Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
0
Publicado em 26/10/18, às 18:23

De peito aberto

Para encerrar a cobertura das eleições deste ano, o aQui decidiu recorrer a ilustres eleitores de Volta Redonda e pediu a eles que fizessem uma pergunta que gostariam de fazer aos candidatos ao governo do Rio: Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM). O prefeito Samuca Silva e os presidentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos, Silvio Campos, e o da Construção Civil, Sebastião Paulo de Assis, entre outros, não deixaram por menos e pressionaram os dois candidatos, abordando temas como a credibilidade do governo e a geração de empregos. Detalhe: alguns chegaram a fazer perguntas diferentes aos candidatos: 

Veja abaixo a íntegra das entrevistas: 

Samuca Silva, prefeito de Volta Redonda: Como resgatar a credibilidade do estado do RJ e retomar a regularidade dos repasses e ajuda aos municípios, seja diretamente ou indiretamente através de seus próprios programas?

Wilson Witzel: O Estado do Rio de Janeiro sofre de falta de credibilidade. Eu sou o único candidato sem relação com estas empresas envolvidas em escândalos e que vou acabar com a corrupção e obras superfaturadas. Vamos recuperar a credibilidade e atrair investimentos. Com isso, nesse ciclo que vai iniciar, todo o Estado o Rio de Janeiro e suas cidades, através das prefeituras, vão melhorar economicamente. O Equilíbrio das contas públicas e a renegociação do Plano de Recuperação Fiscal, como proponho, vão garantir recursos e poderemos retomar a regularidade nos repasses.

 

Eduardo Paes:  Peço licença para agradecer não só a pergunta, mas também a coragem que o Samuca teve quando tomou a decisão de ficar ao meu lado. E você sabe muito bem que desde o início da campanha prometi sempre trabalhar em sintonia com os prefeitos do estado, porque são eles que têm a responsabilidade e a obrigação de tocar o dia a dia das cidades. E juntos é que vamos sair dessa crise. A gente sabe da importância de os prefeitos terem as condições para governar. Porque só assim a população será bem atendida. O governo do estado funcionando ajuda muito os prefeitos a funcionarem. Por exemplo, vamos ajudá-los na Saúde. O estado está aplicando metade do que teria que aplicar na saúde. Tem de aplicar 12% do orçamento, só aplica 6% e nós vamos aplicar 15% do orçamento. Os prefeitos estão tendo que bancar sozinhos a atenção básica e hospitais.

E para esse trabalho de parceria dar certo vamos precisar, primeiro, fazer o dever de casa que vai recuperar a credibilidade do estado. Por isso, o próximo governador terá que ter capacidade de gestão, de articulação política e administrativa para tirar o estado desse caos.

Um dos meus primeiros atos depois de eleito será procurar o presidente eleito e rediscutir o Regime de Recuperação Fiscal. Ele foi importantíssimo para que o Estado pudesse voltar a pagar os servidores em dia, garantir o mínimo de prestação de serviço, mas precisamos ajustar as contas, para depois poder repactuar, porque terminado o período do regime, a conta continuará muito alta. Só assim conseguiremos avançar. Eu vou ajeitar as contas do estado. Tem espaço pra isso. Exige conhecimento, profissionalismo. Eu aprendi a cuidar das finanças, nesses anos de muita crise, a prefeitura manteve o pagamento dos servidores em dia e a capacidade de investimento. Isso que a gente pretende fazer no governo do estado.

 

Silvio Campos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense: Como atrair empresas para o Sul Fluminense e gerar mais empregos e riquezas, pois sempre esbarramos na questão dos impostos, na falta de terras, sem contar os preços absurdos que pedem pelas que existem?

Wilson Witzel: Vamos recuperar as atividades econômicas já consolidadas, como a agropecuária e indústria petroleira, e diversificar, de modo que eventuais crises cíclicas não deprimam a economia estadual, tal como ocorreu recentemente com a dependência do petróleo Vamos atrair investimentos, inclusive de grandes fundos internacionais, para investir em Parcerias Público-Priva-das (as chamadas PPPs) nas áreas de infraestrutura e mobilidade urbana, gerando empregos e melhorando a vida da população. Vamos investir na indústria de transformação, agricultura e trazendo nova dinâmica logística para a região Sul Fluminense. A questão dos impostos é grave. A sonegação está aí. Aumentando o grau de pagamento e evitando a sonegação fiscal que ocorre hoje, teremos um aumento na arrecadação,

 

Paes: O estado tem que ser um facilitador para que consigamos atrair mais e novos investimentos. Assim como fiz na prefeitura do Rio, a primeira coisa que vou fazer é desburocratizar o Estado. A segunda questão é que vamos ter que que revisar a lei de recuperação fiscal. Não é correto todos os estados disputarem novas indústrias e empregos oferecendo corretos incentivos fiscais e nós inviabilizados. Não  podemos ficar condenados e impedidos de atrair novos investimentos. Vamos melhorar as contas públicas pelo lado da receita e a única certeza que tenho é que não será através de aumento de impostos que iremos recuperar a economia do estado.

 

Sebastião Paulo de Assis: Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Volta Redonda e região: Qual é a sua proposta para reiniciar as obras que estão paradas, reaquecer a economia e gerar novos empregos, principalmente, no setor da construção civil?

Wilson Witzel: O modelo que está aí tem que ser mudado para atrair recursos. Vamos estimular a construção civil, área que mais contrata especialmente nas obras públicas que foram paralisadas pela corrupção sistêmica. Contratos mais longos para as obras de infraestrutura, diversificar as atividades econômicas de cada região, respeitando suas características regionais, vão gerar mais empregos e reaquecer a economia.

 

Paes: O  estado  do  Rio  precisa  retomar  a  sua  economia  e  a  geração  de  empregos.  Para alavancar a geração de novas vagas de trabalho, é  fundamental,  por  exemplo,  agir  numa  vocação  que  o  Rio  já  tem,  que  é  a  área  de  petróleo  e  gás.  Precisamos  negociar  com  o  governo  federal  e  a  Petrobras  a  retomada  plena  das  obras  do  Complexo  Petroquímico  do  Rio  de  Janeiro,  em  Itaboraí.  Garantir  a  execução    do    plano de     investimentos    da    empresa    previsto    para    o    Estado    do    Rio  (de  US$    30    bilhões    entre    2018    e    2023).  Além  da  retomada  do  Comperj,  outra  medida  fundamental  será  o  estabelecimento  da    infraestrutura    para    o    desenvolvimento    do    pré-sal  em  Itaguaí,  o    reaquecimento    da    indústria    naval    e    do    mercado    de    serviços    para    indústria    de    petróleo    e  gás.

Além disso, é preciso trazer  um leque variado de indústria.  Devemos  entender  que  é  preciso  ter  estratégia  de  desenvolvimento  que  olhe ainda para  as  dificuldades  do  Norte,  do  Noroeste  e Sul do  estado,  que  ative  setores  da  economia  que  são  consolidados.  Precisamos  proteger  os  empregos  que  já  existem e atrair outros.  Isso  tem  a  ver  com  governador  atraindo  investimento,  tem  a  ver  com  credibilidade  institucional,  tem  a  ver  com  força  para  fazer  com  que  as  pessoas  acreditem  de  novo  no  nosso  estado,  que  esse  desenvolvimento  possa  acontecer  em  todas  as  regiões  do  estado. 

Acredito que a área da construção civil irá se beneficiar de medidas que pretendemos tomar, como a retomada de obras na área da Saúde que se encontram paradas, e a ampliação do saneamento e do transporte no estado. Queremos ampliar em muito o saneamento, com concessões e PPPs para resolver esse passivo ambiental do Rio. Na área de transportes, queremos ampliar recuperar as estradas e levar para o estado nossa experiência com os corredores de BRT.

 

Guto Haasis, empresário: Que ações pretende implantar ou adotar para desburocratizar e facilitar o controle do sistema tributário estadual, que atualmente causa entraves e atrasos no dia a dia das empresas, sem contar a falta de pessoal e técnicos qualificados para o atendimento?

Wilson Witzel: Não é possível que ainda hoje tenhamos que conviver com tanta burocracia. Vou implantar a tecnologia do blockchain (tecnologia de registro) para desburocratização da máquina pública, propiciando diminuição considerável do trâmite de ofícios e papéis e utilização da internet/intranet na sua plenitude, já que tudo estará registrado e seguro. Isso sem contar com o reforço no treinamento do servidor público.

 

Paes: O papel do governo é o de facilitar o papel do empreendedor. Vamos criar o “Rio Facilita”, que é desburocratizar totalmente a vida daqueles que querem empreender, principalmente o pequeno negócio, a micro e pequena empresa, que têm uma dificuldade enorme de avançar por causa da burocracia.

E vamos além. A carga tributária do estado está elevada e precisamos fazer uma diminuição. Não sei se é possível fazer de imediato dado as condições fiscais do estado. Mas a carga tributária, hoje, é antieconômica e inibe o investimento. Então, você soma a burocracia com a carga tributária, mais o fato de as empresas do Simples estarem em uma faixa abaixo do governo federal, são questões que precisam ser corrigidas para que o estado volte a gerar emprego, que é fundamental. As pessoas precisam de empregos e emprego se faz com empreendendorismo.

E uma das soluções para tornar o estado mais atrativo para os empreendedores é aumentar o limite da faixa de faturamento permitido por Lei para que as empresas possam optar pelo Simples, que é o regime tributário unificado voltado às micro e pequenas empresas.

Por isso, temos todas as condições de ajudar o pequeno empreendedor com ações efetivas. Desburocratizar, aumentar a faixa do simples para incluir mais empresas e olhar para a diminuição da carga tributária são ações possíveis.

 

Edir Mauricio, empresário:  Aproveitando a potencialidade do Sul do Estado, que ações pretende tomar para gerar o desenvolvimento econômico e social da região?

Wilson Witzel: Aproveitar as potencialidades de cada região, respeitando suas peculiaridades é o que vou fazer.  O Sul Fluminense, tão rico nos polos nuclear, metalúrgico, militar e industrial, assim como turismo são atividades que podemos incentivar e incrementar.  A região vem sofrendo também, assim como todo o Estado, com o aumento da violência e vamos mudar esse quadro para que possamos atrair mais empregos e gerar renda numa região que foi abandonada nos últimos governos.

 

Paes: Precisamos potencializar vocações e desenvolver soluções e políticas públicas específicas para cada uma de nossas oito regiões. O Pólo de moda íntima é um bom exemplo de que um setor quando se organiza, recebe apoio do Estado, vai dar bons frutos. Este é o setor que gera mais empregos em Nova Friburgo. Na Região Serrana, por exemplo, também é necessário ampliar e fortalecer as produções agrícola e pecuária, com especial atenção para a agricultura familiar. Desenvolver estratégias integradoras de mobilidade urbana, metropolitana e regional. E não podemos esquecer que existe uma clara insuficiência de microcrédito para o empreendedor fluminense.

Por isso, precisamos aproveitar as vocações das cidades do interior, seja na indústria, na agricultura ou no turismo. É necessário que melhoremos as condições para o escoamento da produção e isso passa, por exemplo, pela melhoria das estradas. Os pequenos e médios produtores que lutam com dificuldades para sobreviver precisam de um financiamento que não explore esses produtores mas que seja um instrumento eficaz para o desenvolvimento de seus trabalhos.

O turismo, como fonte geradora de emprego e renda, também não pode ser esquecido e tem grande potencial em várias regiões do estado. O Turismo não se resume à nossa capital. A região Sul Fluminense tem um ecossistema capaz de atrair interessados neste tipo de atividade turística. Locais que podem atrair muitas pessoas, tal como as fazendas do Vale do Café, as trilhas que podem ser exploradas, cachoeiras, corredeiras para a prática de canoagem. Uma região que tem vários atributos e acabam por ser mal aproveitados. Vamos criar planos regionais de desenvolvimento privilegiando essas vocações regionais e também ouvindo as sugestões da população de cada região.

 

Ricardo Maciel – Advogado : Como o senhor pretende recuperar a economia do Rio de Janeiro, baseada no Petróleo e fortalecê-la, duradouramente, sabendo que os especialistas da área dizem que este “boom” tem prazo até 2035 para terminar?

Wilson Witzel: Não podemos cair nessa de “boom” de petróleo, que tem preços sazonais e é uma fonte que não é inesgotável. Isso foi uma das razões, além da farta corrupção de seus governantes, que causou estragos no Estado do Rio. Temos que diversificar e estimular outras áreas da economia, como Angra 3 para baratear a energia elétrica e investir em infraestrutura num bom ambiente de negócios, em tecnologia, no turismo com o Estado do Rio mais seguro e menos burocrático, inclusive para favorecer a captação de recursos internacionais.

 

Ricardo Maciel :  Muito do fracasso do Estado está ligado à administração de Sérgio Cabral em virtude de uma corrupção generalizada e de dezenas de “isenções fiscais”, que abalam as receitas públicas. Como o Senhor pretende lidar com isso, se é aliado histórico daquele governo?  

Paes: Deixei o MDB e me filiei ao Democratas justamente por discordar dos rumos que o partido tomou. Essa atitude, por si só, mostra minha independência política e meu desejo de ajudar a população. As isenções fiscais citadas são um bom exemplo de como pretendo agir. Ao assumir o governo, vou revisar todas as isenções concedidas. Aquela que realmente trouxer um benefício para o Estado, como no caso das montadoras de veículos, será mantida. Mas tem muitas que não favorecem ao estado e as empresas apenas se aproveitam do benefício. Essas, com certeza, serão cortadas.

 

Dácio de Souza, administrador e Venerável da Loja Maçônica União dos Templários: Em seu programa de governo consta que a prioridade será a questão da Segurança Pública, o combate à Corrupção e a Reorganização das Contas Públicas para, somente depois, retomar o investimento público em Educação e Saúde. O senhor também afirma que irá aplicar 12% do orçamento em saúde. Como se processará esse mecanismo já que o senhor quer cuidar da segurança, da corrupção e das contas públicas e só depois da saúde e educação?

Wilson Witzel: Eu vou combater todos os problemas simultaneamente e não um de cada vez, principalmente porque essas áreas estão um caos e vou investir o que a Saúde tem que ter, que são os 12% do orçamento. Com a compra de uma grande quantidade de insumos para os hospitais, vamos baratear esses custos e terminar as obras paradas em unidades de saúde. Vai ser um esforço conjunto atuando em todas essas frentes.  O futuro Gabinete de Segurança, formado pelo governador em conjunto com o chefe da Polícia Civil e o Comandante da Polícia Militar. Esse gabinete vai decidir as ações de segurança. Também faremos uma parceria com as forças policiais e militares federais para, em uma ação conjunta de investigação, inteligência e repressão, combater o tráfico de drogas e armas ilegais, inclusive e especialmente atacando a lavagem de dinheiro que financia essas operações criminosas.

 

Dácio de Souza:  Gostaria de saber se na sua avaliação o período de in-tervenção federal trouxe resultados positivos para a segurança do Rio de Janeiro e que modelo deve ser adotado para que não existam no Estado do Rio áreas onde o poder “oficial” não seja soberano?

Paes: A intervenção acabou por ser necessária porque vivíamos uma falta de comando no. Mas ela tem prazo para terminar, que é em dezembro de 2018. Se eleito vou cuidar diretamente da Segurança Pública e continuar realizando parcerias com as Forças Armadas. Até pelo papel que elas representam, com sua inteligência e seriedade, são muito importantes na Segurança Pública.  Só que caberá a mim determinar quando, onde e como, as Forças Armadas irão agir em parceria com as forças policiais do estado.

Mas, acima de tudo, é preciso recuperar o direito de ir e vir das pessoas e isso acontecerá quando o Estado se impor e recuperar as áreas que perdeu para o crime. Para começar essa retomada temos de reforçar o policiamento ostensivo.  O estado do Rio tem hoje cerca de 44 mil policiais e muitos deles não estão nas ruas. Parte do efetivo está afastada, cedida ou em atividades administrativas. É preciso remanejar pessoal, aumentar o efetivo que faz o patrulhamento das ruas para reduzir os indicadores de roubos e de homicídios. Queremos reduzir a violência nas ruas de forma significativa já no primeiro ano de governo, implantando um novo modelo operacional para o patrulhamento territorial.

Vamos criar os Centros de Operações Policiais (C.O.P.) para integrar as atividades das forças de segurança, coordenando a vigilância nas ruas, o patrulhamento tático-ostensivo e as atividades de investigação criminal.

Vamos instituir também a Força da Paz, uma força-tarefa de inteligência e operação integrada contra o Crime Organizado, com a participação da Polícia Civil, da Receita Federal e da Secretaria de Fazenda. O foco do trabalho é levantar e cruzar informações para asfixiar as fontes de financiamento do tráfico e da milícia.

O maior investimento em inteligência vai nos permitir atuar de forma mais cirúrgica contra as organizações criminosas e com isso, evitar esse número absurdo de tiroteios nas comunidades. Tem muito policial, morador, gente inocente morrendo. Quando se estabelece prioridades, você investe naquilo que é mais importante. Para nós, o mais importante vai ser a segurança pública. Devolver a paz à população.

 

Erick Higino, eleitor: Todos os auxílios a que magis-trados têm direito estão previstos na Lei Orgânica da Magistratura. O senhor candidato, que é ex-juiz, não entende que, apesar de legais, algumas dessas gratificações que necessitam de “engenharias” para serem auferidas são antiéticas, especialmente no momento fiscal delicado pelo qual passa o país? Ademais, repassá-las em vídeo, não seria ainda a propagação de um comportamento não condizente com a proposta da sua candidatura, que é pautada justamente na aversão a tais práticas?

Wilson Witzel: Tudo que eu falei está dentro da lei. Todos os auxílios a que magistrados têm direito estão previstos na Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Eu defendendo o envio da Loman para o Congresso Nacional, onde a Lei pode e, na minha opinião, deve ser discutida junto à sociedade para que a remuneração de juízes seja justa. Caso tivesse apego a privilégios, não teria deixado de ser juiz, uma função pública e com aposentadoria garantida que perdi ao pedir exoneração para ser candidato a governador e me colocar à disposição da população do Rio para solucionar os graves problemas que o estado enfrenta. Os técnicos vão analisar o que é legal e o que não é e cortar privilégios.

 

Erick Higino:  Essas eleições apresentam um clamor da sociedade pela renovação no campo político, como observamos na ascensão de novos partidos, no revés de figuras de peso na política (Jucá, Eunício, Lindbergh, etc) e pelo voto balizado na rejeição ao candidato oposto, e não necessariamente pela crença nas propostas do candidato que recebeu o voto.

Como o senhor espera conquistar esse eleitorado, vez que na sua composição, toda essa “velha política” está muito bem representada?

Paes: Peço desculpas ao leitor Erick Higino para discordar da afirmação dele. O que acredito que ele chame de “velha política” está presente em todas as candidaturas. O presidente do partido do meu adversário e patrão dele é o pastor Everaldo, envolvido em delações da Lava-Jato. O eleitor quer renovação mas ele sabe distinguir o candidato experiente e que trabalhou para o bem estar da população, daquele que é inexperiente ou lesou os cofres públicos. O clamor pela renovação no campo político existe, mas isso não quer dizer que todos os antigos políticos serão colocados no mesmo balaio. Tenho muito orgulho dos meus 23 anos de vida pública e das realizações que fiz. Se tivesse feito algo errado já estaria preso como os outros. Pelo contrário, o que fiz em duas gestões à frente da prefeitura do Rio foi melhorar a vida da população, do servidor público. Foi investir em Saúde, Saneamento, obras de infraestrutura em lugares mais carentes, como a Zona Oeste do Rio. E assim vou trabalhar em todo o estado: olhando para quem mais precisa e em parceria com os prefeitos.

 

Rogério Loureiro, empresário: O Rio Paraíba do Sul é a principal fonte abastecimento de água potável para o cidadão fluminense e também tem um papel importantíssimo no desenvolvimento econômico do Estado. Porém, a maioria das prefeituras do Estado do Rio de Janeiro não tem um programa de sane-amento básico adequado e, em muitos casos, jogam esgoto in natura no Rio de Janeiro. Como o Governo do Estado pode reverter essa questão?

Wilson Witzel: Renegociaremos o Plano de Recuperação Fiscal, especificamente a questão da Cedae. A participação privada será importante, mas temos que adotar o melhor modelo para o estado, que pode ser parceria público-privada (PPP). Privatizar pode ser um caminho, mas com debate público e sem atrelar o saneamento a empréstimos. Vamos abrir o mercado à concorrência e melhorar o saneamento básico para atender um maior número de pessoas. No modelo atual, sou contra a privatização da Cedae.

 

Paes: “Como disse na resposta que dei ao empresário Guto Hassis, a carga tributária hoje, aliada à burocracia, são entraves na economia, impedem o crescimento do estado e espanta investidores. Por isso que para resolver a burocracia vou criar o “Facilita Rio”, como já expliquei. E os impostos também precisam ser reduzidos, mas como também expliquei não é possível dar uma data precisa.

O que posso afirmar é que vou ajeitar as contas do estado e rever detalhadamente a política de incentivos fiscais do estado, direcionando-a às cadeias produtivas estratégicas (petróleo e gás, turismo, cultura e entretenimento, indústria naval e logística). Mas fazer isso com muita transparência e avaliando os resultados, sobretudo no que se espera da geração de emprego e renda dentro do estado. É preciso rever a maneira como o estado é gerido, renegociar dívidas. Ao fazermos isso, vamos começar a devolver a capacidade econômica do nosso estado, a capacidade fiscal e, aos poucos, através de parcerias, de PPP’s, de concessões, devolver também a capacidade de investimento. 

E vamos fazer tudo isso, claro, sem aumentar impostos. A nossa obrigação é aumentar receita, eliminando privi-légios fiscais, combatendo sonegação e moder-nizando a arrecadação fazendária. Asseguro que isso é possível porque fiz à frente da prefeitura do Rio e triplicamos a arre-cadação sem aumentar impostos.”

 

Paulo Conrado, vereador : O senhor, caso seja eleito, tem alguma uma proposta concreta referente às questões de segurança e de saúde que tanto assolam e preocupam a população do nosso estado?

Wilson Witzel: Como já respondido em outra pergunta, vamos implantar o Gabinete de Segurança, formado pelo governador em conjunto com o chefe da Polícia Civil e o Comandante da Polícia Militar. Esse gabinete vai decidir as ações de segurança. Também faremos uma parceria com as forças policiais e militares federais para, em uma ação conjunta de investigação, inteligência e repressão, combater o tráfico de drogas e armas ilegais, inclusive e especialmente atacando a lavagem de dinheiro que financia essas operações criminosas. Na saúde, vamos investir os 12% do orçamento. Com a compra de uma grande quantidade de insumos para os hospitais, vamos baratear esses custos e terminar as obras paradas em unidades de saúde. Vai ser um esforço conjunto atuando em todas essas frentes.  

 

Paulo Conrado, vereador em Volta Redonda. O senhor, caso seja eleito, irá colocar o Hospital Regional para funcionar em sua totalidade? Em caso positivo em que prazo?

Paes: A rede de saúde do estado precisa ser reorga-nizada de maneira a colocar para funcionar equipa-mentos que já existem, como é o caso do Hospital Regional. E esse não é um problema que atinge só à Região do Médio Paraíba, em todo estado temos unidades de saúde que podem ser reformadas e/ou reestru-turadas para que os leitos disponíveis à população possam aumentar. Casos como o do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, que terá suas obras retomadas e que será o ponto de coordenação do Programa Cegonha Fluminense na área. Este programa vai organizar a rede de serviços e garantir o cuidado desde o planejamento familiar, do pré-natal até o momento do parto.

Em Niterói, preci-samos terminar a reforma do Hospital Azevedo Lima e apoiar o município na construção do Rio Imagem. Em Maricá, é preciso ajudar a prefeitura a inaugurar o Hospital Regional Che Guevara. Em Itaboraí, vamos repactuar o perfil do Hospital Estadual João Batista Cafaro para aumentar sua capacidade produtiva e atender as principais demandas da região.

E o Hospital Regional do Médio Paraíba é outro exemplo dos graves problemas e gargalos que a Saúde do nosso Estado atravessa e vamos colocá-lo para funcionar com sua capacidade máxima de atendimento. Até porque, foi uma obra onde foram gastos R$ 68 milhões, demorou sete anos para ser terminada e ao ser inaugurada, somente operou com 30% de sua capacidade. É preciso fazer com que chegue a 100%, princi-palmente, para que ele possa realmente atender 1,2 milhão de pessoas dos 12 municípios da regiao. E transformar o Hospital Regional em uma referência no atendimento a pessoas com infarto e a com politraumatismos é uma prioridade e será feito o mais rápido possível.

 

Elias Raffide, Peça, publicitário: Candidato Witzel, além de terem um dos maiores salários do serviço público, os juízes ainda têm direito a benefícios aos quais 99% da população brasileira não têm acesso. Apesar disso, o senhor ensinou seus colegas a aumentar seus salários através de uma manobra imoral. Se o senhor vencer as eleições, como pretende coibir práticas semelhantes no governo

Wilson Witzel: Verificando a legalidade dos pagamentos. Como eu disse em outra resposta, tudo que eu falei está dentro da lei. Todos os auxílios a que magistrados têm direito estão previstos na Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Eu defendendo o envio da Loman para o Congresso Nacional, onde a Lei pode e, na minha opinião, deve ser discutida junto à sociedade para que a remuneração de juízes seja justa. Caso tivesse apego a privilégios, não teria deixado de ser juiz, uma função pública e com aposentadoria garantida que perdi ao pedir exoneração para ser candidato a governador e me colocar à disposição da população do Rio para solucionar os graves problemas que o estado enfrenta.

 

Elias Raffide: Candidato Paes, Cabral, Picciani, Albertassi e Paulo Melo estão presos. Muitos outros membros do primeiro e do segundo escalão dos governos Cabral e Pezão também estão sendo investigados pela Operação Lava-Jato. Se o senhor vencer as eleições, pretende nomear os filhos de Picciani e Cabral ou algum dos demais investigados?

Paes: Não. Não vou nomear.

 

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.