Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 18 de Junho de 2019
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Publicado em 27/05/19, às 09:16

Chumbo grosso

Por Roberto Marinho

Não adianta espernear, botar a culpa na imprensa ou em quem quer que seja: na contramão do Estado do Rio, onde as autoridades de segurança comemoram uma queda de 25% no número de assassinatos, a violência só tem aumentado em Volta Redonda. De homicídios a roubos de celular, de furto de automóveis a roubo a transeuntes, parece que ninguém está seguro. Pior. Que não existe nenhum lugar tranquilo na cidade do aço. E, antes que reclamem, um aviso: os dados são oficiais, são do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ). Estão lá para quem quiser ver.
E o que se vê assusta. Para começar, todos os índices estratégicos de criminalidade – que têm maior impacto na sensação de insegurança da população, de acordo com o ISP-RJ – aumentaram no primeiro quadrimestre de 2019, em comparação com igual período do ano passado. Neste quesito, o destaque negativo fica por conta dos homicídios dolosos, que pularam de 22 para 35, um aumento de mais de 50%. Só em abril deste ano, foram 12 assassinatos, 10 a mais que em abril/2018. Motivo: possível guerra do tráfico, principalmente na São Geraldo, Monte Castelo, Eucaliptal e Vila Brasília. As tentativas de homicídio também subiram muito: de 39 de janeiro a abril do ano passado para 63 em 2019. É chumbo pra todo lado.
Se o número de homicídios espanta, há outros crimes, de menor potencial ofensivo, cujos números são de arrepiar moradores do interior, como quem é de Volta Redonda. É o caso do furto de celular, que passou de 35 para 74 registros na comparação entre 2018 e 2019. Representa ‘apenas’ 111,4% de aumento (conforme cálculos feitos pelo próprio ISP-RJ, grifo nosso). O que dizer então do furto de veículos, que passou de 47 para 143 ocorrências? O aumento, segundo informou o ISP-RJ, representa absurdos 204,3%. A impressão que se tem é que existem quadrilhas especializadas agindo na cidade e a polícia, preocupada com a guerra do tráfico, não consegue dar conta do recado.
Outros delitos também preocupam, porque mostram a insegurança na rua, dentro de casa, ou no trabalho. Os roubos a transeuntes (roubos de rua), por exemplo, passaram de 97 para 108, e os roubos a residências passaram de duas para oito ocorrências, ou seja, quadruplicaram. Os roubos a estabelecimentos comerciais seguiram o ritmo, passando de 7 para 29 ocorrências. Já os roubos de veículos foram de 9 para 24, quase o triplo. E se no primeiro quadrimestre do ano passado não houve roubo de cargas, este ano já ocorreram quatro. Os roubos a coletivos passaram de sete para nove, entre 2018 e 2019.
É preciso destacar que furto ocorre sem violência ou ameaça à vítima, ou seja, ela pode estar presente, mas não nota o que acontece. Já no roubo, a vítima é ameaçada ou coagida a entregar o bem, e pode haver violência para que isso aconteça. No total, o número de roubos – com ameaça ou violência contra as vítimas – passou de 160 para 255. Um aumento de 59,4% na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2018 e 2019.
Índices também aumentam em BM
Em Barra Mansa, mesmo com o número de homicídios caindo, a violência também aumentou de modo geral. Na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2018 e 2019, houve cinco assassinatos a menos (16 em 2018, contra 11 este ano), mas os roubos de rua (roubos a transeuntes) e os roubos de veículos – que compõem, junto com os homicídios, os indicadores estratégicos de criminalidade – aumentaram. Em 2018 foram registrados 33 roubos de rua, contra 42 em 2019. Os roubos de veículos passaram de 10, no ano passado, para 17 este ano, um aumento de 70%.
Os roubos a residências e a estabelecimentos comerciais também aumentaram, passando de 2 para 6, e de 22 para 25, respectivamente. No total, os roubos em geral passaram de 85 para 110, um aumento de quase 30%. Os furtos em geral também tiveram aumento, de 228 para 282 ocorrências (23,7% a mais), com destaque para o furto de veículos, que passou de 20 para 33 ocorrências na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2018 e 2019.
Polícia mata menos
Os números do ISP também mostram que a polícia matou menos nas duas cidades: em Volta Redonda foram duas mortes por intervenção de policiais no primeiro quadrimestre de 2019, contra seis no mesmo período do ano passado. Barra Mansa, três mortes caíram na conta de policiais em 2018, contra uma em 2019.
Este ano, em fevereiro, também foi registrada a morte de um Policial Militar em serviço, no Retiro, em Volta Redonda. Após atender uma ocorrência de possível tráfico de drogas na Avenida Maria Cecília, o cabo Carlos Alberto Sá Freire Almado, 39, foi surpreendido por um elemento que saiu de um matagal atirando. O policial foi atingido na cabeça e chegou a ser encaminhado para o Hospital São João Batista, em Volta Redonda, mas não resistiu aos ferimentos.
O cabo Sá Freire, como era conhecido, estava na PM desde 2009, e deixou a esposa e uma filha. No primeiro quadrimestre do ano passado não houve registro de morte de policiais militares ou civis em serviço, de acordo com as informações do ISP-RJ.

 

Ajuda? No futuro

Coincidência ou não, na segunda, 20, quando os dados do ISP foram anunciados, mostrando que a violência na cidade do aço vai de mal a pior, o prefeito Samuca Silva esteve no Rio de Janeiro para se reunir com o comandante geral da Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo. Estava acompanhado pelo seu secretário de Segurança Pública, coronel PM Antônio Goulart Matos, e pela comandante do 28° Batalhão do Aço, a tenente-coronel Luciana Rodrigues de Oliveira.
Os prefeitos de Pinheiral, Ednardo Barbosa, e de Rio Claro, José Osmar, participaram do encontro. Na pauta dos três políticos: a volta de 32 PMs que são do Sul Fluminense e que prestam serviços na capital. “Perdemos mais de 30 policiais nos últimos meses. Mas nossa tropa segue trabalhando muito, foram cerca de 500 prisões no último ano. Então, com essa reposição acreditamos que vamos conseguir prestar um serviço ainda melhor para a população da área atendida pelo 28° BPM”, defendeu Luciana, que há pouco tempo travou uma guerra de 24 horas com a imprensa da região por divulgar números que mostram o aumento da violência.
O comandante geral da PM, coronel Figueiredo, saiu pela tangente. Informou aos prefeitos e à comandante do Batalhão do Aço que até 3 mil novos PMs devem ingressar na corporação até o final do ano. E que, conforme forem convocados novos policiais, será feita a reposição dos policiais, com prioridade para o 28° Batalhão. Ou seja, só Deus sabe quando isso poderá ocorrer.
Samuca, segundo uma fonte, não teria gostado do resultado do encontro, mas, oficialmente, procurou se mostrar otimista. “Tive a oportunidade de falar sobre os avanços da nossa cidade na área de segurança pública, como a reativação das câmeras OCR, a implantação de uma secretaria específica, a reestruturação e os novos carros para a GM, o concurso para a Guarda, implantação da RAS para GM, assinatura do convênio Cproeis com a PM, entre outros’, comentou o prefeito, conforme release enviado pela sua assessoria.

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