Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 19 de Agosto de 2017
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Publicado em 11/07/17, às 09:52

Concorrência desleal

06.07 Visita Cooperativa Divulgação (3)

Três secretários da equipe do prefeito Rodrigo Drable estiveram visitando a Cooperativa Agropecuária de Barra Mansa. Liderados por Agnaldo Raymundo (Desenvolvimento Econômico), Adilson Rezende (Desenvolvimento Rural), e Alberto Carneiro (Governo), eles foram acompanhados pelo presidente da Câmara, Marcelo Cabeleireiro e pelos vereadores Elias da Corbama, Gustavo Gomes, Thiago Valério e Gilson Poxa Vida.

A Cooperativa de Barra Mansa existe há 77 anos e emprega atualmente mais de 140 pessoas de forma direta e mais 30 indiretas, com uma produção diária de 120 mil litros por dia captada nos mais de 600 produtores cooperados. Mas o setor está em crise. E Cláudio Meireles, presidente da Cooperativa, deixou isso bem claro aos ilustres visitantes. “Mostramos o que temos de mais moderno no mercado e temos que compartilhar nossas demandas e nosso ponto forte na produção do leite. Vivemos um período de sazonalidade devido à estiagem e à queda na produção, mas mostramos que existe uma concorrência desleal com as grandes indústrias multinacionais que vieram para o estado do Rio com incentivos fiscais covardes”, frisou.

Cláudio Meireles explicou ainda que o estado do Rio só produz 20% do leite que é consumido pelos fluminenses. “Somos o segundo maior centro consumidor do país e as cooperativas estão desaparecendo. Um diagnóstico da MilkPoint apontou que as empresas do estado estão com sua capacidade de produção de apenas 38%. Temos capacidade de produzir 350 mil litros por dia e só produzimos 120 mil. Estamos perdendo produtores para grandes empresas devido às leis de incentivo, que são covardes e acabam com o pequeno produtor cooperado”, enfatizou.

Ele foi além. Mostra a concorrência desleal em números. “Hoje, conseguimos pagar em média R$ 1,20 a R$ 1,40 por litro ao nosso cooperado. Enquanto isso, as multina-cionais pagam entre R$ 1,70 a R$ 1,80. E o pior é que temos produtores de Barra Mansa vendendo seu leite para essas multinacionais”, desabafou Cláudio.

O outro lado da moeda

Uma fonte do aQui, com trânsito no meio produtor, entende que a Cooperativa de Barra Mansa tem até alguma razão nos seus questionamentos a respeito da lei de incentivos fiscais. Mas lembra que a entidade poderia ter recorrido à Justiça exigindo a concessão dos mesmos incentivos aos produtores barramansenses. “Poderiam ter entrado na Justiça reivindicando isonomia. Não o fizeram. A culpa não é só das multinacionais do setor, da Vigor. Não é. A Cooperativa está defasada no tempo. Deveria se reestruturar”, pontua, dando alguns exemplos. “A Cooperativa deveria procurar diversificar mais. Hoje ninguém encontra a manteiga Barra Mansa. O requeijão. O creme de leite. E sabe por quê? Porque eles só querem fazer leite de caixinha para concorrer com os grandes. Reduzem os preços para vender para os grandes supermercados, como o Mundial. Está errado!”, compara.

Ao finalizar, a fonte opina sobre o caminho que a Cooperativa poderia seguir: “Ela deveria manter uma produção normal de leite de caixinha e lançar produtos específicos para as classes A e B. Fazer leites especiais, produtos especiais, como manteiga Premium etc. Não adianta ter leite em estoque só para fazer leite de caixinha, cujo retorno é muito pequeno”, avalia. É. Ela pode estar coberta de razão.

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