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Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Publicado em 28/01/19, às 08:37

‘Com arrastão’

Com apenas três mil eleitores, a Água Limpa é um bairro dividido politicamente. Bem dividido. Na eleição de 2016, Samuca obteve 1.523 votos; Baltazar, seu ex-adversário, por sua vez, obteve 1.510. A diferença de 13 votos entre eles deve ser menor nas próximas eleições. É que muitos moradores estão pensando seriamente em se mudar. Motivo: a Água Limpa deixou de ser um bairro tranquilo, típico do interior. Hoje, convive com a violência e é dominado por traficantes. À noite, até tiros de metralhadora são ouvidos. Tem mais. Foi palco, na visão de quem mora lá, de dois arrastões, que culminaram com o assassinato de Caio Cezar na tarde de terça, 23.

 

Ele estava dirigindo sua moto, saindo de casa e levando o pai na garupa, quando outra moto emparelhou ao lado dele e o motoqueiro e uma mulher dispararam contra ele. Os tiros o mataram na hora; já o pai nada sofreu, o que prova que as balas tinham endereço certo. O velório do rapaz, de 22 anos, agitou a Água Limpa, onde ele era conhecido e temido por supostamente ser o gerente do tráfico no bairro. Entre os moradores existem duas versões: Caio teria sido morto por traficantes de outra localidade que estariam tentando invadir a Água Limpa e assumir a venda de drogas. Ou teria sido assassinado por ordens de milicianos que querem dominar o bairro todo. “Foi um recado, tipo: nós é que mandamos aqui”, avaliou uma fonte do aQui.

 

Mas há quem pense que Caio teria sido morto pelos milicianos, mas por outro motivo: “Ele era um dos que estavam fazendo arrastão no bairro. O chefe da boca mandou passar o carro geral (matá-lo)”, pontuou um dos moradores mais antigos, que estaria querendo evitar as incursões da Polícia Militar. “Estava prejudicando o momento (venda de drogas)”, completou.

 

Outra fonte da área de segurança usou as redes sociais para deixar um alerta que tem tudo a ver com o clima no bairro. “Estamos com informações de que alguns bandidos de facção do Rio que saíram do presídio estão homiziados (escondidos, grifo nosso) na Água Limpa. A Polícia está intensificando as rondas e o serviço de  inteligência a fim de capturar estes elementos que aterrorizam o bairro e adjacências”, postou.

 

Na noite de quinta, 24, o clima de apreensão e medo também tomou conta do Jardim Normândia, Village Santa Helena, e Laranjal, bairros em que os milicianos alojados na Água Limpa estariam querendo vender serviços de segurança, entre outros. A Polícia Militar foi acionada e teria prendido dois suspeitos. Eles teriam assaltado uma drogaria no Jardim Amália e estariam prestes a roubar uma ou mais residências nas proximidades das ruas Itamar de Assis Pereira e Paulo Magalhães.

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