoje eu estou no partido por conta dele. A minha ida para o Podemos foi muito antes do Romário, depois ele veio. É pré-candidato ao governo do Estado, mas independente da figura do Romário, defendo que o Podemos tem que ter uma candidatura a governador. Que seja Romário ou outro nome, está na hora.

 

aQui: O senhor aceitaria estar nessa chapa?

Samuca: Quem decide isso é a população. Se eu receber o convite do partido para entrar nessa briga, vou consultar a população, porque foi ela que me elegeu para um mandato de quatro anos. Para qualquer tipo de eleição (Legislativo ou Executivo) eu teria que renunciar ao cargo. Quem vai decidir é a população, não sou eu. Quero é o bem de Volta Redonda. Estou trabalhando muito, fazendo coisas que não seriam feitas, ou que demorariam quatro anos de mandato. Eu fiz em 12 meses. Mas eu acho que o Estado do Rio de Janeiro está em um momento que precisa de uma mudança como a que aconteceu em Volta Redonda.

 

aQui: O senhor estuda alguma candidatura de membros do seu governo?

Samuca: Eu não lancei candidato, mas acho que um governo tem que ter representatividade na Alerj e na Câmara dos Deputados. Isso depende muito dos nomes. A gente tem várias pessoas que querem sair como candidatos, querem o apoio do governo. Acho que a partir de janeiro, fevereiro, a gente tem que começar a falar esses nomes. Apoiar ou não alguém vai depender desse cenário político, que está ainda em aberto. Acho que temos mais esses dois meses e em fevereiro a gente decide quem será o candidato do governo. Ou se teremos – ou não – candidatos do partido e do governo, ou até mesmo outro nome que tenha o apoio do governo. É importante, mas não tem nada definido.

Se você fizer um histórico, outros prefeitos de primeiro mandato na história de Volta Redonda nem sempre apoiaram alguma pessoa no primeiro ano. Vamos esperar para ver.

 

aQui: O que está para vir em 2018?

Samuca: Este ano foi de ajuste – gestão e finanças – muito foco na Saúde, serviço público interno sendo profissionalizado. Demos prova que o funcionalismo deve ser valorizado. Outro destaque em 2017 foi a Mobilidade Urbana, entramos em alguns gargalos da administração – seja em uma mudança de trânsito, seja por uma cobrança aos empresários de um investimento que não era feito há muito tempo, o que é o início de uma mudança. Há também o plano de mobilidade, que está sendo discutido; os projetos de ciclovia que não foram esquecidos e estamos trabalhando.

Há outras coisas para vir na Mobilidade, que é a Tarifa Comercial Zero, o VR Parking, que foi aprovado pela Câmara e nós vamos oportunizar um jeito diferente de estacionar, que privilegie o tempo de uso – hoje a pessoa deixa o carro o dia inteiro ocupando a vaga –, as faixas exclusivas, que vão continuar em Volta Redonda. A Rodovia do Contorno reflete diretamente nesta mobilidade.  

 

aQui: Com a abertura da Contorno, o bloqueio na Getúlio Vargas vai continuar?

Samuca: Vamos continuar (com o bloqueio), até porque a intenção é municipalizar todo esse trecho que corta Volta Redonda – que hoje é estadual e federal.

 

aQui: A mobilidade seria a principal pauta para o governo para o próximo ano?

Samuca: Não, a principal é o emprego. Teremos duas empresas de call center, o shopping (Park Sul, grifo nosso), que vai ser inaugurado em julho. Já tivemos visitas e visitamos várias empresas. Cadastramos Volta Redonda no Codin (Comitê de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio), que é o conselho que recebe as empresas interessadas em se instalar ou investir no estado do Rio. Empresas como Land Rover e Nissan, que vieram para o interior, chegam através do governo do Estado, pelo Codin, que faz o mapeamento dos municípios que possam interessar a essas empresas. E Volta Redonda não estava cadastrada no Codin. Hoje, se uma empresa chegar, Volta Redonda está lá com suas áreas, com seus dados estatísticos.

 

aQui: A Rodovia do Contorno ajudou a mudar um pouco esse panorama de falta de lugar para a instalação de empresas, não?

Samuca: A gente abre um novo leque de desenvolvimento. A cidade tem terras, só não estava cadastrada no governo do Estado.

 

aQui: Entre as suas propostas para a geração de empregos está a criação de uma incubadora de empresas. Em que ponto está esse projeto?

Samuca: Isso será provavelmente no Escritório Central, se tudo der certo. Inclusive hoje (sexta, 22, dia da entrevista) teremos mais uma reunião com a CSN para tratar desse assunto, mas se não for lá, será em outro lugar. Queremos criar um ambiente para que os jovens das universidades iniciem suas empresas júnior, seja na área de tecnologia ou não, mas para reter essas pessoas em Volta Redonda.

Lembro que nessa questão de empregabilidade, nós fizemos o cadastramento dos ambulantes – atendi um senhor que desde os 19 está nas ruas, está com 69 anos e nunca deram a oportunidade dele trabalhar, sempre tinha a mercadoria apreendida. Nós, com redimensionamento, demos alvarás a vários ambulantes. Tivemos ainda o apoio ao MEI (microempreendedor individual), eventos de startups. Essa é a tônica: reter os talentos na cidade.

 

aQui:  O senhor tem a intenção de mexer nas linhas municipais de ônibus?

Samuca: O que temos que fazer é redimensionar as linhas. Pensar o que não foi pensado, por exemplo: o Ingá 2 não tinha o bairro quando foi criada a linha de ônibus do Santa Cruz. Precisamos agora de uma ideia – seja uma linha anexa a esse tronco, seja ligando a uma linha tronco central. É isso que a gente está discutindo.

 

aQui: Existia um projeto – inclusive com um modelo matemático das linhas de ônibus – que apontava essas mudanças. Ele poderá ser aproveitado?

Samuca: É ele que está sendo discutido. Queremos ligar linhas dos bairros a um tronco central, usando uma única passagem. Estamos mapeando isso – do Açude, Três Poços, Santa Cruz – essas áreas que não têm hoje transporte público, para ver se é possível fazer esses troncos. É um compromisso nosso em 2018 fazer o redimensionamento das linhas de ônibus de Volta Redonda.

 

aQui: Qual seria então a mensagem que o senhor deixaria para a população neste fim de ano?

Samuca: Foi um ano de muito trabalho, gestão e controle interno dos gastos, que oportunizaram algumas vitórias emblemáticas – já em 2017. Estamos preparando Volta Redonda para o futuro, para ser a melhor cidade do estado do Rio. Quero fazer de Volta Redonda o que São José dos Campos (SP) e Juiz de Fora (MG) são hoje, por exemplo. Cidades que já foram do tamanho de Volta Redonda e hoje são enormes. E para isso é preciso planejamento.

Quero dizer também para a população que todo o governo está trabalhando muito para que a gente possa construir uma Volta Redonda muito melhor: oportunizar a inclusão, o desenvolvimento, mas, principalmente, a qualidade de vida para todo mundo.

E também convidar a todos para o Réveillon na Vila Santa Cecília, que será um evento regional. É isso que Volta Redonda precisa: é a maior cidade do Sul Fluminense, precisa resgatar sua grandeza, sua liderança.

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