Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sexta-Feira, 19 de Outubro de 2018
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Publicado em 03/09/18, às 08:45

Caixa preta

Roberto Marinho

O Hospital Regional do Médio Paraíba, localizado no Roma, em Volta Redonda, começou a funcionar parcialmente em abril deste ano, depois de ficar mais de um ano fechado após ter sido “inaugurado” (as obras civis, grifo nosso) em dezembro de 2016; A unidade – que é de responsabilidade da secretaria estadual de Saúde e custou R$ 68 milhões – deveria atender pacientes dos 12 municípios que formam o Cismepa (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraíba), beneficiando um público estimado em 1,2 milhão de pessoas.

 

Só que a polêmica obra – que durou cinco anos – parece estar longe, bem longe, de salvar qualquer alma fluminense. Pelo menos, no que depender da boa vontade de quem comanda a pasta da Saúde no Rio de Janeiro. É que depois de inúmeros contatos por e-mail e telefone, o aQui não conseguiu descobrir quantos pacientes já teriam sido atendidos na unidade. Pior. Não deu para saber nem se ela está funcionando direito desde que passou a ser administrada por uma ONG, que o governo descobriu nos cantões da Bahia. Mais precisamente o Instituto Marrie Pierre, uma OS de Mutuípe, que deve estar recebendo R$ 3 milhões para administrar a misteriosa unidade que funciona no Roma, em Volta Redonda.

 

A única informação que o aQui obteve até agora, depois de semanas correndo atrás, foi com o coordenador do hospital, Ivan Montenegro. Muito solícito, o médico disse ao repórter que não poderia dar entrevistas, que isso deveria ser solicitado à assessoria da secretaria de Saúde. Quando o repórter disse a ele que isso já havia sido feito, e que o jornal tinha recebido denúncias de que o Hospital Regional seria uma unidade fantasma, sem pacientes, ele rebateu.

 

“Nada disso. Temos 29 pacientes internados na UTI adulta, e 10 na UTI infantil. Mas não tenho todas as informações de cabeça, não sei de onde é cada um destes pacientes”, afirmou. Questionado se os salários dos funcionários estariam em dia, e se a situação de ‘estado de greve (em maio) já teria sido regularizada, Montenegro disparou: “Foi regularizado há muito tempo. Isso (os atrasos, grifo nosso) foi só no começo, porque a saúde é um caos. Até em Volta Redonda”, comparou.

Correndo atrás

Para que o leitor entenda, o aQui vem tentando obter os números do Hospital Regional há meses. Desde que, em abril, se soube que a OS Instituto Marrie Pierre, da Bahia, iria gerenciar a unidade. Na época, a reportagem descobriu que a OS gerenciava, até então, um único hospital, de pequeno porte, na região do Recôncavo Baiano, que tem cerca de 24 mil habitantes. Descobriu-se ainda que a OS só tinha como cliente ela mesma.        

 

Em maio, o aQui voltou à carga para tentar saber o número de pacientes que teriam sido atendidos na unidade, após mais de um mês de funcionamento. Só deu para saber, com informações fornecidas pelas prefeituras, que Volta Redonda teria encaminhado 54 pacientes. Barra Mansa, nenhum.    

 

Na mesma reportagem, o aQui deu conta que os salários dos funcionários do Hospital Regional já estavam atrasados e eles, inclusive, ameaçavam entrar em greve. A secretaria de Saúde, procurada, fingiu de morta e ignorou os pedidos de esclarecimentos do jornal. 

 

No site da secretaria de Saúde, onde deveriam constar os contratos de todas as unidades que recebem recursos do estado, nenhuma linha sobre a OS de Mutuípe. Aparecem os contratos de todas as UPAs e hospitais estaduais, mas nada sobre o Hospital Regional. Ou seja, até agora, a população do Médio Paraíba não sabe se está diante de um elefante branco ou de uma tremenda ‘caixa preta’.

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