Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 23 de Setembro de 2017
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Publicado em 22/08/16, às 09:56

Debatendo a (in)segurança

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Mateus Gusmão 

“Não podemos comparar os números de 2015 com os de 2016; a realidade é completamente diferente”. Foi assim que o tenente-coronel Damião Luiz Portella, comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar, justificou o aumento na criminalidade em Volta Redonda. Na quinta, 18, ele e o delegado da Polícia Civil, Eliezer Lourenço, se reuniram com um grupo de parlamentares para discutir o que anda acontecendo na cidade do aço. Como o aQui revelou, comparando-se os dados dos seis primeiros meses de 2016 com igual período do ano anterior, os homicídios praticamente dobraram, passando de 18 para 35 casos. O roubo a pedestres disparou: de 20 casos no ano passado para 155 em 2016.

 

Os dados, entretanto, o comandante Luiz Portella não quer que sejam comparados. “A situação é muito diferente de um ano para outro. O 28º BPM não recebe efetivo novo há anos, todo concurso público para contratação de novos policiais militares é para as Unidades de Polícia Pacificadora. No ano passado, havia um programa para pagamento de hora extra e eu tinha 60 policiais a mais nas ruas. A gente tinha bonificação para rendimento, que demora a ser pago e agora não é. As viaturas tinham manutenção constante e hoje não”, desabafou, tentando se explicar. “Eu gostaria de ter um policial em cada rua de Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral, mas eu não tenho efetivo para isso”, completou.

 

A reunião com os vereadores foi agendada pelo presidente da Câmara, Edson Quinto (PR), a pedido de Sidney Dinho (PEN). “Recebemos muitas informações da população sobre o aumento no número de roubos e decidimos ouvir as forças de segurança pública em busca de uma solução”, disse Quinto. Para Dinho, era importante ouvir o que os policiais tinham a dizer. “A situação está escandalosa. Em apenas uma parte do Retiro, em uma semana, houve oito roubos. No Açude aconteceram um assassinato e uma tentativa só em um final de semana. No Vale Verde, na Rua 7, há um feirão de drogas a céu aberto, e os traficantes praticamente abordam as pessoas”, disparou Dinho, que é policial militar. “A gente está vendo algumas medidas sendo anunciadas, mas na prática ainda não sentimos os efeitos. Acho que seria importante acender a chama na população de utilizar o Dique-Denúncia da PM e o Teia Invisível, da Polícia Civil, para a população denunciar os crimes e os criminosos”, destacou Dinho.

 

Além de Quinto e Dinho, participaram da reunião os vereadores Adão (PSB), Jorginho Fuede (PRB), Sukinho (PSD), Fernando Martins (PMDB), Tigrão (PMDB) e Pedro Magalhães (PSDB). A maioria pediu que se aumente o número de rondas policiais pela cidade,  reclamando até do Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública), principalmente por causa dos atendentes. É que eles, reclamam os  vereadores, estariam pedindo tantas informações que atrasam  o envio de uma viatura policial.

 

O tenente-coronel discordou. “O que mudou com o Ciosp é que antes a ligação era feita diretamente para um policial, hoje a ligação vai para um atendente. Só é  preciso um treinamento, e acho que se conversarmos com o prefeito Neto, essa situação se resolve rapidamente”, destacou, ressaltando, entretanto, que o telão principal da unidade está queimado. “O telão está quebrado desde janeiro e precisa de manutenção, mas parece que é um aparelho importado e por conta disso não é simples”, ponderou.

 

Segundo o comandante da PM, ir até a Câmara de Vereadores é um dever dele, pois exerce um cargo público. E, diante dos parlamentares, explicou as dificuldades que tem para combater a criminalidade. “As pessoas assaltadas precisam comparecer à delegacia para fazer o registro. Só assim teremos uma mancha criminal para que possamos atuar. Eu tenho que trabalhar em cima da mancha criminal para alocar os policiais para os locais corretos. Eu não tenho policiamento para estar em todos os cantos da cidade”, reiterou.

 

O oficial da PM aproveitou para falar dos problemas financeiros do Batalhão, que estaria precisando de ajuda da prefeitura de Volta Redonda. “A gente está vivendo da ajuda de parceiros e da prefeitura. Tenho uma frota de 37 veículos e mais de 10 estão parados. O prefeito Neto tem ajudado muito nisso, fazendo a manutenção dos nossos carros”, pontuou, revelando que a prefeitura firmou um convênio com a Polícia Militar – Proeis (Programa Estadual de Integração na Segurança). “Com esse projeto, teremos de oito a 12 policiais trabalhando exclusivamente nos centros comerciais. Eles (PMs) serão pagos pela prefeitura através desse convênio. Assim teremos mais policiais na rua que, em dupla, ajudarão no patrulhamento”, informou.

 

“Não estamos imunes a todos os problemas, estamos preocupados. Temos parceria com a Guarda Municipal para a Patrulha Escolar, onde um policial e dois guardas vão nas portas das escolas. É pouco? É. Eu queria ter mais policial, mas não tenho”, lamentou, fazendo questão de elogiar os policiais do Batalhão de Aço. “Temos policiais excelentes em Volta Redonda, que vestem a camisa da corporação e vão às ruas trabalhar com afinco. Em abril, ficamos um mês e meio sem salário e mesmo assim os PMs estavam na rua. Aqui os policiais são da cidade e por isso costumo falar com eles: vocês são os clientes do serviço que prestam”, completou.

 

Já o titular da 93ª Delegacia de Polícia, Eliezer Lourenço, destacou que tanto a PM quanto a Civil estariam sendo atingidas pela crise econômica do governo Estadual. Mas insiste que é importante que as vítimas de crimes façam os registros na DP. “Só assim podemos fornecer as informações de que a Polícia Militar precisa para priorizar os locais que vão receber mais policiamento”, finalizou.

 

GGIM se reúne para discutir aumento de roubos em BM

O aumento nos casos de roubos não é uma realidade só de Volta Redonda. Em Barra Mansa, os casos de assalto a pedestres, por exemplo, também cresceram consideravelmente. Por isso, o prefeito Jonas Marins realizou na quinta, 18, uma reunião com o GGIM (Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública de Barra Mansa), para discutir o assunto. O GGIM é formado por membros da secretaria de Ordem Pública, Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar e representantes do Poder Legislativo.

 

Jonas se colocou à disposição para buscar medidas que minimizem o problema e garantam a segurança na cidade. “O aumento na criminalidade em Barra Mansa aumentou. Isso nos preocupa muito. Temos que nos ajudar e vamos fazer o que for necessário para auxiliar os policiais e guardas municipais a combater o crime”, disse Jonas. “Precisamos investir ainda mais em campanhas socioeducativas, levando para as escolas este tema. Vamos unir forças e lutar, cada vez mais, por uma Barra Mansa segura, que é o que a população quer e merece”, frisou.

 

O primeiro-tenente da Polícia Militar, João Balthar, destacou a necessidade de que o estado invista mais na segurança pública. “Infelizmente, enfrentamos muitos problemas. E também faltam recursos por causa da crise financeira. Com o que temos, estamos fazendo milagres”, avaliou.

 

Para a conselheira Ana Duque, um dos motivos do aumento de roubo em Barra Mansa seria o consumo de drogas entre menores. “O Conselho Tutelar encontra muita dificuldade para prevenir o uso de drogas no município, por causa da crise que o Estado enfrenta. Não há investimentos. Está claro que o uso de drogas e álcool contribui para o aumento dos crimes”, destacou a conselheira.

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