Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 22 de Maio de 2018
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Publicado em 05/02/18, às 08:25

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rogerio loureiro

O empresário Rogério Loureiro passou os últimos dois anos à espera de um telefonema: da secretaria da Assembleia Legislativa, convidando-o a ocupar a cadeira do deputado estadual Comte Bittencourt, eleito em 2016 como vice-prefeitos de Niterói. Até hoje, espera sentado. “O deputado foi eleito, mas pediu à Câmara para adiar sua posse por um ano. Vencido o prazo, ele optou por permanecer no mandato de deputado estadual”, explica, referindo-se à decisão de Comte de abrir mão do cargo de vice-prefeito de Niterói, ex-capital fluminense.

 

Foi uma decepção, dizem seus amigos, lembrando que os dois – Rogério e Comte – teriam firmado um acordo para que o empresário voltarredondense assumisse a vaga de deputado estadual pelo PPS. “Por muito pouco não assumi o mandato”, pontua Rogério, lembrando que obteve aproximadamente 11 mil votos nas eleições de 2014.  “A maioria, em Volta Redonda e Barra Mansa”, frisa, anunciando que, apesar da traição, continuará na legenda. Ele vai além. Jura que não guarda mágoas de Comte.    

 

Leia abaixo a entrevista com Rogério Loureiro, onde ele confirma sua intenção de participar das eleições de outubro. Motivo: “Eu aposto na vontade da população de renovação”, avalia, dando a entender que trabalha para se colocar como alternativa aos eleitores dos parlamentares que estão presos. Ou que vão desistir da política.

 

aQui: Embora o senhor tenha motivos para estar aborrecido com a política e com os políticos, é verdade que decidiu continuar na política partidária? Por quê?

Rogério Loureiro: As pessoas que me conhecem costumam dizer que eu sou duro na queda. Então, sim, eu continuarei na política partidária apesar de não ser um político profissional e apesar de, assim como grande parte da população, me sentir muitas vezes desiludido com a política. O que tenho refletido é que se as pessoas de bem desistirem da política, só abriremos mais espaço para os desonestos. Além disso, sinto que o momento atual favorece candidatos que, como eu, nunca ocuparam cargo público. Nas últimas eleições, fiquei como suplente de deputado estadual e por muito pouco não assumi o mandato. Esse ano tem tudo para ser diferente, pois o eleitor terá em suas mãos a possibilidade de realizar uma grande renovação.

 

aQui: O que deu errado nas negociações para o senhor assumir o mandato de deputado estadual nesta legislatura?

Rogério: Na verdade, não houve negociações. O deputado Comte Bittencourt foi candidato a vice-prefeito de Niterói, foi eleito, mas pediu à Câmara para adiar sua posse por um ano. Vencido o prazo, ele optou por permanecer no mandato de deputado estadual. Nas conversas que tivemos nesse período, ele sempre me disse que estava avaliando o cenário econômico do Rio e, no final, entendeu que era mais importante continuar na Alerj. O que pode ter acontecido é que até dezembro, havia uma expectativa de que o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, deixasse o cargo para concorrer a governador. Isso daria ao Comte a possibilidade de se tornar prefeito de Niterói. No dia 12/12/2017, Rodrigo anunciou que cumpriria o seu mandato integralmente e, três dias depois, Comte entregou sua renúncia ao cargo de vice-prefeito. Imagino que essa questão tenha contribuído para a decisão do Comte de continuar no mandato de deputado.

 

aQui: Por conta de não ter assumido o cargo, o senhor estaria disposto a deixar o PPS? Por quê?

Rogério: Obviamente, eu gostaria de ter assumido o cargo; acredito que teria muito a contribuir com a região, com o estado do Rio e também com o próprio partido, que poderia ter ficado com uma cadeira na Alerj, sem abrir mão da vice-prefeitura de Niterói. Apesar disso, não pretendo sair do PPS, mesmo tendo sido sondado por alguns outros partidos. O PPS é um partido com o qual eu me identifico. Nesse mar de lama que vive a política, não tem seus dirigentes envolvidos em escândalos, portanto não vale a pena mudar. Como disse antes, não sou político profissional, então não quero ficar pulando de galho em galho.

 

aQui: Como o senhor vê o atual quadro político do estado do Rio e, em especial, o da região?

Rogério: O que acontece no estado do Rio de Janeiro mostra que o atual modelo político está falido. O estado é governado por políticos que estão no poder há décadas e que falharam no seu compromisso com a população. Vivemos uma crise ética que afeta a economia, afasta investimentos, compromete os serviços mais básicos e reduz a possibilidade de empregos. Penso que o quadro político na região está muito afetado por essa crise no Estado. Os prefeitos que tomaram posse ano passado enfrentam um cenário de redução de receitas, com dívidas herdadas de administrações anteriores e muita demanda reprimida por obras e serviços.

 

aQui: O senhor já tem alguma estratégia para buscar os votos dos parlamentares que não irão se candidatar em 7 de outubro?

Rogério: Eu aposto na vontade da população de renovação. Vou apresentar minha experiência como economista e empresário, com mais de 30 anos de trabalho, que tem o desejo de contribuir com a região e com o estado do Rio. Eu tenho uma vida profissional bem-sucedida e quero poder contribuir com a recuperação do estado do Rio de Janeiro e com a região.

 

aQui: Quantos votos o senhor obteve nas eleições passadas por cidade? Como melhorar essas votações?

Rogério: Tive cerca de 11 mil votos, a grande maioria (cerca de 85%) em Volta Redonda e Barra Mansa. O restante foi pulverizado na região. Foi minha primeira eleição individual, eu era pouco conhecido e concorri com políticos com mandato, que acabam tendo uma vantagem sobre os demais. Nessa eleição, meu objetivo é aprimorar os acertos que tivemos, corrigir erros e gastar bastante sola de sapato, conversando com as pessoas, apresentando meu nome como uma possibilidade de renovação.  

 

aQui: Como o senhor vê o governo dos atuais prefeitos da região, em especial Samuca e Rodrigo Drable?

Rogério: Os prefeitos da região em geral assumiram seus mandatos em meio a uma crise econômica no Brasil, aprofundada pela grande crise moral no estado do Rio de Janeiro. Apesar disso, vejo muita boa vontade nos prefeitos, especialmente no Samuca e no Rodrigo, em tentarem resolver os problemas das suas cidades. Mas, sabemos que a divisão do bolo tributário no Brasil é muito injusta. Os prefeitos têm pouca receita própria e dependem de repasses da União e do Estado. Por isso, penso que é importante a região eleger deputados estaduais e federais do Sul Fluminense para poderem ajudar os prefeitos a superar esse momento difícil que vivemos. Essa é a única solução: eleger deputados da região. Por isso, rogo à população e para os líderes políticos locais, em especial aos vereadores, que votem e peçam votos para os candidatos a deputado da região. Não adianta votar em candidatos Copa do Mundo, que só vêm à nossa região de quatro em quatro anos. Os candidatos daqui conhecem a nossa realidade, os nossos problemas e podem ser fiscalizados de perto.

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