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Quinta-Feira, 19 de Julho de 2018
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Publicado em 12/03/18, às 09:38

Comandando a tropa

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Subdiretora e instrutora da Escola de Defesa Civil (Esdec) do Corpo de Bombeiros, Kellen Salles (foto) acaba de se tornar a primeira mulher tenente-coronel combatente da corporação. Ela fez parte da primeira turma de oficiais combatentes, em que houve o ingresso do público feminino. Nascida em Realengo, na Zona Oeste, filha de uma auxiliar de enfermagem e de um chofer, Kellen ingressou nos Bombeiros aos 20 anos, em uma turma com 22 mulheres. “É uma responsabilidade servir como modelo. Fiz diversos cursos e realizei o sonho de ser instrutora da Esdec e da Academia de Bombeiro Militar Dom Pedro II. Também fui a primeira oficial combatente a trabalhar na Esdec e a única até o momento”, explicou a oficial. Veja abaixo como ela chegou ao posto:  

Quando você era mais jovem, imaginava que um dia estaria no posto de oficial militar?

Tenente-coronel Kellen Salles: Desde criança sonhava em ser militar, meus olhos brilhavam com as lindas fardas, apesar de não ter militares na família. Sou filha de uma auxiliar de enfermagem e de um chofer. Só pensava em garantir uma profissão com um segundo grau técnico. Fiz Processamento de Dados.

 

O que a fez acreditar que era possível?

Kellen: Um amigo, ao entrar para o IME (Instituto Militar de Engenharia), me orientou a fazer um curso preparatório. Mesmo com poucos recursos, consegui fazer. Ganhei uma bolsa de estudos e comprava livros em sebos.  No segundo ano de preparatório, obtive aprovação na Academia da Força Aérea (AFA) e na EsFAO (Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro). Já sabia que era a primeira turma que teria mulheres. Acreditei que poderia realizar meu sonho.

 

Quantos anos tinha quando ingressou nos Bombeiros?

Kellen: Passei no concurso com 20 anos. Foi uma alegria e uma preocupação, porque precisava me apresentar com uma lista de materiais, mas meu pai estava desempregado e, sem o material, teria que recusar a vaga tão sonhada. Mas um casal de vizinhos, sabendo como era importante a oportunidade, me deu de presente o enxoval.

 

Como foram os primeiros anos?

Kellen: Éramos uma turma de 22 mulheres. Foram três anos de Academia com muitos obstáculos e superações. Dia 15 de setembro de 2001, tirei meu primeiro serviço como cadete no 12º GBM (Jacarepaguá). Foi um evento grave, uma colisão envolvendo ônibus, carro e poste com muitas vítimas.  Toda aquela cena me fez refletir e me apaixonar pelo Corpo de Bombeiros, pois entendi que ali eu poderia ser útil e cumprir a missão mais valiosa, que é a de salvar vidas. Ao concluir a Academia, recebi o Prêmio General Lírio, por me formar com todas as notas altas.

 

Como foi a adaptação da corporação à primeira turma feminina?

Kellen: Comandantes e instrutores receberam treinamentos sobre as questões femininas e fisiológicas das mulheres. Quando nos formamos, os quartéis não estavam preparados: os locais passaram por obras para se adaptar ao grupo feminino. Foi um aprendizado para todos. Em 17 anos de corporação, melhorou muita coisa, mas ainda existem barreiras a serem vencidas. Não pela instituição, mas no geral nós, mulheres, precisamos provar nossa capacidade apesar do gênero.

 

Como você avalia suas experiências durante esse tempo?

Kellen: Agradeço todas as experiências: atuar e comandar equipes em grandes desastres, resgates, grandes eventos… Gosto muito de ser instrutora. Fiz diversos cursos e realizei o sonho de ser instrutora da Esdec e da Academia de Bombeiro Militar Dom Pedro II. Também fui a primeira oficial combatente a trabalhar na Esdec e a única até o momento.

 

Quais são suas funções hoje?

Kellen: Depois de um período de três anos na Defesa Civil Municipal, onde participei do comitê de segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, sendo responsável pelo planejamento estratégico, tático e operacional das ações da DC, retornei à Esdec, onde me tornei também instrutora da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, além de ser instrutora da Escola de Defesa Civil e atualmente subdiretora. Como gosto dessa área de ensino, estou fazendo uma pós de Gestão Escolar.

 

Você acredita que está abrindo mais espaço para as mulheres?

Kellen: Sim, é uma responsabilidade servir como modelo. Muitas delas vêm falar comigo sobre isso, tentam se espelhar. Amo o que eu faço, não penso em ter outra profissão.

 

 

 

 

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