Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2018
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Publicado em 11/12/17, às 09:23

Desagradou geral

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Na próxima terça, 12, os barramansenses que pegarem um ônibus das linhas municipais já vão pagar R$ 4 pela passagem, ao invés dos atuais R$ 3,80. Ou seja, com um aumento R$0,20. Tá achando muito? Não deveria, pois o certo é que as passagens passassem a valer R$ 4,18, valor este que o Conselho Municipal de Transporte (CMT) calculou que deveria ser em cima da planilha de custos apresentada pelos empresários do setor. Eles, inclusive, queriam R$ 4,42, de acordo com as regras do Novo Transporte Público de Barra Mansa, firmado desde 2015.

 

O valor arredondado, para baixo, foi determinado pelo prefeito Rodrigo Drable (PMDB) e irritou profundamente os integrantes do consórcio municipal das empresas de ônibus de Barra Mansa. “Ele (o prefeito) não está levando em conta que os aumentos dos salários dos motoristas e demais funcionários nós temos que acatar, isso sem contar os constantes reajustes de óleo diesel que são impostos pelo governo”, pontua Paulo Afonso de Paiva Arantes, presidente do Sindpass.

 

Ele vai alem. “Estamos totalmente insatisfeitos com a decisão do prefeito. Ele está agindo sob pressão e não com a razão”, avaliou o empresário, lembrando que o reajuste do preço das passagens foi analisado pelos integrantes do Conselho Municipal de Transportes. “Eles não aceitaram nosso pedido de reajustar para R$ 4,42 e chegaram à conclusão que o ideal para manter nossa estrutura sem comprometer a população seria de R$ 4,18. Pena que o prefeito não tenha acatado a posição do órgão”, completou Paulo Afonso.

 

“Nós entendemos a postura do prefeito, mas não concordamos, pois coloca em risco a sobrevivência das empresas e os empregos de quem trabalha no setor”, avaliou Paulo Afonso, lembrando que o reajuste do valor da passagem, anualmente, está previsto em contrato firmado entre a própria prefeitura e as empresas locais. Além disso, diz, a redução provoca o desgaste das empresas. “Parece que nós estamos querendo ganhar muito. Não é bem assim. Temos nossas despesas, compromissos e temos que ter margem de lucro para sobreviver. O desgaste é nosso e isso não podemos concordar”, sentenciou.  Pelo Facebook, o prefeito Rodrigo Drable tentou justificar sua postura de não acatar a decisão do CMT dizendo que era contra o aumento, que o mesmo seria abusivo.

Menos passageiros

Outro argumento utilizado por Paulo Afonso, que não foi levado em conta pela prefeitura de Barra Mansa, é que cada vez menos pessoas têm andado de ônibus. “É como se o setor andasse para trás”, pontuou o empresário, revelando ainda que entre 2015 e 2016 a queda no número de passageiros foi superior a 8%. “Como o cálculo das tarifas também é feito com base no número de passageiros transportados por quilômetro percorrido, isso interfere muito no aumento da passagem”, avaliou.

 

Paulo Afonso lembrou ainda que desde 2015, quando foi assinado o contrato de concessão do Novo Transporte Público de Barra Mansa com a prefeitura local, os reajustes têm sido concedidos normalmente, sem política, é bom que se frise.

 

Para solicitar o reajuste de R$ 3,80 para R$4,42, os empresários alegaram, entre outros, a alta da inflação, dos combustíveis, dos gastos com a manutenção dos ônibus, dos impostos e até mesmo um aumento das ‘passagens gratuitas’ para idosos, estudantes e deficientes, que chega a 30%.

 

Atualmente a frota dos ônibus em circulação em Barra Mansa corresponde a 100 coletivos, gerando 700 empregos diretos, que transportam 850 mil passageiros por mês. “Cerca de 52% da tarifa é destinado à folha de pagamento do pessoal”, dispara Paulo Afonso. “Se as tarifas forem concedidas dependendo de pressão popular ou política, todos nós corremos riscos”, disparou, referindo-se à empregabilidade e à própria sobrevivência das empresas.

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