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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 27/11/17, às 09:01

Com Temer!

Rodovia do Contorno 2

Que a Rodovia do Contorno já teve uma dúzia de datas de inauguração marcadas, não é nenhuma dúvida. Começou no final da década de 70. Mas ninguém imaginava que algum dia iria testemunhar uma verdadeira ‘guerra de nervos’ entre os políticos para saber qual deles terá o prazer de inaugurar antes do outro. Isso mesmo, antes do adversário. É que o prefeito Samuca Silva e o secretário estadual de Obras, José Iran Peixoto, estão travando uma espécie de ‘disputa pessoal’ para ver quem corta primeiro a fita de inauguração da Rodovia do Contorno. Para complicar, até o ex-prefeito Neto entrou na briga! E Temer, quem sabe, pode engrossar a lista de um dos lados. 

 

O que aconteceu é que na semana passada, em entrevista ao Diário do Vale, o voltarredondense José Iran disse que a rodovia teria sido finalizada exclusivamente “com recursos do governo do Estado”. Fez mais. Disse que a participação da prefeitura de Volta Redonda – governo Samuca – teria sido ínfima, resumindo-se, nas palavras do secretário, à “retirada de entulhos”.

 

As declarações de Zé Iran não foram digeridas por Samuca. Foi, no mínimo, uma descortesia com o prefeito, que não teve culpa se a obra levou 20 anos para ser concluída, tendo consumido R$ 104 milhões dos cofres públicos.  Resultado: em entrevista ao Fato Popular (da Rádio 88 FM), Samuca deu o troco e disse que a obra da Rodovia do Transtorno teria sido bancada exclusivamente por recursos federais. O prefeito foi além. Prometeu abrir a rodovia para a população já no dia 5 de dezembro.

 

Antes, iria se reunir com todos os protagonistas – na quinta, 30 – para acertar ‘os finalmentes’. “No dia 30 vamos cuidar dos acertos finais. E no dia 5 de dezembro vamos entregar a obra à população. Volta Redonda merece esse presente”, sentenciou Samuca, lembrando que a data oficial da inauguração da obra – seja ela estadual ou federal – ainda seria marcada por quem de direito. “No dia 5 de dezembro vamos entregar a obra”, insistiu, lembrando que no Arco Metropolitano aconteceu o contrário. “Eles inauguraram há três anos e só agora entregaram a obra”, ironizou Samuca, com aquele sorriso maroto de quem sabe que está aprontando. No bom sentido, é claro.

 

As ironias levaram Zé Iran a dar nova entrevista ao Diário do Vale – de ontem, sexta, 24 – para anunciar que a inauguração da Rodovia do Contorno será no dia 4 de dezembro, um dia antes de Samuca abrir as cancelas para os motoristas passarem. Para quem não leu, a entrevista de Zé Iran foi dada tendo o ex-prefeito Neto como companhia no passeio do secretário estadual ao canteiro de Obras da Contorno.

 

Como não é bobo, Neto não fez por menos e horas depois postou uma foto da sua visita com Zé Iran nas redes sociais. E o ex-prefeito, que penou e não conseguiu inaugurar a obra, deixou o seu recado, claro, alfinetando Samuca. “Amigos e amigas, está confirmada pelo Governo do Estado (que tocou a obra) para o dia 4 de dezembro a inauguração da Rodovia do Contorno. Foi uma batalha muito árdua, houve momentos em que dava mesmo vontade de desistir. Mas a cidade merece muito essa obra e a partir da inauguração poderemos dizer que valeu a pena”, afirmou.

 

Zé Iran aproveitou a visita para anunciar a presença do presidente Michel Temer na inauguração. Mas há quem diga que tudo não passa de uma troça, pois Temer está envolvido com problemas políticos – reforma da Previdência – e de Saúde, podendo passar por um possível procedimento cirúrgico. Em se tratando da Rodovia do Contorno, tudo é possível. Aguardem as cenas do último (ou seria penúltimo?) capítulo.

Custos

Vamos fazer as contas: o quilômetro de estrada pavimentada é cotado em média, no Brasil, a R$ 1 milhão. Isso inclui toda a obra: terraplanagem, preparação do piso, contrapiso e pavimentação. No caso das obras de arte – viadutos, pontes e trevos de acesso – este custo sobe cinco vezes, com cada quilômetro construído passando a valer R$ 5 milhões. Para túneis ou outras passagens subterrâneas, o preço sobe para R$ 10 milhões o quilômetro construído, em média.

Portanto, a Rodovia do Contorno, com seus 13 quilômetros de extensão e dois trevos de acesso, deveria ter custado em torno de R$ 23 milhões. Sendo generosos, poderíamos arredondar a cifra para R$ 25 milhões. Mas, segundo os cálculos do atual secretário de Obras do Estado do Rio, José Iran Peixoto, a rodovia consumiu mais de quatro vezes este valor, engolindo generosos R$ 104 milhões do dinheiro público. Que sai, claro, do bolso de todos nós que pagamos impostos.

 

Este custo exorbitante decorre de diversos fatores: projeto inadequado; disputas jurídicas sobre desapropriações; disputas ambientais, que paralisaram a obra e obrigou à elaboração de um novo (e caro) projeto; e paralisações, por conta da falta de dinheiro (de quem?) para finalizar o investimento, o que levou quase que à deterioração de tudo que já estava feito. Na verdade, mesmo sem trânsito, a rodovia teve que ser recapeada, pois o asfalto chegou a se soltar pela falta de uso e manutenção. Mostra que é assim se faz uma obra pública no Brasil. Foi o que ocorreu, guardadas as proporções, com a construção da Transamazônica. E deu no que deu…

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